Cultura

Eu assisti o reboot de Gossip Girl para que você não precise fazer o mesmo

O reboot de Gossip Girl finalmente está entre nós e deixou muito a desejar.

  Anna Luíza Mosson    segunda-feira, 12 de julho de 2021

Uma escola cheia de crianças ricas mimadas, professores sem-noção e um reboot que ninguém pediu, é isso que marca a nova temporada da repaginada Gossip Girl. Já faz quase uma década desde o fim da série original e, talvez seja porque observar adolescentes riquinhos fazendo bullying com tudo e todos me dê estresse pós-traumático, ou o fato de que eu fico me questionando como esses jovens já passaram por tanta coisa aos 16 anos, mas nada dessa premissa me atrai mais. Mesmo assim, eu sei que muita gente é fã da série original e está receoso/animado para a nova fase da blogueirinha edificante do colégio. Então, se você não sabe o que fazer, eu assisti o reboot de Gossip Girl para que você não precise fazê-lo e vou te contar tudo sobre o piloto da série aqui embaixo.

Primeiro, eu queria deixar claro que a série é bem melhor que grande parte das outras produções adolescentes que estão por aí (cof cof* Elite *cof cof), mas poderia ser melhor. Ainda estamos no piloto, então o que eu disser aqui pode mudar, mas, o que eu vi por enquanto foi uma escola com adolescentes que parecem ter a mesma idade dos professores e vários momentos que tentam parecer descolados ao criticar o patriarcado ou racismo, mas acabam caindo em situações completamenta aleatórios que não parecem nem um pouco naturais.
Um dos primeiros erros da série aparece logo no início do episódio, quand, ao incorporar a pandemia na trama, os produtores a deixam resumida à comentários sobre a chatisse de ficar em casa e sobre as aulas de zoom, com um comentário aleatório de um garoto fingindo surpresa ao ver o outro sem máscara. Ao meu ver, a ideia não foi de bom tom, a não ser que a intenção deles fosse mostrar o quão vazios esses jovens são (embora eu duvide muito que a crítica tenha sido tão profunda). O segundo erro vem logo depois, ao tentar fazer parecer que uma das protagonistas, Julien, é uma das pessoas mais simpáticas do grupo popular e logo após fazê-la humilhar uma professora por usar uma blusa da Zara. Por favor, se decida produção, ou um ou outro, não dá pra achar icônico uma pessoa que humilha a outra sem motivo nenhum. Mirou na Blair e acertou na Jenny Humphrey em sua pior fase.
E talvez tudo fosse perdoado se esses fossem os únicos problemas da obra, mas, para mim, a série já morreu com as motivações da nova “Gossip Girl”. Por algum motivo, os adolescentes não respeitam mais os professores, chegando até a causar a demissão de alguns deles quando estes não recebem uma nota boa dos mestres (o que é, no mínimo, idiota, já que uma coisa é certa: isso acabaria com a credibilidade de qualquer colégio). Pois bem, então a série segue e uma antiga aluna que se formou com com a turma de 2009, Rebecca Sherman (que, se você não reconhece o nome, é porque ela não fazia parte do grupo, apesar de ter tido seu nome brevemente mencionado na segunda temporada), diz que o motivo para seus colegas serem decentes com os professores na sua época era a ameaça constante da XOXO expô-los. Outra coisa com que eu irei, respeitosamente, discordar. Posso até não ser especialista em GG, mas uma coisa é certa, a galera original era metida e, muitas vezes, antipática, mas não abertamente petulante ou maldosa com os membros do corpo docente. Ameaçar talvez, mas eu duvido muito que a Blair fosse rir na cara de um professor por usar uma roupa barata. O estilo deles era fazer um comentário condescendente entre seu grupo, talvez comentando o péssimo gosto das lojas de departamento, mas só.

