Crítica | ‘O Peso do Talento’, novo filme de Nicolas Cage

O novo filme de Nicolas Cage traz muitas cenas engraçadas, desanda um pouco do meio pro final, mas é um bom filme para assistir em família.

Nicolas Cage fazendo um sinal com as mãos em frente ao rosto

Não posso dizer que sou um conhecedor de Nicolas Cage, porque conheço pouquíssimos filmes do astro e, também, porque não me dei ao trabalho de assistir. Eu já imagino que alguém do outro lado dessa tela deve estar pensando: mas você escreve críticas, você deveria saber!

Bom, eu sou muito desapegado quando o assunto é conhecer tudo sobre o movimento cinematográfico deste século e do século passado. Tudo o que eu sei sobre Nicolas Cage é que ele foi alvo de bullying na internet brasileira durante um tempo e que minha tia acha ele lindo, chamando-o, inclusive, de Nicolas Gato.

Para quem acompanha o trabalho do ator, o longa é um prato cheio, já que revive as memórias de outros filmes estrelados por ele e faz até algumas piadas sobre seus personagens. Neste, Nick (agora somos íntimos) é um ator em decadência, que já não recebe mais tantas propostas de emprego e decide aceitar a oferta de um fã, que paga muito caro para tê-lo em sua festa de aniversário.

Acontece que Javi, o fã de Nick, interpretado por Pedro Pascal (The Mandalorian) é parte de uma família mafiosa e pode estar envolvida com o sequestro da filha de um representante político. Sabendo disso, Nick é contratado pelo FBI para ajudar na investigação, revivendo seus papéis mais icônicos de seus filmes anteriores.

Nicolas Cage Gargalhando e Pedro Pascal sério, ambos sentados em uma escada.

Entre o trabalho com o FBI e a crise de identidade e de carreira que Nick vem passando, ele cria um laço com Javi e tenta se reaproximar da filha adolescente.

O filme está recheado de cenas engraçadas, que dá um alívio à crise de Nick, que é um personagem carrancudo, alcoólatra e desesperado. O enredo todo caminha para um fechamento diferente do que é esperado, dando uma salvação possível para o filme, mas, ao mesmo tempo, nos faz pensar: que outra possibilidade o fim teria?

Isso porque a cena final resolve, ao mesmo tempo, a crise de identidade de Nick – de uma forma meio tosca, confesso -, e a trama do sequestro da garota – e deixa uma dúvida no ar sobre o que é real e o que não é no novo filme de Nicolas Cage.

Pedro Pascal sorrindo, olhando para alguém à sua frente

O que se destaca no longa é a relação entre Nicolas Cage e Pedro Pascal, que se deram muito bem em frente das câmeras e trazem vários momentos engraçados juntos. Além dos dois, não posso deixar de mencionar Tiffany Haddish (Viagem das Garotas), que eu gosto muito, no papel da agente Vivan, e Neil Patrick Harris, como o agente de Nick.

Em relação à parte técnica, a escolha dos cenários foi muito boa e deu um ar típico de filme de perseguição de cartéis de latino-americanos, apesar do filme ter sido gravado em Maiorca, na Espanha. Já em se tratando dos efeitos especiais, a versão Jovem de Nicolas Cage não ficou ruim, mas um pouco esquisita, apesar de bem orquestrada, principalmente em cenas onde o jovem Nick e o Nick atual se interagem fisicamente.

Tiffany Haddish tirando uma selfie com Nicolas Cage.

No geral, é um bom filme para assistir em família, sendo um filme que, com certeza, passaria numa tarde de domingo na TV aberta. Eu sei que eu sou relutante em falar que os filmes valem o dinheiro gasto no cinema, mas, considerando o preço das sessões, O Peso do Talento definitivamente pode esperar para ser assistido em um serviço de streaming.