Análise | Por que a nossa nova doce Cinderela foi tão criticada?

O longa estreou dia 3 de setembro no Amazon Prime Video, com Camila Cabello como protagonista, e já divide opiniões

Uma nova versão do conto Cinderela teve sua estreia em 3 de setembro no Amazon Prime Video, estrelado por Camila Cabello e, para a ansiedade de muitos e a decepção de quase todos, o filme não teve tanto sucesso assim.

Nessa nova versão, contamos com a participação de grandes nomes da indústria cinematográfica, como: Billy Porter, no papel de Fab G; Idina Menzel, como a madrasta Vivian; Pierce Brosnan, como Rei Rowan; e a belíssima Camila Cabello, como Ella, em sua estreia como atriz.

Há quem diga que o roteiro foi fraco, a atuação da menina Camila foi medíocre, o figurino muito colorido e extremamente feio e sem nexo, mas será que foi sombriamente tudo isso mesmo? Ou é só o nosso mau hábito em sempre ver as produções “Disneylescas” que fez nosso gosto por clássicos ficarem chatos?

Eu claramente aposto na segunda opção.

Temos claro a fantástica produção de Cinderela, estrelada por Lily James e Richard Madden, tão perfeitamente produzida que nos faz querer entrar no filme, mas a abordagem é totalmente a tradicional.

A nova Cinderela foi proposta como uma quebra de tabu, onde a princesa não necessariamente precisa ficar com o príncipe e abrir mão dos seus sonhos.

Gostaria que você, caro leitor, tentasse entender duas coisas que irei citar:

1° – Falar sobre o protagonismo feminino onde não necessariamente tenha a essência do machismo é extremamente complicado, ainda mais dirigida por uma mulher.

2° – Quebra de tabus são, sim, extremamente delicados porque a sociedade ainda vê esses tabus como um monstro de sete cabeças.

A proposta do filme era mostrar que Ella sonhava em ser estilista, ter seu ateliê e, quem sabe, viajar o mundo, mesmo sendo impedida de sonhar inúmeras vezes pela madrasta. Entrando no assunto madrasta, Vivian era constantemente contraditória, uma vez que, em vários momentos, ela quer que Ella se case para salvar a família e as filhas possam encontrar um homem com muito dinheiro.

Não há como negar porque a essência, a “base” do filme, ainda é o conto original, porém, por tantos outros momentos vemos ela dizendo sobre vontades que sempre teve em ser independente e não pôde realizar por conta da sociedade machista.

Vemos, também, a Princesa Gwen constantemente tentando se envolver nos negócios do reino e, todas as vezes, recebendo a reprovação de seu pai. A rainha por vezes precisou se segurar com suas decisões e atitudes porque era mulher, já que na corte mulheres não têm voz, ao final da produção vemos essa quebra em um momento divertido. Claramente o Rei está desesperado para que seu filho se case e o príncipe definitivamente não tem nenhum jeito com os negócios do reino.

A verdadeira questão é que, em se tratando de um assunto como o empoderamento feminino, a quebra de tabu como esse ainda é muito complicada, principalmente pela forma com que fomos acostumados a ver os contos de fadas. Na maioria das produções, se não em todas, ainda vemos a crítica e a sexualização da mulher.

Na minha humilde opinião como uma boa apreciadora e amante da arte, digo a você (caso queira ler e levar em consideração, ou não), precisamos estar mais abertos às novas produções e ter sensibilidade com os temas abordados e, principalmente, como colocamos as nossas opiniões.

Você pode realmente não ter gostado do roteiro, direção, trilha sonora, figurino e atuação mas é importante saber que é bom ter cuidado em como pontua esses assuntos. Nenhum roteirista escreve de qualquer jeito, nenhum diretor faz o trabalho “porcamente”, nenhum sonoplasta ou figurinista escolhe as músicas e os figurinos por escolher, nenhuma atuação é tão péssima que não possa melhorar. Tudo é composto em conjunto, e cada coisa tem um significado!

A arte cinematográfica é imensamente cheia de erros e acertos, mas nós estamos ridiculamente acostumados em sempre esperar a perfeição, mas nada, nem efeitos especiais são perfeitos, e tudo é uma questão de perspectiva.

Você nunca vai apreciar como eu aprecio e meu gosto nunca vai ser com o seu, mas as novas produções estão vindo com promessas grandíssimas, como o protagonismo feminino e a comunidade LGBTQIA+ tomando a frente de muitas produções.

Cinderela foi, de fato, uma produção fantástica, um musical cheio de energia e cores, como deve ser. Estar aberto a novas perspectivas em um mundo tão fechado é a nossa única opção.

tiacissamalfoy