Críticas

Crítica | ‘O Irlandês’ é mais um acerto em cheio de Martin Scorsese

O Irlandês já está disponível na Netflix.

  Pedro Borges    segunda-feira, 02 de dezembro de 2019

Estrelado por Robert De Niro, Al Pacino e, tirando de sua aposentadoria, Joe Pesci, O Irlandês honra em 3 horas e meia de filme a grandiosidade dos atores, dando espaço de cada um deles brilhar em cena.

O Irlandês é um dos filmes originais da Netflix que demorou mais de 10 anos para sair do papel e é uma das principais apostas da empresa para o Oscar de 2020. O filme é baseado em uma história real e também no livro I Heard You Paint Houses, do escritor e investigador Charles Brandt, no qual ganha uma homenagem logo na abertura do longa.

A trama gira em torno do personagem Frank Sheeran (Robert De Niro) porém, os destaques do filme são de fato Russ Bufalino (Joe Pesci) e Jimmy Hoffa (Al Pacino).

Russ Buffalino é o personagem que faz a trama se desenvolver, mesmo sendo o chefe da máfia, ele é sempre calmo e calculista. Ele decide os rumos que o personagem de De Niro irá tomar, suas ações e ao mesmo tempo calculando as suas possíveis consequências.

A história é mais centralizada no misterioso caso do desaparecimento de Jimmy Hoffa. O jeito de atuar de Pacino continua surpreendendo, mostrando que mesmo com todos esses longos anos trabalhando juntamente a Scorsese, sempre há espaço para renovar e melhorar.

Martin Scorsese, um dos diretores mais renomados e vencedores da história de cinema, tendo mais de 30 filmes em seu currículo, aguardou mais de 10 anos para conseguir fazer esse filme e que valeu e muito a pena essa demora. Quando falado em Scorsese, a primeira coisa que nos vem a cabeça é máfia, filme de mafiosos – resultado da sua obra-prima Bons Companheiros de 1990 que revolucionou a maneira no qual esse tipo de história e transparecida em tela.

O diretor retirou Joe Pesci de sua aposentadoria, uniu os veterenos Robert De Niro e Al Pacino e entregou um dos melhores filmes de sua vitoriosa e gloriosa carreira. Quando um personagem de menor importância – nesse filme um personagem de menor importância significa que ele terá uma grande, porém não como os protagonistas – é apresentado, logo de cara é mostrado como ele morreu, juntamente a sua data e, mesmo quando isso ocorre, nos surpreende pela maneira na qual é abordada.

O filme conta com uma das tecnologias que estão cada vez mais presentes nos blockbusters de Hollywood: A do rejuvenescimento facial. Praticamente todos os personagens tem ao menos uma cena na qual essa tecnologia é utilizada, resultando num orçamento alto para um filme original Netflix – O Irlandês custou cerca de US$ 160 milhões para ser feito.

Robert De Niro está na maior parte do filme mais jovem, principalmente na parte inicial do filme. Joe Pesci segue esse mesmo caminho de De Niro, tendo também um uso de maquiagem para envelhecer ainda mais o ator – algo que ultimamente não tem sido necessário. O único mesmo que não aparenta ter usado muito essa tecnologia é Al Pacino, fica difícil de distinguir quando ela está em uso ou não.

Martin Scorsese conseguiu reunir novamente Robert De Niro, Al Pacino e tirar Joe Pesci de sua aposentadoria, inovando em tecnologia e lançando seu primeiro filme em uma plataforma de streaming, entregando um de seus trabalhores mais grandiosos de sua vitoriosa carreira.

O Irlandês retrata a ascensão de um sindicato até o seu desfecho final, de uma história contada a partir da visão de seu protagonista, mostrando um forte drama. Poderia ser um pouco mais curto? Poderia, mas acho que não, cada segundo dessa história é justificada e é difícil de achar uma cena que consideraríamos “desnecessária”.


Pedro Borges

Pedro Borges

Pedro Borges, viciado em filmes, nerd desde criança e escrever sobre esses assuntos é o que eu mais gosto de fazer.

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