Crítica – “Doutor Estranho 2” traz uma fórmula inovadora e sinistra para a Marvel

Sam Raimi deixou sua marca na sequência.

Doutor Estranho 2
Reprodução/Internet

Um dos filmes mais esperados neste ano é o blockbuster “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”. A sequência mostra um novo olhar sobre o Universo da Marvel Studios, após os acontecimentos de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” que geraram uma grande confusão. A história explora um panorama original em que realidades alternativas são apresentadas e encantam visualmente, mas não deixam de ser confusas.

O desenvolvimento do filme se inicia com a introdução da personagem America Chavez (Xochitl Gomez), que é capaz de atravessar os diferentes universos e transitar naturalmente entre eles. A garota está sendo perseguida quando encontra Stephen Strange (Benedict Cumberbatch). Após o ocorrido com Peter Parker, o herói está lidando com algumas questões pessoais, quando se vê a frente de um novo grande conflito.

Com Sam Raimi a frente da direção e a produção executiva de Kevin Feige, a sequência de Doutor Estranho trouxe uma nova fórmula para a Marvel, com suspense e terror, característicos do diretor, que também foi responsável pelo Homem-Aranha de Tobey Maguire. É nítido a interferência e mudança que o cineasta trouxe a obra, que se classifica como uma história profunda, impactante e sinistra em muitos aspectos.

Isso se deve principalmente por explorarem de maneira mais aprofundada o multiverso. que foi inicialmente apresentado na série “Loki”. Tal construção se deve aos aspectos gráficos do filme, que expressa uma fotografia impecável, com transições de cenas eletrizantes e efeitos especiais magnéticos. A paleta de cores dentro da identidade visual contribuiu perfeitamente para a estética de loucura e trevas que a trama apresenta. A cada cena de luta, os efeitos especiais tomam a frente se destacando e somado as grandes atuações, tornam o filme uma obra digna da Marvel.

Dentre as proveitosas performances, há um destaque para o principal Cumberbatch, que conseguiu manter a essência do Doutor Estranho em cada variante, mas ao mesmo tempo, entregou uma nova personalidade com base na realidade de cada universo. Dessa vez, pode-se dizer que ele conseguiu fazer a melhor atuação dentro do personagem desde o seu primeiro filme.

Stephen mais uma vez precisou lidar com um jovem imaturo e dotado de muitos poderes, no entanto, America Chavez se mostra uma figura única e inigualável. A personagem de Gomez é uma jovem forte, mas que ainda está conhecendo os seus poderes, no entanto, ela mostra um ápice de bondade e humanidade que excedem seus traumas e medos.

A Feiticeira Escarlate foi a protagonista e “Doutor Estranho 2”

Como confirmado anteriormente, Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) foi a verdadeira vilã no novo filme. Envolvida com o Darkhold e em possessão direta com forças das trevas, a vingadora decide usar de meios perigosos para reencontrar os filhos e finalmente ser feliz.

A introdução de Wanda começou em Vingadores: A Era de Ultron e até então tinha sido finalizado com a série limitada no Disney Plus, WandaVision. No novo filme, mais uma vez o arco da Feiticeira Escarlate se mostra interessante, bem trabalhado e essencial para a construção de uma antagonista profunda, intensa e completamente assustadora.

Dentro dessa estrutura, a atriz Elizabeth Olsen exala talento e dá uma verdadeira aula de como viver uma vilã que já foi heroína. A Feiticeira Escarlate fala mais alto dentro da personalidade de Wanda, suas ações nada razoáveis mostram poder, descontrole e ao mesmo tempo desespero. A atuação de Olsen se destaca dentre todas as outras até então, quando possuída pela magia das trevas é possível ver cada detalhe dessa influência, do visual a voz prepotente e tremida.

Wanda Maximoff
Reprodução/Internet

Com o roteiro de Michael Waldron, “Multiverso da Loucura” traz algumas ressalvas importantes. Dentre elas, uma falha nessa nova fórmula da Marvel de apresentar uma série de novos personagens e nem sempre desenvolver todos eles de maneira saudável dentro da trama. Isso acontece principalmente com o novo grupo Illuminati, que não exerceu o devido impacto que poderia, pela extrema simplicidade desse arco.

Isso ocorre ao longo do filme, diversos conflitos possuem resoluções simplistas, apenas para seguirem com os próximos. Em certos momentos há sensações de muitos conflitos e poucas resoluções, sem de fato um desfecho coerente. Por esse motivo, o longa pode ser considerado confuso, principalmente se o telespectador não se atenta totalmente e não tem o costume de assistir os filmes da Marvel.

“Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é o filme mais assustador da Marvel. Ele consegue fluir entre ação, suspense e terror, sem se perder totalmente da estética das obras já conhecidas. A história é bem fundamentada, mas a intenção de apresentar muitos arcos, a torna muito confusa. No entanto, a sequência é de longe um dos filmes mais bonitos e empolgantes que o estúdio já produziu.

Nota da autora:

Avaliação: 4 de 5.

Isabella Rocha
Redatora, produtora de conteúdo, uma garota que ama séries, filmes, livros e música e fala muito sobre histórias. A minha história está lá no Instagram (@bellaisarocha)!