XCloud: Vale a pena ou melhor deixar quieto?

Finalmente, o projeto XCloud, que traz a proposta de te permitir jogar certos games por streaming e sem a necessidade de downloads, chegou ao Brasil. A ideia parece ótima, mas será que, na prática, ela funciona mesmo? É isso que eu vou te contar nesse post!

No dia 30 de setembro finalmente chegou ao Brasil o projeto XCloud, nova plataforma da Microsoft para o streaming de jogos. O projeto já estava em beta testing nos Estados Unidos há quase um ano, mas só chegou às terras tupiniquins agora.

A proposta de jogar em qualquer lugar e sem precisar baixar nada parece ótima, em tese, mas sabe o que também era uma ótima ideia em tese? O Google Stadia, e todos sabemos o que rolou com ele. Como gamer falida, a ideia de não precisar ter um console de última geração ou um super PC Gamer para jogar me parece incrível, mas, será mesmo que ela funciona na prática, com uma Internet não tão confiável e uma profunda desconfiança pelo streaming de jogos?

Sem mais delongas, vamos descobrir a resposta para essa questão:

Detalhes do teste: 

  • Internet: Fibra óptica com velocidade de 30mb e transmissão de 2.4GHz (sim, eu sei, eu tenho uma internet de padeiro)
  • Dispositivos utilizados: Xbox One S e Galaxy A50
  • Games escolhidos: Undertale (Xbox One S), Celeste (Android sem controle), Donut County (Android sem controle), The Medium (exclusivo Xbox Séries X, jogado em um Android com um controle de Xbox One padrão e no navegador do Xbox One S), Subnautica (Xbox One S)

Experiência de jogo:

Assim que você acessa o aplicativo do Xbox Game Pass e seleciona o game para jogar, ele vai abrir uma tela de carregamento, mostrando uma navezinha em uma galáxia verde. Eu, particularmente, achei isso fofinho, ainda mais quando o tempo de espera não é longo. Porém, mantenha em mente que das 18h até 23:30h você vai pegar uma fila de espera ao tentar acessar o servidor e sentir vontade de enfiar essa nave onde o sol não brilha na Microsoft.

Ok, carregamos o jogo e estamos na tela de início, e agora?

No aplicativo do Xbox, a experiência, para mim, foi ótima. O tempo de resposta foi bem curto, quase não havendo diferença entre um jogo baixado ou não. Meu único problema foi que, se eu realizasse movimentos muito rápidos, a imagem tremia, mas logo depois retornava ao normal. Em Undertale, que é um jogo pixelado, isso não é um problema, apenas um incômodo, já em um título como Subnautica, onde os gráficos fazem parte da experiência de gameplay, esse pode vir a ser um problema.

A gameplay de Undertale foi bem fluída, com a exceção de alguns bugs na imagem

Já no meu celular, eu tentei jogar Celeste e Donut County sem o controle, o que foi péssimo, para dizer o mínimo. Como padrão para emular jogos, os botões aparecem na tela e o seu toque representa o apertar de botões.

Em Celeste, um jogo de plataforma 2D, a gameplay foi bem fluida e eu consegui passar bem pelos níveis (assim, mais ou menos, mas é que eu sou ruim mesmo), minhas dificuldades em pular e agarrar ao mesmo tempo podem ser, em grande parte, atribuídas ao fato de eu não estar acostumada a jogar no celular. Eu consegui até mesmo resgatar o meu save do console, e eu nem sabia que ele estava na nuvem!

Donut County já é outra história…

Esse é um indie não tão conhecido, que eu selecionei apenas para testar a experiência, mas não passei dos cinco minutos de gameplay. O delay do “controle” foi horrível e, em certos momentos, não parava o comando ao mesmo tempo que eu (Será que é possível ter drifting sem um controle físico? Se a resposta for não, acabamos de mudar paradigmas com isso aqui.), além disso, o som travou horrores e eu mal conseguia ouvir o jogo. Mantenha em mente que isso ocorreu logo após o gameplay de Celeste, que rodou tranquilamente.

O emulador do controle possuía um delay absurdo e o som travou várias vezes

Agora chegou a parte boa, vamos jogar The Medium com uma internet de padeiro, um android e ver se o XCloud realmente entrega o que prometeu. Conectei meu controle no telefone, logo após algumas tentativas frustradas de conectá-lo ao PC e fui com Deus e sem muitas esperanças, já que esse é um jogo AAA que não rodava no meu One S nem pela nuvem e eu só conseguia pensar: Como diachos de asas voadoras isso vai funcionar no meu telefone?

Eu quebrei a cara, e fiquei bem feliz com isso. O jogo rodou bem, com poucos lags e um tempo de resposta rápido. Certas vezes a imagem ficava um pouco ruim, já que, como eu disse, internet de padeiro, mas eu consideraria a experiência um sucesso e, inclusive, planejo zerar The Medium do conforto do meu Android. Para quem esperava um Stadia, estou no lucro. 

O game não vai rodar pelo seu Xbox no aplicativo do GamePass, mas o macete é acessar o site pelo app do Microsoft Edge e jogar o quanto quiser. O ponto negativo dessa gambiarra é que os gráficos não ficam muito bons, e eu não tenho tanta certeza de que ele tenha sequer alcançado 1080p.