Contudo, o problema fica pior, já que os professores, parecendo ter a maturidade de seus alunos, resolvem reviver a Gossip Girl como uma página do Instagram, buscando colocar medo nos adolescentes menores de idade. Quando eles vão corrigir trabalhos, formular provas, dar aulas e, ainda assim, administrar uma famosa página de fofocas? Os produtores dessa série sabem o quanto professores trabalham? E alguém vai falar do quão problemático é o fato de adultos feitos estar stalkeando e colocando medo em crianças de 16 anos? Mesmo assim, por algum motivo, que me escapa, a estratégia funciona e os alunos começam magicamente a serem mais simpáticos, o que não faz sentido nenhum, mas ok, eu vou tentar ignorar isso por enquanto. Pelo menos a Kristen Bell faz a voz da nossa blogueirinha favorita, tornando-se, provavelmente, a melhor parte desse desastre.

Segue o baile então e vem conhecer as novas irmãs do pedaço, Julien e Zoya. A mãe delas era casada com o pai da J, um famoso produtor musical, mas acabou largando ele (e a filha) para ficar com o pai da Z, que, nas palavras da série, era um “Zé Ninguém”. Ela acaba morrendo e as duas se conhecem pelo Instagram, tornando-se amigas e fazendo de tudo para que a mais nova consiga uma bolsa no colégio e mude-se para lá.
A irmã vai e as duas resolvem fingir que não se conhecem, já que seus pais não podem saber de sua amizade (Outra coisa que não faz sentido, já que a rivalidade entre os pais não deveria ser tão forte para interferir entre as duas. Os adultos dessa série parecem ter dois anos de idade!). Enfim, as duas armam um plano para incorporar a Z no grupo, mas tudo acaba indo para o buraco quando a Gossipinha entra no fight e causa um draminha, fazendo parecer que a nova irmã ficou com o namorado da outra e humilhou-a.
Julien então começa a perder seguidores depois de, supostamente, ser corna (mais uma situação sem sentido, vou até parar de marcar tudo de errado com essa série) e arma um plano para sua irmãzinha parecer humilhada e ela retomar o poder em um desfile cujo objetivo nunca é explicado. Por que ela é a protagonista do desfile? Quem desenhou aquelas roupas? Ela é modelo? O que a marca dela tem a ver com aquilo? Qual é a marca dela? Existem desfiles aleatórios de coleções no meio de Nova York em pleno junho?
O plano era só tirar a Zoya da lista de convidados da festa, mas as coisas acabam fugindo de proporção e, ao ver que está perdendo seguidores, a Blair 2.0. autoriza suas minions a destruir a garota. A Z fica p da vida, com razão, e a J não se desculpa, apenas diz que não era pra ter acontecido daquele jeito, mas que a outra está sendo dramática. Temos o rompimento do relacionamento que deveria ser o novo Blerena, porém, cujos roteiristas falharam miseravelmente em torná-las importantes para a audiência.
Temos algumas frases de efeito lindas, a caçula diz que não está jogando o jogo da primogênita, volta pra casa, se encrenca e etc. O namorado da J fica chateado com o fato da Blair 2020 (que tá parecendo mais Georgina) não ter contado da irmã pra ele e ter deixado a pegadinha que humilhou a adolescente acontecer. Eles terminam e, no outro dia, ele já tá de papinho pra cima da Zoya. Será que ela seria a Serena dessa história?
Bom, eu só sei que nada disso fez sentido e o tempo todo eu só queria gritar de ódio. Nenhum dos personagens me cativou e, sinceramente, eu acho bom eles melhorarem isso, se não a série vai rodar logo, logo. Não dá para torcer pros alunos, que são mostrados como antagonistas, apesar de serem aprofundados como mocinhos, nem para os professores, que decidwm aterrorizar adolescentes de 16 anos. Eu tenho quase certeza que isso daria cadeia…

