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O fenômeno ‘Aves de Rapina’: aclamado pela crítica, fracasso na bilheteria – entenda o porquê!

Uma sequência de erros estratégicos deu uma rasteira na Arlequina e sua emancipação.

  Paulo C. Góis    quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Aves de Rapina‘ é um bom filme.

Tanto a crítica especializada quanto a maioria do público que foi assistir ao filme concordam: ele entrega tudo que se propõe, com cenas de ação alucinantes, humor ácido e personagens carismáticas. Mas a bilheteria vai de mal a pior.

O problema é básico e simples: esse público é muito pequeno, e o motivo disso é em grande parte um erro estratégico da própria produção do longa e da Warner Bros. 

Primeiro de tudo, a DC Comics apostou que um filme cuja única personagem conhecida era a Arlequina (Margot Robbie) chamaria a atenção do público comum, um erro de visão que custou muito caro – ainda mais considerando-se o marketing fraco do longa.

Uma aparição de uma heroína de peso como a Mulher-Maravilha (Gal Gadot), por exemplo, daria um up em ‘Aves de Rapina‘ e seria um plot twist bastante empolgante, mas isso não aconteceu. Não havia grandes personagens para segurar uma audiência mainstream.

Em segundo lugar, a Arlequina é uma personagem muito amada especialmente pelo público jovem – público este que foi alienado das sessões devido à classificação R do longa. Classificação que é, sinceramente, desnecessária. Tirando alguns palavrões e figurantes com membros quebrados, o filme é bastante sessão da tarde.

Todo mundo está cansado de saber que filmes adultos, salvo raras exceções como ‘Coringa‘ e ‘Deadpool‘, não vão muito bem na bilheteria.

E temos o terceiro problema: o coronavírus, que forçou vários países asiáticos a fecharem seus cinemas e está afetando diretamente o mercado cinematográfico. Com isso temos o fenômeno ‘Aves de Rapina‘: um filme muito bom que, infelizmente, não teve espaço para brilhar.

Talvez devêssemos citar também o fato de que houve uma campanha massiva contra o filme por ser percebido como “feminista demais” – algo que, sinceramente, é uma alucinação coletiva.

Mas fica a dica: o longa de Cathy Yan merece ser assistido e não chega nem perto de ser tão ruim quanto outros fracassos do ano como ‘X-Men: Fênix Negra‘ e o reboot de ‘Hellboy‘.

 


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.

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