Cultura

Space Jam: Um Novo Legado – The Game, minha análise e experiência com o jogo

Space Jam: Um Novo Legado chegou aos cinemas dia 15 de julho, junto com um novo jogo de videogame que recebeu o mesmo nome. Confira abaixo minha experiência com ele e uma análise de sua jogabilidade.

  Anna Luíza Mosson    sexta-feira, 16 de julho de 2021

O novo filme de Space Jam foi lançado nos cinemas Brasileiros quinta-feira, dia 15 de julho, e está fazendo sucesso entre a audiência. Como aconteceu com o filme original, a Warner encontrou uma boa oportunidade de lucrar e decidiu lançar um jogo que não era exatamente uma adaptação do filme, mas definitivamente se encaixava dentro da história, no mesmo dia da estreia do filme. O game é um exclusivo para consoles Xbox e estava disponível em Early Access para todos os assinantes do Game Pass desde o dia 1° desse mês.
Para a sorte de vocês, esta que vos fala tem o serviço e, ainda por cima, é uma péssima jogadora de jogos de plataforma. Por isso, eu achei que seria uma ótima ideia narrar para vocês minha experiência com o título enquanto o analiso para vocês, não é mesmo? Quem gostou bate palma, quem não gostou, paciência, meus anjos.
Primeiro de tudo, eu queria relembrar o primeiro game com vocês. Ele foi lançado em 1996 para o Playstation 1, para o Sega Saturn e para os computadores DOS e MS-DOS. Assim como seu sucessor, o estilo era 2D e a jogabilidade similar a um fliperama, porém, o que o diferenciava era que, além de ser um jogo de basquete com os Looney Tunes, havia uma experiência a ser vivida com ele. Você não apenas jogava basquete, haviam diversos minigames diferentes dentro da gameplay que, além de se conectarem com a história da campanha, te faziam querer experimentá-lo mais de uma vez.
No original, os Looneys jogam uma partida de basquete contra os monstros e, durante os intervalos, precisam realizar várias tarefas, como: encontrar o uniforme ou as garrafas de água do Jordan e até mesmo navegar uma espaçonave por um campo de asteroides. Tudo isso fazia o preço pago pelo game valer a pena (pelo menos o da cópia pirata que a maioria de nós comprava no camelô, já que o original estava fora do alcance de quase todo mundo), será que o mesmo pode ser dito pelo novo, que, felizmente, encontra-se gratuito na Microsoft Store?
O game foi desenvolvido a partir de ideias dos fãs, que enviaram suas dicas aos desenvolvedores em novembro do ano passado. A equipe acabou optando por fazer um arcade beat ‘em up bem simples, mas que acabou sendo divertido. A gameplay tem em torno de uma hora e, já que você só tem um movimento – pular e apertar X ou só apertar X -, ela pode acabar tornando-se repetitiva para alguns. Para mim, o jogo inteiro lembra um fliperama, o que torna a repetitividade irrelevante para mim. Contudo, tenha em mente que você pode não gostar muito dele por esse motivo.
Sem mais delongas, vamos à minha cômica experiência, já que eu amo jogos de fliperama, apesar de ser terrível neles.

