Filmes

Joaquin Phoenix leva ativismo ao Oscar 2020 em discurso emocionante

O ator ganhou o prêmio de Melhor Ator por sua performance em ‘Coringa’.

  Paulo C. Góis    terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Joaquin Phoenix recebeu o prêmio de Melhor Ator por sua performance em ‘Coringa‘ no Oscar do último domingo (09).

O ator aceitou sua estatueta com um discurso longo e apaixonado que abordou o racismo, os direitos dos animais e sua própria capacidade de crescer e mudar.

“Não me sinto superior a nenhum dos meus colegas indicados ou de qualquer pessoa nesta sala, porque compartilhamos o mesmo amor, o amor pelo cinema e essa forma de expressão que me proporcionou o mais extraordinário, não sei o que seria sem ele”, disse Phoenix. “Mas acho que o maior presente que ele me deu, e a muitos de nós nesta sala, foi a oportunidade de usar nossa voz para os que não têm voz”.

Em uma expansão de seu discurso nos BAFTAs sobre representação na indústria cinematográfica, Phoenix fez referência a um conjunto de causas progressistas.

“Se estamos falando de desigualdade de gênero, racismo, direitos LGBTs, direitos indígenas ou de animais, estamos falando de luta contra a crença de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie têm o direito de dominar, controlar e usar e explorar outros com impunidade”, afirmou. “Acho que ficamos muito desconectados do mundo natural e, para muitos de nós, somos culpados de uma visão egocêntrica do mundo, da crença de que somos o centro do universo.”

O ator, que influenciou vários eventos da temporada de prêmios a adotar menus veganos ou principalmente veganos, continuou:

“Entramos no mundo natural e o saqueamos por seus recursos. Sentimos o direito de inseminar artificialmente uma vaca e, quando ela dá à luz, roubamos seu bebê. Mesmo que seus gritos de angústia sejam inconfundíveis. Depois pegamos o leite dela, destinado ao bezerro, e colocamos no café e no cereal. Acho que tememos a ideia de mudança pessoal, porque achamos que temos que sacrificar algo, desistir de algo. Mas os seres humanos, no nosso melhor, são tão inventivos, criativos e engenhosos, que, quando usamos o amor e a compaixão como princípios orientadores, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres sensíveis e para o meio ambiente.”

“Eu tenho sido um canalha na minha vida. Sou egoísta, sou cruel às vezes, difícil de trabalhar”, disse. “Sou grato por muitos de vocês nesta sala terem me dado uma segunda chance. E acho que é quando estamos no nosso melhor, quando nos apoiamos, não quando nos anulamos por erros passados, mas quando nos ajudamos a crescer, quando nos educamos, quando nos orientamos para redenção. Esse é o melhor da humanidade.”


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.

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