Captura do jogo ‘The Medium’ feita através de um celular Android

Pontos Negativos:

  • Certas vezes, a imagem fica com uma qualidade bem ruim, semelhante à quando a internet está lenta e a Netflix não carrega direito.
  • Perto das 18h, quando o fluxo de gamers é maior, você pode experienciar uma longa fila de espera, podendo ficar preso na tela de carregamento por 10 minutos ou mais. O tempo de carregamento só voltou ao normal após às 23h.
  • Embora não tenha acontecido comigo, meu amigo Mark contou que, mesmo com uma internet de 150mb, o jogo crashou, embora, logo depois, ele tenha voltado exatamente de onde parou.
  • Outro detalhe, também experienciado por ele, foi que o tempo de resposta para shooters tenha sido maior, prejudicando um pouco o gameplay caso o jogo seja muito frenético.
  • Ao tentar realizar movimentos muito rápidos, a imagem ficou um pouco tremida antes de voltar ao normal.
  • O foco do streaming não são os consoles, então não espere poder jogar pela nuvem um jogo da próxima geração no seu XOne, pelo menos não com a qualidade dos outros jogos do catálogo. Eu entendo que eles precisam vender seus consoles e, logo, não seria viável tornar um exclusivo do Series X/S disponível para um One, mesmo que pela nuvem. Mesmo assim, seria interessante ter essa disponibilidade e eu gostaria de vê-la no futuro.

Pontos positivos:

  • A facilidade de jogar em qualquer lugar, podendo carregar meu controle e celular para qualquer viagem e não precisar carregar o videogame ou PC caso queira jogar fora de casa.
  • O Cloud Gaming torna muito mais fácil a universalização dos jogos de videogame. No momento, um console de última geração custa em torno de R$5000,00; com o serviço de streaming, os jogos não ficam restritos a quem tem condições de gastar tal dinheiro. Contudo, o preço do Game Pass no Brasil está bem salgadinho, custando R$45,00 por mês.
  • A biblioteca do XCloud, no momento, conta com mais de 300 jogos, englobando desde títulos indies até os AAA. Tem games para todes, é só procurar o seu favorito e game on!
  • Facilidade de conexão do controle: O controle sem fio do Xbox One pode ser facilmente conectado a um celular ou PC, mesmo que depois você volte a usá-lo no seu console. Reparear o dispositivo com o seu videogame leva menos de 15 segundos e, se você possuir um controle do Series X/S (que também é compatível com o One, vale ressaltar), é só apertar duas vezes o botão de pareamento na parte de trás do controle e pronto, ele já alterna entre o último console conectado a ele e o dispositivo conectado atualmente.
A imagem mostra a tela de pareamento do controle de Xbox em um dispositivo Android
O controle do Xbox é facilmente pareável com qualquer dispositivo
  • A resolução do XCloud chega a 1080p e 60fps, o que é muito bom, ainda mais levando em conta que o serviço está em Beta Testing.
  • Disponível sem custo adicional para assinantes do Gamepass Ultimate: Para testar o serviço, basta assinar o Game Pass, você ainda recebe acesso a uma biblioteca enorme de jogos (alguns dos quais não estão disponíveis no XCloud) e acesso ao EA Access.

Conclusão:

A pergunta que surgiu após o lançamento dos serviços de streaming de jogos foi: Será que o sistema de jogos de nuvem vai substituir os consoles e PCs caríssimos?

Sinceramente, eu creio que não. Embora no celular e no console, o tempo de resposta tenha sido bom em jogos onde o combate não fosse o foco do jogo, é preciso manter em mente que o formato é melhor em jogos que priorizam a exploração e o modo história. Há também o fato de que seria difícil jogar online ao fazer o streaming de um jogo, já que, além da possibilidade de que o game trave no meio da partida, vale pensar que aquele milissegundo extra que o jogo leva para responder ao controle pode significar a morte (literalmente) em um jogo com ritmo frenético.

A realidade é que o streaming veio para universalizar um pouco mais o mundo dos games. Como eu disse ali em cima, consoles e computadores estão cada vez mais caros e a maioria de nós levará alguns meses ou anos para finalmente conseguirmos comprar aquele PS5, Series X ou aquela placa de vídeo de última geração. Eu nunca teria sido capaz de jogar ‘The Medium’ se não fosse pelo Cloud Gaming. E sim, eu sinto falta da tela gigante da minha TV e de poder observar melhor os detalhes do jogo nela, mas, acima de tudo, eu sou apaixonada por jogos de videogame e quero poder experimentá-los. Eu vou rejogar cada título que eu fizer o streaming assim que puder ter um console novo e observarei cada detalhe que eu não pude ver na telinha minúscula do meu celular, porém, enquanto isso, cada um de nós, gamers falidos, poderemos jogar títulos que, antes, só poderíamos ver em gameplays.

Observação: Essa review veio de uma gamer acostumada a jogar em um console e, portanto, privada de baixar jogos… gratuitamente e pensando que cada joguinho está custando 250 conto. De acordo com o Mark (que foi citado ali em cima. Oi, Mark, você tá lendo isso?), ele vai ficar só no primeiro mês mesmo, já que o preço é muito caro quando se olha a biblioteca de jogos. Ele prefere baixar pira… comprar em uma promoção muito boa.

Nota do serviço:

Avaliação: 3 de 5.

(5 se comparado ao Google Stadia)

Nota do catálogo:

Avaliação: 4 de 5.

(Porque sempre podemos por mais jogos, não é mesmo, Dona Microsoft?)

Valor da assinatura mensal: R$45,00 pelo Gamepass Ultimate. Como o serviço está em beta, ele não pode ser assinado separadamente.

Anna Luíza Mosson
Anna Luíza Mosson Estudante e geek, você provavelmente pode me encontrar jogando videogame, vendo séries e filmes ou lendo algum livro. Vida longa e próspera!