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ANCINE remove cartazes de filmes nacionais e ex-diretora afirma: “Cheiro de censura”

Especialistas temem que as obras tenham sido retiradas por contrariar a ideologia do governo.

  Paulo C. Góis    quarta-feira, 04 de dezembro de 2019

Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que filmes “contra os valores da família” passariam por um filtro, mais uma ação da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) gerou preocupação.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a sede da agência retirou de exibição todos os cartazes de filmes clássicos nacionais que decoravam as paredes do prédio, um acervo que era considerado impressionante e foi colocado em um depósito.

A sede também contava com uma televisão no saguão que exibia o trailer de produções nacionais continuamente – mas agora o aparelho fica desligado. O motivo, segundo o diretor de comunicação Érico Cazarré, é a “isonomia”.

“Havia muitos pedidos de divulgação, de festivais a eventos e palestras. Se eu fosse botar um filme, teria que ter todos. Depois, informações de distribuidores e produtores, e por aí vai. Por isonomia, optamos por não divulgar mais nada.”

Entretanto, a explicação não colou muito bem com os funcionários da agência. Fica a impressão de que o governo não quer divulgar produções que contrariem a política ideológica do governo, preferindo um apagão total das obras de arte.

O site oficial da instituição também retirou uma aba em que anunciava, com orgulho, as obras brasileiras. A própria ex-diretora da ANCINE, Vera Zaverucha, escreveu ao órgão exigindo explicações e foi categórica:

“Isso tem cheiro de censura. Ficou vazio e pouco atrativo.”

Cabe lembrar que Christian Castro Oliveira, diretor-presidente da ANCINE indicado pelo presidente, foi afastado do cargo pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária. O Ministério Público Federal acusa Oliveira de utilizar laranjas na sua empresa do ramo audiovisual e esconder ser proprietário dela.

 

 


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.

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