Livros

Entrevista | Confira nossa resenha de “Enquanto não te encontro” e uma entrevista com o autor!

Ler “Enquanto não te encontro”, de Pedro Rhuas, é como sentar em uma mesa de bar e presenciar o melhor do futrico e eu amei isso.

  Mark Bossuet    sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Ler pode te deixar atônito de diversas maneiras. Você pode ficar tomado de felicidade e, até mesmo, de espanto. Porém, Enquanto eu não te encontro me deixou tomado por outro sentimento. Enquanto (sem trocadilho) eu lia o livro, o sentimento de paz, de calma e de acolhimento se fez presente.

A literatura tem um papel muito importante na vida dos que a consomem e, além de uma ferramenta de aprendizado, a literatura tem um fator de libertação do mundo real e eu encontrei o oposto disso nessa leitura. Ler Enquanto não te encontro é como sentar em uma mesa de bar e presenciar o melhor do futrico e eu amei isso.

 

Sinopse:

Lucas é um garoto do interior do Rio Grande do Norte que passou no enem para estudar publicidade e, juntamente com seu melhor amigo Eric, se muda para a capital para se aventurar em uma cidade grande. 

Em uma noite de sábado de 2025, Lucas eric decidem ir para a inauguração do Titanic, a nova balada tematizada da cidade. E tudo muda para Lucas quando ele encontra Pierre, um garoto lindo francês. 

 

A escrita de Pedro Rhuas é fluida e divertida, prendendo o leitor já nas primeiras páginas. Uma escrita cheia de referências e carregadas do bom e velho humor se faz leve e simples no melhor sentido possível . É muito difícil encontrar um livro LGBTQIAP+ sem uma tragédia, ou um final extremamente triste, porém, em “Enquanto não te encontro”, os temas mais “pesados” são tratados com naturalidade e responsabilidade, mostrando de uma forma bem intimista como é ter coração partido – seja por um amor ou por uma amizade. 

O livro se tornou para mim um grande favorito justamente por sua leveza e simplicidade. Ele não tenta ser o que não é, e isso me conquistou. Espero – muito – que tenha uma continuação para sabermos o que vai acontecer com esses dois! (A carta no final foi golpe baixo, Pedro, você não tinha o DIREITO!)

Agora, confira para uma entrevista que o Autor gentilmente cedeu à nossa equipe! 

 

1- Como você definiria “Pedro Rhuas” para alguém que não te conhece?

Pedro Rhuas é um poticearense animado e escantoralista (escritor, cantor e jornalista) criativo que ama trazer arte ao mundo. Um artista de esquerda e politicamente engajado que ama uma boa dose de cultura pop e viagens em tempos sem quarentena. Um sonhador em todos os sentidos.

 

2- Nunca na história da literatura tivemos uma Drag tão misteriosa como Holly Bardo e essa representatividade alegre, divertida também não é recorrente na literatura LGBTQIAP+. O que você acha sobre a representação LGBTQIAP+ no Brasil, em especial, na literatura?

Estamos chegando lá! Na verdade, hoje a literatura com protagonismo LGBTQIAP+ já é a vanguarda do que se tem produzido no Brasil para o público jovem. Os principais títulos direcionados a esse grupo lançados pelas editoras brasileiras são de escritores LGBTQIAP+ que escrevem tendo como foco a comunidade. Vitor Martins, Clara Alves, Lucas Rocha, Elayne Baeta, Juan Jullian… Quando colocamos isso em perspectiva, percebemos de que modo temos avançado e como a estrada que se delineia à frente é de uma continuidade desse avanço.

 

3- O sotaque é um assunto recorrente em seus livros, seja de forma descontraída, a exemplo do Pierre, ou como um peso ou incomodo, como vemos em Matias em “O mar me levou a você”. Qual a sua relação com o sotaque e as marcas nordestinas e como é sua relação com a caricatura que é feita no Brasil em cima da figura nordestina?

Minha postura enquanto autor nordestino é de trazer minhas bagagens culturais de maneira positiva, em contraste aos estereótipos que nos oprimiram por tanto tempo. A linguagem é reflexo de nossas vivências. O próprio mercado editorial, centrado no eixo Rio-São Paulo, pautou uma linguagem padrão (e não menos regional) que afastou do campo comercial algumas possibilidades de escrita (da tradução de obras estrangeiras a outros aspectos de edição). Trazer o sotaque para dentro da minha narrativa é um modo de disputar esse espaço negado. Sobretudo, mudar o centro de comando de um Nordeste escrito pelo “Brasil” para um Nordeste escrito pelo Nordeste. É onde a caricatura derrete.

 

4- Sabemos que a música tem um papel muito forte na sua vida e, com sua mente musical, você tem alguma música que defina o Lucas e o Pierre?

Com certeza! A música que melhor define o Lucas e o Pierre se chama “Nosso final feliz” e estará presente na trilha sonora completa do livro, prevista para o início de Setembro! ❤️

Vale ressaltar que Pedro já possui várias músicas lançadas e posso já de antemão que não vem menos que a perfeição por aí.

Confira as músicas do autor no Spotify

 

5- “Tristeza existe e é necessária, porque é a balança da alegria. Não da pra conhecer uma sem sentir a outra. Mas a vida não é triste em si, puramente. O problema é se conformar com ela, se apegar a ela.”

Você também já teve momentos em sua vida onde precisou pensar sobre isso? Para você, Pedro, o que é a vida?

O livro nasce das minhas experiências pessoais, da balança entre as minhas alegrias e as minhas tristezas. Partilhei um bocado das minhas aprendizagens com leitores para que essas mensagens pudessem tocar corações como tocaram o meu. Para mim, a vida é a nossa escola. É o lugar para onde viemos com o objetivo de aprender: aprender sobre nós mesmos e seguirmos evoluindo. Uma evolução eterna: é isso que significa a vida.

 

6- Como foi, para você, escrever sobre os personagens de Enquanto eu não te encontro? Alguma particularidade foi transferida de você? Você se sente confortável colocando seus próprios sentimentos em personagens?

Sempre compreendi a literatura como um espaço para se despir. Para se desnudar mesmo, arrancar as roupas e a pele, e mostrar o coração. Fiz isso com “Enquanto eu não te encontro” em diversos momentos. E foi mágico. Nem sempre fácil, mas sempre mágico no final. Por isso, meus personagens carregam muito de mim. Mesmo os mais aparentemente diferentes trazem uma marca da minha personalidade, e isso é fantástico.

 

7- Sabemos que o Brasil não é um país fácil para nós LGBTQIAP+. Diante disso, o que você gostaria de dizer para essas pessoas que se enxergam tanto em seus personagens e em você, principalmente?

Acreditem em seus sonhos. Tentaram desacreditar nosso potencial por muito tempo. Sabem que, quando estamos fortes, mudamos nossa realidade concreta, mudamos o país, mudamos o mundo! Nunca esqueça da sua força (que não é pouca) e que família é aquilo que construímos com as pessoas que nos amam, de sangue ou não. Vamos voar muito alto ainda. Muito!

 

 90/100 no Markometro!
(Ou 4.5/5 para as boas línguas) 

O Livro está disponível na Amazon e em todas as maiores livrarias do país e, além do livro, de uma checada no site oficial do livro, lá você encontra diversos conteúdos extras, incluindo uma CENA EXTRA