Minha Experiência com o game

O jogo começa quando LeBron, Pernalonga e Lola Bunny se vêem presos em um laboratório controlado pelo vilão do filme, Al-G Rhythm, nome que me fez dar uma gaitada tão alta que eu tenho quase certeza que meus vizinhos querem me expulsar de casa. O senhor Rhythm quer conquistar o mundo (ou algo do tipo, eu realmente não prestei muita atenção nos diálogos), e nossos heróis acabam presos no laboratório dele, precisando encontrar pedaços do código fonte do Al-G para acabar com os planos dele. Antes disso, nós somos emboscados e lutamos contra os capangas da IA, uns robôs malignos, e é aí que a gameplay começa.
Eu escolhi a Lola Bunny (também joguei com os outros dois, embora ela seja bem mais icônica, convenhamos) e, vergonhosamente, levei algumas porradas dos robôs até descobrir o botão de bater.
O jogo não possui uma explicação dos comandos no início da gameplay e, por isso, eu te recomendo ler a seção que explica os controles do menu, já que eu a ignorei e não fazia a menor ideia que era possível pegar coisas do chão. Também levei um bom tempo para descobrir que dava para coletar comida para restituir a barra de saúde e que a bola de basquete que estava no chão era uma arma. A noob, meu pai!
Depois de acabar com a raça dos robôs, ficar presa em uma sala aleatória que está quase te esmagando e sair em uma espécie de museu, você é obrigado a “explorar” para encontrar os discos contendo o código que você necessita. Eu coloco a palavra entre aspas porque não há nada para explorar, já que você só tem uma opção: seguir em frente. Contudo, o visual do museu é bem bonito e chega a ter várias referências aos Looney Tunes, tornando-se uma experiência visual bem legal quando se percebe os detalhes de cada sala.
Então, após lutar contra uma onda de robôs ao ar livre, o primeiro grande campeão do jogo aparece: uma máquina gigante de quatro braços. Ele é uma evolução do tipo mais simples de inimigo da campanha, mas é um bem difícil, pelo menos pra mim que não entendi nada enquanto um robozão me segurava e jogava no chão igual uma boneca de pano.
Eu não sei o quanto disso era o fato de eu jogar mal e o quanto era uma falha do jogo, mas vamos colocar a culpa em mim por enquanto. Eu levei uns cinco KOs antes de pegar o jeito, e quando eu digo “pegar o jeito”, eu quero dizer chegar de fininho no moço e tacar-lhe uma frigideirada. Sim, a Lola bate com uma frigideira (alô, Enrolados), uma garra de luva de box e, se você fizer um combo, ela pega um peixe gigante para socar a galera. Eu não estou zoando e, pra mim, isso é o máximo, porque é muito cartunesco, combinando com os Tunes. A única parte triste é que o Pernalonga usa uma luva de Box simples, assim como o LeBron. Chato, né?
Eu queria agradecer à vovó, que salvou a minha pele nessas lutas, jogando comidas aleatórias no campo de batalha pra eu comer e restituir minha vida. O jogo tem várias cartas bônus para você escolher e utilizar após encher um medidor enquanto luta contra os inimigos, mas as melhores e mais úteis são a da vovó, que derruba comida do céu (bem Tá Chovendo Hambúrguer mesmo) para repor a saúde, e a do Tas, que te faz infligir mais dano por um certo período de tempo.
Depois disso, nós seguimos caminho, passamos por mais algumas ondas de robôs e acabamos por chegar ao primeiro pedaço de código, que está escondido logo antes do chefão dessa fase: The Brown. Ele é bem simples de ser derrotado depois de pegar o jeito com o robozão anterior, a única diferença é que a barra de vida dele é enorme e o Brown tem asas, que o cara usa para voar e te manter longe ou para jogar penas afiadas em você. Fora isso, ele é bem simples de derrotar, eu nem usei a bola de basquete, simplesmente bati nele com minha frigideira e meu peixe, desviei das penas e pulei quando ele voava para me afastar. Como eu disse ali em cima, o jogo pode cair na repetitividade, já que sua única opção é apertar o X enlouquecidamente, não havendo combos de movimentos ou coisas do tipo.
Após a queda do Brown, somos introduzidos a um novo inimigo: os sapos robôs e os latões que jogam bombas. Esse primeiro é bem básico, mas o segundo me deu nos nervos, porque sai derrubando bombas ao longo do caminho e te obriga a manter uma certa distância dele quando elas estão perto de detonar. Ele também foi o responsável por grande parte dos meus KOs, já que eu sou bem avoada e me perdia no meio das ondas gigantes de inimigos, então, se eu tentava emboscá-los em meio aos explosivos (que também causam danos a eles, felizmente), acabava me perdendo ali no meio e só me encontrando de novo quando estava estirada no chão. Eu seria uma péssima agente secreta, misericórdia.
Quando eu aprendi que chutar ajudava, descobri que era péssima na mira. Eu nunca fui muito boa em chutes, nem mesmo quando eu fazia muay thai, meu negócio era bater com a mão mesmo, então isso talvez faça sentido…
A coisa começa a ficar boa na chefona dessa fase, a White Mamba. Não apenas ela é uma moça cobra, mas também usa sua cauda para te derrubar, me forçando a pular de hora em hora e persegui-la na tela. É preciso admitir que essa é uma vilã bem mais dinâmica que o Brown, e eu gostei de enfrentá-la, embora também tenha sido fácil, já que, como eu disse, X ou Pulo+X.
Após essa luta, temos o pior robô do jogo todo: o que utiliza um lança-chamas. Eu espero que vocês gostem de churrasquinho de coelho, porque eu fui cozinhada e cai de cara no chão várias vezes! Sério, acabem com ele primeiro, eu queria morrer toda vez que aparecia um desses ditos cujos.
Por fim, finalmente chegamos na última batalha e é hora de acabar com o senhor Al-G Rhythm. A luta é dividida em três ondas, que são similares, mas vão ficando gradativamente mais difíceis. Ele joga bolas elétricas em você, passa a mão no chão e tenta te esmagar. Depois, você enfrenta duas hordas de robôs e pode, finalmente, recuperar um pedaço do código, que inicia a próxima onda assim que você o agarra.
Essa parte me fez refletir seriamente sobre as minhas escolhas de vida, já que eu morri várias vezes. A vontade de chorar estava grande e eu parei pra refletir se servia mesmo para jogar videogame, já que me vi sendo pega nas piores armadilhas: as bolas de plasma facilmente desviáveis e o socão do robô gigante.
Como brasileiro não desiste, depois de morrer umas 500 vezes, levar dois K.O.s durante a luta em que venci, descobrir que a maioria das cartas de ajuda são inúteis e, finalmente, virar uma expert em chutes, eu venci na vida e acabei com a raça do monstro. O jogo acabou por aí, após 67 minutos, com os nossos heróis finalmente escapando do laboratório do mal, mas você ainda pode lutar contra os bosses de novo em um modo especial (Eu tentei revisar para vocês, mas estava cansada e acabei morrendo horrores. Mesmo assim, pelo que eu vi do modo, ele é bem legal, embora cansativo. Confira o vídeo aqui debaixo pra me ver apanhando do The Brown.)

