O que acontece com a Estação Espacial Internacional se a Rússia se retirar?

Após 2024, a Rússia começará a implantação de sua própria Estação Orbital Nacional.

O que acontece com a Estação Espacial Internacional se a Rússia se retirar?
O que acontece com a Estação Espacial Internacional se a Rússia se retirar?

O país comandado por Vladimir Putin se retirará do projeto da Estação Espacial Internacional (ISS) após 2024, quando começará a implantação sua própria Estação Orbital Nacional.

A declaração foi feita na terça-feira (26) pelo novo chefe da agência espacial russa Roscosmos, Jurij Borisov, citado pela agência de notícias “Interfax”. Como era de se esperar, o anúncio pegou os Estados Unidos e a agência espacial norte-americana NASA de surpresa.

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Vale destacar que apesar das crescentes tensões desde a invasão russa da Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos assinaram um acordo de troca de tripulação há menos de duas semanas. 

Na prática, isso permite que astronautas dos EUA e cosmonautas russos compartilhem voos entre si em suas respectivas espaçonaves (SpaceX Dragon e Russian Progress) de e para a Estação Espacial Internacional (ISS) no futuro, lembra a Reuters.

Na quinta-feira (28), o número um da NASA, Bill Nelson, emitiu uma declaração reiterando o compromisso dos EUA de manter a ISS funcionando até 2030, acrescentando que a agência espacial “está coordenando com nossos parceiros”. Segundo a declaração, a NASA e seus parceiros esperavam continuar gerenciando o posto avançado até pelo menos 2030.

O que acontece com a Estação Espacial Internacional se a Rússia se retirar?
O que acontece com a Estação Espacial Internacional se a Rússia se retirar?

Mas não está claro se a estação espacial pode permanecer operacional sem a Rússia após 2024, aponta Axios. A estação é, de fato, projetada de forma a tornar os parceiros dependentes uns dos outros.

Confira os detalhes apurados pela revista Start Magazine

  • O anúncio do chefe da Roscosmos

“Você sabe que estamos trabalhando no campo da cooperação internacional na estação espacial internacional. É claro que cumpriremos todas as nossas obrigações para com nossos parceiros, mas a decisão e o abandono desta estação após 2024 foram feitos”, disse Borisov durante uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin.

Anteriormente, o ex-diretor da Roscosmos Rogozin havia pensado em argumentar que a Rússia não poderia concordar em estender seu papel na ISS além de 2024, a menos que os Estados Unidos suspendessem as sanções contra duas empresas russas na lista negra por suspeitas de ligações militares. Ainda assim, Putin removeu Rogozin do cargo de chefe espacial em 15 de julho, substituindo-o por Borisov, ex-vice-primeiro-ministro e vice-ministro da Defesa.

Mas na quarta-feira (27) o novo diretor da agência espacial russa anunciou a retirada da ISS e além.

  • Moscovo trabalha em sua própria estação espacial desde 2024

De acordo com os planos da Roscosmos, após 2024 a agência pretende se concentrar na construção de sua própria estação espacial.

  • A localização da Casa Branca e da NASA

Mas este anúncio deve ser seguido por uma notificação oficial da Rússia aos parceiros da ISS.

Robyn Gatens, diretora da ISS da NASA, disse que seus colegas russos não comunicaram nenhuma intenção, conforme exigido pelo acordo intergovernamental sobre a plataforma de pesquisa em órbita.

“Nada oficial ainda”, disse Gatens em uma conferência em Washington. E a porta-voz da Casa Branca Karine Jean-Peters também disse que Moscou “não notificou formalmente os Estados Unidos de sua intenção de se retirar da ISS”.

Sem mencionar que a NASA e a Roscosmos estavam em negociações para estender a participação da Rússia na ISS até 2030. A Casa Branca aprovou este ano os planos da NASA de continuar executando a ISS até então.

  • Após 22 anos de ISS

Lançada em 1998, a Estação Espacial Internacional (ISS) está continuamente ocupada desde novembro de 2000, como parte de uma parceria liderada pelos Estados Unidos e pela Rússia que inclui também Canadá, Japão e 11 países europeus. O posto avançado é usado para realizar pesquisas científicas em gravidade zero e testar a tecnologia para futuras viagens à Lua e Marte.

A estação espacial é operada em conjunto pela Rússia, Estados Unidos, Europa, Japão e Canadá.

Surgiu em parte de uma iniciativa de política externa para melhorar as relações russo-americanas após o colapso da União Soviética e a hostilidade da Guerra Fria que estimulou a corrida espacial original EUA-URSS.

E desde a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, a colaboração na ISS continua sendo um dos últimos elos da cooperação civil entre Washington e Moscou.

  • Novas alianças em vista das missões na lua

Também é verdade que a NASA planeja enviar astronautas para estações espaciais privadas após a retirada da ISS, mas essas estações provavelmente não estarão prontas até o final da década de 1920.

A mudança nas alianças espaciais já foi avisada pelos acordos do programa Artemis, o projeto da NASA para enviar astronautas de volta à superfície lunar. A NASA está trabalhando com vários parceiros da ISS em seu programa, também recrutando outras nações para assinar seus Acordos Artemis.

A Rússia, por outro lado, se comprometeu a trabalhar com a China para construir uma estação de pesquisa na Lua, rejeitando o programa Artemis.

  • O comentário dos peritos

Por fim, ainda não foi dito se o que a Rússia anunciou se cumprirá.

O ex-comandante da ISS e astronauta aposentado dos EUA, Dr. Leroy Chiao, acredita que é improvável que a Rússia decida abandonar o projeto.

“Acho que essa é uma atitude dos russos. Eles não têm dinheiro para construir sua própria estação e levaria vários anos para fazê-lo. Eles não têm mais nada se seguirem esse caminho”, disse à BBC.

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Vanderlei Tenório
Jornalista, colunista/comentarista de cinema, correspondente freelance de veículos portugueses, pesquisador (Geografia Popular - IGDEMA/UFAL), bacharelando em Geografia (IGDEMA/UFAL) e editor/criador do Cinema e Geografia (CINEGEO). 6 vezes nomeado ao Prêmio Ibest.