Crítica – “Venom: Tempo de Carnificina”

A trama da sequência te prende mais pela emoção do que pelo enredo.

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Em “Venom: Tempo de Carnificina”, Eddie Brock (Tom Hardy) lida com um novo vilão e com a adaptação do simbionte Venom em sua vida. O longa chega nesta quinta-feira (7) nos cinemas brasileiros e promete eletrizar o público, principalmente com a cena pós-crédito.

Eddie passa a lidar com Venom de uma maneira mais intimista do que no primeiro filme. Todo o fracasso pessoal, profissional e amoroso do jornalista investigativo deu espaço para o sentimento de heroísmo e poder, uma vez que Venom adaptou sua realidade para viver literalmente dentro do mundo de Eddie. Como toda relação contínua, os dois passam a viver grandes conflitos e constantemente brigam como se fossem um casal conjugal.

Essa parte da trama, revela que o filme mostra além dos poderes de Venom, que dessa vez não tem seu potencial completamente centralizado, mas principalmente sua parte emocional. O simbionte passa a apresentar zelo por Anne Weying (Michelle Williams) e grande desprezo por homens criminosos. Essa reação torna o simbionte humanizado, ele ajuda Eddie em momentos conflituosos e passa a ter sentimentos humanos, como se vivesse em um relacionamento verdadeiro.

Tom Hardy sentado em uma mesa, sendo interrogado por Stephen Graham
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Apesar do grande foco na relação dos dois, o que verdadeiramente protagonizou positivamente o filme foi a inserção dos dois novos vilões: Cletus Kasady (Woody Harrelson), que foi apresentado na cena pós-crédito do primeiro filme. Além dele, seguindo os quadrinhos, a vilã Shriek aparece com o seu pseudônimo Frances Barrison.

A construção psicológica da mente dos dois personagens, que são apresentados como loucos, é algo de grande destaque para a narrativa. Além das características de um serial killer comum, Cletus traz grandes pendências do passado e quando escolhe Eddie para contar a sua história, não imagina a reviravolta em sua vida. Um serial killer por natureza junto de um simbionte, só pode gerar em uma conclusão: carnificina. E de fato o novo vilão é mais forte que o próprio Venom em força física, mas em conexão com o “humano” hospedado.

Com dois grandes vilões, a trama deixou a desejar no desfecho da história de ambos ao final do filme. A personagem Frances, poderia ser mais explorada visto que possuía uma história forte, condensada durante o enredo e na cena final, não teve a oportunidade de se desenvolver melhor com o foco da luta entre Venom e Carnificina.

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Anne, ex-esposa de Eddie, faz parte de importantes cenas da trama e sua relação tanto com Venom, quanto com Eddie é potencializada pelos riscos que corre em nomes dos dois. No entanto, o “romance” paralelo entre ela e Eddie dá margem a muitos furos no roteiro, que poderiam ser substituídos por um desenvolvimento mais profundo das cenas que sucedem o fim da narrativa.

A batalha final tem uma visão fantástica da construção psicodélica dos dois vilões, que dentro do reformatório viviam um romance exótico e sinistro, sonhando com uma catedral e um casamento macabro. Durante a cena, sacrifícios são apresentados e os detalhes da parte visual tornam a luta entre Venom e Carnificina intrigante, curiosa e intensa. Todavia, os acontecimentos se sucedem de maneira rápida e o desfecho não abre oportunidade para a profundidade dos poderes de Frances.

“Venom: Tempo de Carnificina” é um longa que prende o telespectador, conquista algumas risadas com algumas piadas ácidas e instiga o público nas cenas de luta. Com diálogos mais intensos e questões emocionais profundas, o filme te prende pelo mix de sentimentos e mesmo com um enredo corrido, cativa a todos que assistem e abre margem para novas teorias dentro do universo de Homem-Aranha.

Isabella Rocha
Isabella Rocha Redatora, produtora de conteúdo, uma garota que ama séries, filmes, livros e música e fala muito sobre histórias. A minha história está lá no Instagram (@bellaisarocha)!