Crítica – “O Homem do Norte” é uma história enigmática de vingança

O filme tem grandes chances de receber indicações ao Oscar.

O Homem do Norte
Reprodução/Internet

Com um resgate a uma lenda viking, “O Homem do Norte” é um filme que explora o contexto histórico e através de uma fórmula enigmática, ele entrega uma história de vingança. Robert Eggers mostra a profundidade de sua direção, expressando efeitos técnicos surpreendentes na nova obra, que promete ser um grande alvo das indicações no próximo Oscar.

A narrativa é baseada na obra de Shakespeare e mostra em especial, um estímulo vingativo de vida de um príncipe. Almeth (Alexander Skarsgård) é filho do rei Horvendill (Ethan Hawke) e busca vingar a morte do pai, após seu tio trair e assassinar a grande figura de poder. Outra motivação do garoto se refere a sua mãe que foi aprisionada nessa situação.

Após 20 anos do ocorrido, Almeth se encontra com uma feiticeira depois de se tornar um viking destemido e retorna ao plano de vingar sua família e revogar o reino. Nessa estrutura, a história se desenvolve com aspectos detalhados dos costumes e do misticismo desse período, apresentando através da ficção essa sociedade medieval por volta dos anos 900 d.C.

Um dos pontos que mais chamam atenção antes mesmo de ter contato com a obra, são os grandes nomes do elenco como Skarsgård, Hawke, Nicole Kidman, Claes Bang e Anya-Taylor Joy. De fato, os atores renomados dão um suporte esperado a história, que já se baseia em um roteiro bem construído equilibrando conteúdo, ação, suspense e reviravoltas.

A fotografia do filme pode se classificar como um dos principais pontos, principalmente pelos cenários fidedignos que a trama apresenta, com ambientação medieval que foram bem expressadas nas cenas pelos jogos de luzes e a utilização dos próprios recursos naturais ao favor dessa estética. O que colaborou com essa construção, foram as lutas bem ensaiadas que muitas vezes assustam o telespectador por serem extremamente violentas e sanguinárias.

Outro tópico que se destaca no longa, se deve a organização dos fatos revelando um bom roteiro de Eggers e Sjón. A história apresenta uma série de detalhes e informações específicas que são de extrema importância para o desenvolver da narrativa. Alinhar todos esses arcos foi uma tarefa desafiadora, que em “O Homem do Norte” se concretizou de forma satisfatória e de fácil compreensão, mesmo com o alto teor teor de conteúdo.

O casal destaque em “O Homem do Norte”

Alexander Skarsgård e Anya-Taylor Joy protagonizam o casal Almeth e Olga que possuem habilidades especiais e se infiltram em meio a escravos, em busca de vingança. Juntos eles representam um grande destaque na história e desencadeiam boa parte das principais reviravoltas.

Tal evidência se deve principalmente pela dinâmica que os dois atores conseguiram desenvolver no filme. As excelentes atuações individuais colaboram nos momentos em que ambos contracenam juntos e tornam o arco dos personagens mais convincentes e interessante.

O Homem do Norte
Reprodução/Internet

“O Homem do Norte” é uma história enigmática, pois se desenvolve através de algumas peças até construir um quebra-cabeça final repleto de conteúdo, referências, ação e suspense. É uma trama viking sobre vingança que resgata completamente uma lenda mística e através da ficção expressa essa estética de forma convincente e intrigante.

O elenco, a fotografia e o roteiro são dignos de uma indicação ao Oscar e se tornam excelentes nos 137 minutos de tela. É um filme que consegue entregar e satisfazer completamente as exigências do gênero, atendendo muito bem a proposta de uma narrativa histórica sobre vingança, com muitas lutas e rituais místicos.

Nota da autora:

Avaliação: 5 de 5.

Isabella Rocha
Redatora, produtora de conteúdo, uma garota que ama séries, filmes, livros e música e fala muito sobre histórias. A minha história está lá no Instagram (@bellaisarocha)!