Antes de terminar, eu queria comentar também a linha temporal que não faz sentido nenhum. O namorado da Julien, Otto, conta pra irmã dela que antes de se tornar uma influencer, ela era outra pessoa no começo do namoro deles. A Zoya, por sua vez, conta que quando conheceu a irmã, dois anos antes, ela parecia bem mais simpática e diferente do que é hoje. Ok, é estabelecido que eles têm 16 anos no momento atual, o que significa que, se a quarentena aconteceu enquanto eles tinham 15 e, na suposta linha da série, não mudaram suas relações interpessoais durante esse tempo, os dois teriam que começar a namorar com 14 anos. Em que caracas de mundo esse povo vive que dá pra mudar tanto em dois anos?
Não me entenda mal, eu tenho apenas 19 anos e plena consciência do quanto nós estamos em constante mudança na adolescência, eu mesma não sou a pessoa que era ano passado. Mas, mesmo assim, eles falam de uma maneira que faz parecer que a Julien é famosa desde antes da pandemia, já que ela ia a eventos antes de tudo, ou seja, a mudança ocorreu perto dos 14 anos. Isso não faz sentido nenhum. Mas nada faz muito sentido nessa série, se pensarmos bem.
A Audrey praticamente mora com o namorado, o Otto já teve tempo de ser um babaca riquinho e depois se tornar ativista, a irmã da Julien tem apenas 14 anos e conseguiu convencer o pai, que não é rico, a largar tudo e se mudar para outra cidade com ela. Francamente, Brito, será que os ricos são tão diferentes assim? Olha que eu nem tô falando do fato deles estarem enchendo a cara de bebida e drogas no meio de semana, já que isso é, surpreendentemente, o de menos nesse circo.
Pelo menos na série original nós tínhamos vislumbres dos pais ausentes e/ou irresponsáveis dos alunos, o que até justificava a bagunça toda deles. Aqui, eles parecem ter pais normais, ou é o que a série dá a entender, mas, mesmo assim, ninguém está nem aí para o fato dos filhos aparecerem em casa bêbados 2 da manhã. E eu nem vou falar da estúpida rivalidade entre Julien e Zoya, já que a queda das duas de melhores amigas a rivais foi, francamente, o arco mais bem construído desse episódio.
Eu gostava da Blair e da Serena, mesmo elas tendo seus problemas, no fundo elas pareciam genuinamente se acharem pessoas boas, de sua própria maneira. Julien, contudo, para mim, só se parece com uma pessoa que vive pelo Instagram e tem um namorado apenas para o feed, duas minions e uma amiga que está casada aos 16, afirmação que eu peguei emprestada do Max (outro personagem da série), já que parece isso mesmo. Os professores inventaram de contar os podres dos alunos com a desculpa de estarem edificando eles e um deles tira fotos dos alunos se trocando, o que eu tenho quase certeza que é um crime, mesmo que eles estejam em frente a uma janela. Quem caracos de asas voadoras se troca em frente à janela?

Pelo bem da minha saúde mental, eu vou deixar essa resenha por aqui com a recomendação de que você evite passar por essa tortura, principalmente se você sofreu bullying na escola. Contudo, se vocês quiserem, eu faço o sacrifício de resenhar o segundo episódio depois pra vocês. Até lá, me contem o que vocês acharam desse desastre, se vocês foram corajosos o suficiente para vê-lo. XOXO, não sou a Gossip Girl.


Relacionados

Séries & TV

Tokyo Vice, série da HBO Max com Ansel Elgort, adiciona Hideaki Oto e outros nomes ao elenco

A produção ainda segue sem uma data de estreia definida para o streaming

Séries & TV

Titãs | Savannah Welch exibe rotina intensa de treinamento para viver Barbara Gordon; veja

A atriz exibiu o making of oficial de uma das cenas de lutas interpretadas por sua personagem e rival de Gordon

Séries & TV

Krysten Ritter entrou para o elenco de Love and Death, série original do HBO Max

Ritter interpretará Sherry Clecker na história pavorosa baseada em fatos reais

Celebridade

Ariana Grande se animou quando descobriu sua música em Gossip Girl

A cantora ficou extremamente animada quando sua música apareceu no novo reboot da HBO Max.

Séries & TV

Segunda temporada de Euphoria estrará apenas em 2022, afirma diretor de conteúdos do HBO Max

Atualmente o programa se encontra em trabalhos com suas produções e ainda permanece sem data de retorno oficial

Séries & TV

Generation é cancelada após sua primeira temporada no streaming do HBO Max

Em um comunicado oficial, o streaming se mostrou grato com o primeiro ano do programa, mas optou por não avançar com suas produções