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Crítica | A Lenda de Candyman mostra o que é terror de verdade

O filme mostra o verdadeiro terror: a violência institucionalizada. O longa estreia dia 26.

  Carlos Ferreira    quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Com estreia marcada para o dia 26 de agosto, A Lenda de Candyman traz muito suspense e uma crítica profunda sobre raça e classe.

Se você acha que filme não tem que envolver política, feche essa crítica agora. Não é que eu discorde de você, apenas que eu não considerado a sua existência.

Porque é isso que a maioria das entidades de segurança fazem com a população negra: 1- negam seus direitos civis e sua existência como seres humanos; 2- atiram pra matar e só depois identificam a pessoa.

É por isso que precisamos de Jordan Peele no meio cinematográfico, para denunciar o genocídio negro presente no mundo, mais especificamente, causado pelo imperialismo do hemisfério norte.

Dirigido por Nia daCosta, Candyman traz um enredo que pode parecer confuso no começo, mas mostra a que veio durante seu desenvolvimento. Nia vem se destacando por seu trabalho desde seu primeiro longa, Passando dos Limites, mas fez um trabalho impecável neste novo filme. A gente já ansiosa por As Marvels (2022).

Agora, falando de Peele (Corra e Nós), o roteirista mostra que sua média continua alta no meio cinematográfico. Ao contrário do que vemos por aí em nome conhecidos da indústria, onde a diversidade étnico-racial está em colocar uma pessoa não-branca como vilã ou uma pessoas não-hétero como queerbating, Peele, Rosenfeld e DaCosta deixam bem claro que dá pra fazer filme com elenco majoritariamente negro sem necessariamente incluir um vilão branco (em oposição), ou mesmo trazer um vilão negro pra manter o perfil do elenco.

 

Em A Lenda de Candyman, o verdadeiro vilão é o sistema que abjetifica e define minorias políticas, majoritariamente não-brancas, e institucionaliza a violência como método de coerção. O real terror do filme é a violência de um sistema criado e regulado historicamente por pessoas brancas.

Se você decidiu ler esta crítica até aqui, e ainda não concorda comigo, porque você é uma pessoa branca, vá assistir o filme, repense sua formação política e depois descubras maneira de apoiar as lutas por justiça racial.

O filme traz uma analogia muito interessante sobre a colmeia e a polícia americana, que nos faz pensar sobre um método de ataque (caracterizado como “defesa”) brutal. Ao contrário das abelhas, nossas capacidades racionais podem mudar esse comportamento.

A fotografia é um pouco carregada, mas no tom certo pra seriedade do filme. A trilha sonora não deixa a desejar, assim como toda a sonoplastia, com efeitos de suspense pontuais. A atuação está impecável e a escolha dos atores foi ímpar, com Yahya Abdul-Mateen II e Teyonah Parris no elenco.

Por fim, espero que você tenha uma boa experiência assistindo o filme. Apesar de ser um filme de suspense, o final é emocionante.

 

Nota: 5/5.