Resident Evil: No Escuro Absoluto – Qual o papel do novo anime da Netflix na franquia de games?

O novo anime de Resident Evil acaba de estrear na Netflix e, se você ficou confuso quanto à sua colocação no lore geral da franquia, vem comigo entender tudo sobre ele.

Atenção: Esse artigo pode conter spoilers dos jogos “Resident Evil 2: Remake”, “Resident Evil 4” e do novo anime da Netflix: “Resident Evil: No Escuro Absoluto”

Na quinta-feira, 8 de julho, a Netflix lançou em seu site a primeira de várias séries e filmes que serão produzidos para a plataforma em parceria com a Capcom. A produção, que é caracterizada como um anime de CGI, chama-se Resident Evil: Infinite Darkness e traz de volta os amados protagonistas do remake de Resident Evil 2, dando seguimento à história deles anos depois dos acontecimentos do game. Contudo, a produção pode dar um nó na cabeça dos que decidiram assistir à série sem conhecer a história da franquia, e até mesmo em alguns fãs de carteirinha dos amados jogos de terror.

Se você se enquadra em alguma dessas categorias, vem comigo entender o lore desse anime marcado por uma conspiração governamental, investigações secretas e ratos assassinos.

A história se passa oito anos após os eventos de Resident Evil 2, com o retorno do visual de Leon e Claire do remake, e é feita como uma grande cutscene não jogável, o que explica o visual da produção. Claire, após escapar de Racoon City, entrou para a organização TerraSave, que apareceu no jogo Revelations 2, e é responsável pela construção de casas e escolas em países carentes. Enquanto isso, Leon ainda trabalha como agente do governo após os eventos de Resident Evil 4, tendo conquistado a admiração do presidente dos Estados Unidos após salvar a filha dele.

Logo nos primeiros minutos do piloto da trama, é possível ver uma força-tarefa militar infiltrando um país, que você logo descobrirá chamar-se Panamstan, e verá que há algum tipo de vírus zumbi no lugar. Entretanto, antes que você entenda o que está acontecendo, há um corte para anos depois, onde vemos Claire pela primeira vez após o remake, ainda com a mesma jaqueta vermelha que sobreviveu a um apocalipse zumbi, sua estadia na faculdade e mais 8 anos de uso continuo (passa a marca da brusinha pra gente, amada). Ela está em Panamstan, um país que não havia sido citado antes na saga, mas que passou por uma recente Guerra Civil e, portanto, torna-se essencial para as relações diplomáticas dos EUA e é, basicamente, a raiz de tudo que acontece no anime.

A coisa só começa a fluir mesmo quando a nossa amada Claire vê um desenho de uma criança sobrevivente da guerra e reconhece um possível ataque zumbi. Ela fica surpresa e nós somos transportados para a Casa Branca, que acaba de sofrer com uma quebra na segurança, com um hacker acessando arquivos extremamente secretos do Pentagono. o Presidente, então, chama uma força-tarefa militar e o seu mais novo agente favorito, Leon Kennedy, já que se o cara salva a vida sua filha, ele merece uma confiança, não é mesmo?

Porém, como isso aqui não é anime policial, o Leon chega no lugar quando um apagão ocorre e a Casa Branca fica infestada de zumbis. Já que a entrada dele tinha que ser épica, o cara chega bem a tempo de assassinar um monstrengo que costumava ser o Secretário de Imprensa e salvar o Secretário do presidente, que não acreditava muito na competência dele. O poder do protagonista!

Brincadeiras a parte, o começo da série consegue construir muito bem a tensão e prender minha atenção como espectadora. A história começa a caminhar quando o Secretário de Defesa decide que a China é a culpada de tudo (familiar, não?) e, para provar isso, manda o Leon e sua equipe de black-ops (aquela que eu citei lá em cima), chamada Mad Dogs, para investigar em uma missão altamente secreta que pode causar uma guerra se alguém descobrir. Tudo que a gente gosta, né?

