Crítica | Duna e a rinite psicológica que o filme causa

Com um elenco de peso e fotografia impecável, Duna promete ser a nova saga da Warner.

Com um elenco de peso e fotografia impecável, Duna promete ser a nova saga da Warner. Pelo menos se continuar com um bom orçamento.

O longa traz Timothée Chalamet (Call me by your name) como Paul Atreides, um jovem brilhante, dono de um destino além de sua compreensão. Quando ele precisa viajar para o planeta mais perigoso do universo é que a história realmente começa.

No elenco, temos Rebecca Ferguson (Doutor Sono), Zendaya (Euphoria), Sharon Duncan-Brewster (Sex Education) e Charlotte Rampling (Assassins Creed) mostrando o peso que o filme traz já na seleção de grandes estrelas do cinema e da TV. Ainda, Jason Momoa (Aquaman), Oscar Isaac (Cavaleiro da Lua) e Javier Bardem (007 – Operação Skyfall) somam sua participação no filme.

Depois de muita espera, pudemos assistir Timothée e Zendaya finalmente contracenarem como par romântico, apesar da participação dela neste primeira parte da sequência ser muito tímida, em cenas de vislumbres futuros. Não há o que reclamar da atuação de ninguém neste filme, e uma surpresa positiva foi a personagem brilhante de Rebecca Ferguson, como Jessica Atreides, mãe de Paul. Apesar de parecer novinha pra fazer papel de mãe, o enredo dá destaque pra atriz brilhar lindamente em cena.

Ainda sobre o enredo, eu confesso que fui assistir sem ter lido o livro, então no começo, apesar de parecer um início de guerra claro pelos vários indícios, fiquei confuso sobre o que estava acontecendo e o que, de fato, esperar do filme.

No começo tudo é muito indistinto, e a gente não sabe qual rumo o enredo vai tomar, mas desde o começo entendemos que é só de Paul e sua mãe, apesar de um universo patriarcal (subjetivo), há um respeito muito grande pelas personagens mulheres – e videntes.

A verdade é que esta primeira parte é um prelúdio, uma introdução de quem é quem e o que devemos esperar de cada um, algo como A Sociedade do Anel, só que com muito mais sangue e poeira e menos água.

A história interplanetária traz uma lembrança de Star Wars, pelo deserto, e dá uma nostalgia de Sessão da Tarde com O ataque dos vermes gigantes (1990), talvez por conta da história original ter sido escrita nos anos 1960. Pode ser que valha a pena assistir a primeira versão do filme, de 1984.

A história é anciã, mas as tecnologias do filme são futurísticas, apesar de não existir internet em nenhum dos dois momentos (passado e futuro). Vem logo 5G!

Os efeitos visuais estão incríveis e não deixam a desejar, tanto que eu senti a rinite psicológica atacando já no começo do filme, inclusive saí com o olho ardendo de tanta areia e especiarias.

Não podemos deixar de falar da trilha sonora, produzida por Hans Zimmer, que nunca entrega menos que excelência. Falou em filme interplanetário pode chamar o Hans pra produzir a trilha! Acho que ela também ajudou a sentir toda a nostalgia dos outros filmes que eu já falei aqui.

É por isso que Duna tem tudo pra ser a próxima saga de ouro da Warner, desde que não haja escândalos nem cortes no orçamento de poeira. Pode faltar água, mas não pode faltar poeira nesse filme.

Nota:

Avaliação: 4 de 5.

Carlos Ferreira