Análise geral da gameplay

A minha avaliação sobre a campanha do Game é que ele é divertido, similar aos fliperamas antigos e com um estilo 16 bits muito fofo. Um dos pontos que poderia ser melhorado é que o jogo dá apenas uma opção de golpe, eu senti falta de termos mais possibilidades de comandos ou algum tipo de combo, como era comum em jogos do mesmo estilo, por exemplo em Street Fighter; Outra melhoria que poderia ser adicionada é alternar as cores dos inimigos, mesmo que somente pela estética, já que é meio pombo ver os mesmos robôs com as mesmas cores o tempo todo.
Se você tem tendinite ou algum tipo de dificuldade motora nas mãos, esse título pode te causar uma dorzinha, já que é necessário um ritmo frenético onde você, basicamente, esmurra o X do seu controle. Fora isso, ele é um jogo bem decente que, certamente, irá agradar aquele seu primo chato que mexe no save de todos os seus jogos quando vai à sua casa.
Eu te recomendaria pagar mais de 20 reais nesse jogo? Não. Ele é melhor que o seu sucessor? Não. Maaaas, ele está gratuito na Microsoft Store, pelo menos por enquanto, e, com toda certeza, vale a pena ser conferido, já que sua conexão com a história do filme ficou bem legal e ele ainda foi feito em parceria com os fãs.
Bom, por enquanto eu vou deixar vocês por aqui com a lição que eu aprendi durante minha gameplay: você não pode vencer o algoritmo! Brincadeira (ou não, já que somos todos reféns dele, não é mesmo!?). Contudo, eu vou dizer uma coisa que esse jogo me fez lembrar, jogar videogame não é sobre ser bom ou ruim (embora seja muito legal ser o melhor do time), mas sim sobre se divertir. Então, se você curte jogar e está achando divertido: Parabéns, você é gamer!
Ah, e não se esqueça de sempre usar o GPS, já que o Pernalonga e a Lola se meteram nessa furada depois de errar a esquerda em seu caminho. O que que há, velhinho?

Ficha técnica do título:

  • Nome: Space Jam: A New Legacy – The Game
  • Disponível em: Microsoft Store para consoles da linha Xbox
  • Link da loja: https://www.xbox.com/pt-BR/promotions/space-jam-a-new-legacy-game)
  • Preço: Gratuito
  • Nota de jogabilidade de 1 a 5: 4