Pois bem, lá vai o senhor Leon e seu novo amigo, Jason, chefe do time, se preparar para vazar dali; porém, antes disso, temos que lembrar da existência da Claire e, para isso, vamos ter um encontro ao acaso quando a nossa heroína de jaqueta vermelha favorita vai no capitólio pedir para o presidente construir umas escolas no Panamstam e acaba dando de cara com o Leon, que está usando um terno muito bonito, por sinal, e tendo uma conversa com ele, que diz pra ela não fazer nada estúpido. Óbvio que ela não ouviu e já começa a ignorar o conselho dele quando reconhece o Jason como o famoso (que nós não ouvimos falar antes dela contar) “Herói do Panamstam”. Ela fala que o terno do Leon não combina com ele enquanto já está planejando vasculhar a vida inteira do moço, já que alguém precisa revelar o que aconteceu no passado pra gente. Como ela foi parar nos EUA é uma pergunta que nós não iremos ter resposta tão cedo, mas relaxa, fronteiras não existem nessa história, ao menos é o que parece!

Enquanto a Claire faz o serviço de Sherlock Holmes nos Estados Unidos, o Leon está preso em um submarino à caminho de Shangai com uma equipe de paramilitares altamente misteriosa ao mesmo tempo que, pasmem, temos outro surto de vírus no lugar. Então, meus anjos, agora temos até ratos carnívoros e não, eu não estou zoando. O T-Vírus foi pro chinelo e agora as pessoas estão sendo possuídas por roedores assassinos que controlam o corpo delas e, depois de sua morte, partem em busca de outro hospedeiro. Enquanto o nosso agente bonzinho, Leon, tem que fugir deles, o submarino anuncia que irá se autodestruir em 50 segundos e todos devem partir em direção à um compartimento x. O cara, com o poder de protagonista e sua própria inteligência, consegue matar os ratinhos do satanás e chega na escada do compartimento, enquanto descobre que as madames militares mataram toda a tripulação dali. Simpáticos, não?

Pois bem, ele se salva, enfrenta os caras, atira no “Herói” e vai atrás da companheira dele. Shen Mai, que ninguém sabe por quê trabalha pro governo, já que a família dela é rica pra caramba, mas vou manter esse questionamento pra mim mesma. Enquanto isso, na terra do Tio Sam, Claire descobre que a equipe inteira do Jason se matou, exceto por ele e decide confrontar o Secretário de Defesa que, não surpreendentemente, faz a egípcia e finge que não escutou a moça, logo antes de mandar sequestrá-la.

As coisas começam a ficar um pouco corridas a partir desse ponto. Na China Leon invade a casa da Shen Mai e descobre que, durante a guerra do Panamstan, houve um surto do mesmo vírus dos ratos assassinos, que infectou o irmão dela e toda a unidade do Jason e, agora, eles só podem viver tomando um supressor da doença, ou então eles se tornam zumbis… a gente acha, eles não explicam muito bem. A moça também conta que a destruição do país na guerra ocorreu depois do Secretário de Defesa, que era um mero general americano situado no país naquela época, usou o local, secretamente, como palco de testes para um novo vírus biológico.

Agora você vai ter que ler isso aqui comigo bem calmamente, porque eu tive que voltar o episódio umas cinco vezes pra entender essa parte: o Secretário de Defesa costumava ser um general que comandava as tropas estadunidenses que estavam no Panamstan para ajudar a acabar com a Guerra Civil. Contudo, ele secretamente trabalhava em conjunto com uma empresa farmacêutica secreta para manufaturar armas biológicas e soltá-las, infectando as pessoas e, assim, enriquecendo ao vender o antídoto. Quando a situação da guerra ficou crítica, os Mad Dogs foram mandados para resgatar as tropas de lá, mas todo mundo já estava morto, menos o irmão da Shen, chamado Jun See. Quando eles estavam saindo, uma tropa de zumbis infectados pelo vírus do Secretário atacou o esconderijo deles e mordeu todo mundo.

Depois disso, o Jun See, que já estava infectado (eu acho, já que, mais uma vez, eles não explicam direito), deu a sua parte de imunosupressores para a unidade especial, assim salvando-os de se tornarem zumbis. Por conta disso, ele acaba falecendo e a Shen Mai, quando escuta a ordem do general de colocar fogo em toda a cidade, sai do quartel e busca salvar os sobreviventes. Grato a ela, o Jason a ajuda a mandar o seu irmão, que agora é um morto-vivo, para Shangai, onde seu avô busca curá-lo (ele ainda não conseguiu e o cara tá quase decomposto na cama, mas ainda tem batimentos cardíacos por algum motivo milagre da medicina). E sim, eles jogam tudo isso em cima de você de uma vez com uma narração e flashbacks no fundo. Não era mais fácil fazer mais uns dois episódios e não acelerar tanto assim?

Mas enfim, a unidade sobreviveu e agora precisa tomar supressores do vírus para continuar humana. O general, buscando esconder tudo isso, deu medalhas a todos eles, forneceu seus remédios e os utilizou em missões para ganho próprio ao longo dos anos. Após contar tudo isso e revelar que o irmão tinha um chip com todas as informações da farmacêutica secreta pra quem o vilão trabalha e que ia expor tudo na internet, sua casa é bombardeada por mísseis (E eu não sei o que é mais confuso nessa cena, um chip que expõe o cara sendo colocado em todos o soldados o que é, no mínimo, burro, ou o Jason do nada bombardear a casa da aliada pra causar medo na população gera).

De repente todo mundo está nos Estados Unidos bem a tempo para o grande discurso do presidente que, seguindo o conselho do Secretário de Defesa, decide declarar guerra à China (não, nós não sabemos como o Leon e a Shen saíram de Shangai, mas, como eu disse antes, as fronteiras parecem não existir nesse programa). Então o secretário ameaça a Claire, o Jason aparece e vira uma espécie de Hulk (???), ainda mantendo sua consciência (o que não faz sentido nenhum), e tenta acabar com a raça do secretário. Os planos dele falham quando o Leon aparece e o vilão consegue fugir, mas, em uma sequência de luta que fez jus aos jogos e fez valer a pena meu tempo assistindo esse anime de qualidade questionável, o monstrão mata a Shen, o Leon salva a Claire e os dois acabam com a raça do monstro.

O Leon também tem tempo de avisar seu novo amigo, o Secretário do presidente, que o outro lá era corrupto e, portanto, o presidente muda seu discurso e fala uma coisa linda de liberdade na América e no mundo, com os Estados Unidos sendo um ícone de esperança, que só estadunidense acredita e a gente corta para o final, onde é o fim da amizade de Leon e Claire, já que ela é mais jornalista e quer soltar pro mundo tudo que está no chip super aleatório do Jun See. O Leon, que teve um papo sobre medo com o Hulk Quase Zumbi, decide que vai esconder tudo da imprensa, já que espalhar o terror na massa era justamente o que o Jason queria, e o nosso agente favorito jurou quebrar a cadeia de terror dele.

Antes de tudo acabar, ainda temos um vislumbre do Secretário preso e descobrimos que ele trabalha para a TriCell, responsável pelo vírus do jogo Resident Evil 4, aquele que quase matou a filha do presidente. Talvez isso seja importante, ou não, já que apesar de canônico, esse anime não acrescenta muito à história dos games, além de concluir a saga de Leon e Claire. E se você está questionando onde foram parar os ratos assassinos, eu também estou, já que eles, supostamente, deveriam ser os portadores do vírus da história, mas acabam sumindo logo após aparecerem pela primeira vez.

Esse foi Resident Evil: Infinite Darkness em um resumo para vocês, um anime em CGI que começa extremamente bem e termina extremamente corrido também, com certos elementos narrativos sem sentido (como o chip de cada soldado que poderia incriminar toda a empresa, mas eles mesmo assim implantam em todo mundo), e chefões completamente sem lógica (como os ratos carnívoros que só aparecem uma vez, apesar de possuírem o hospedeiro, ou o Jason, que não vira um zumbi, e sim um Hulk com consciência e super músculos, mesmo com todos os outros infectados se tornando zumbis fracos). Mesmo tendo suas falhas, a trama é legal e vale umas três estrelas, mas não espere muita coerência dela não. Pelo menos é melhor que os filmes com a Milla Jovovich!

Quanto à sua timeline, segue a linha aqui embaixo pra entender:

  • Resident Evil 2: 1998 (Leon e Claire se conhecem)
  • Resident Evil 4: outono de 2004 (Leon salva a filha do presidente)
  • Infinite Darkness: 2006
  • Residente Evil 5: meio de 2006
Anna Luíza Mosson
Anna Luíza Mosson Estudante e geek, você provavelmente pode me encontrar jogando videogame, vendo séries e filmes ou lendo algum livro. Vida longa e próspera!