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ANCINE censura exibição de filme brasileiro que concorre ao Oscar

‘A Vida Invisível’, com Fernanda Montenegro, teve sua exibição cancelada pelo órgão.

  Paulo C. Góis    terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Mais um caso de censura envolvendo a ANCINE (Agência Nacional de Cinema).

A agência cancelou a exibição de ‘A Vida Invisível‘, filme brasileiro que foi inscrito no Oscar 2020 para representar o país e também é um dos indicados ao Independent Spirit Awards de Melhor Filme Internacional.

Funcionários da agência fazem exibições mensais de filmes para capacitação dos profissionais – eventos que contam muitas vezes com os produtores das obras, inclusive. Dessa vez, entretanto, a sessão foi censurada.

De acordo com a Veja, a exibição ocorreria na próxima quinta-feira (12), mas a Secretaria de Gestão Interna, sob o comando de Cesar Brasil Gomes Dias, repassou aos funcionários que ela seria cancelada devido ao fato de que o projetor estaria quebrado. Entretanto, o técnico responsável pela manutenção dos aparelhos do órgão relatou que o projetor estava em perfeito estado ao ser procurado pelos servidores.

A Vida Invisível‘, de Karim Aïnouz, conta a história de duas irmãs nos anos 1950 lutando para superar o conservadorismo e alcançar seus sonhos. O elenco conta com Carol Duarte, Julia Stockler, Gregorio Duvivier, Bárbara Santos, Flavia Gusmão e Fernanda Montenegro.

Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que filmes “contra os valores da família” passariam por um filtro, mais uma ação da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) gerou preocupação.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a sede da agência retirou de exibição todos os cartazes de filmes clássicos nacionais que decoravam as paredes do prédio, um acervo que era considerado impressionante e foi colocado em um depósito.

A sede também contava com uma televisão no saguão que exibia o trailer de produções nacionais continuamente – mas agora o aparelho fica desligado. O motivo, segundo o diretor de comunicação Érico Cazarré, é a “isonomia”.

“Havia muitos pedidos de divulgação, de festivais a eventos e palestras. Se eu fosse botar um filme, teria que ter todos. Depois, informações de distribuidores e produtores, e por aí vai. Por isonomia, optamos por não divulgar mais nada.”

Entretanto, a explicação não colou muito bem com os funcionários da agência. Fica a impressão de que o governo não quer divulgar produções que contrariem a política ideológica do governo, preferindo um apagão total das obras de arte.

O site oficial da instituição também retirou uma aba em que anunciava, com orgulho, as obras brasileiras. A própria ex-diretora da ANCINE, Vera Zaverucha, escreveu ao órgão exigindo explicações e foi categórica:

“Isso tem cheiro de censura. Ficou vazio e pouco atrativo.”

Cabe lembrar que Christian Castro Oliveira, diretor-presidente da ANCINE indicado pelo presidente, foi afastado do cargo pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária. O Ministério Público Federal acusa Oliveira de utilizar laranjas na sua empresa do ramo audiovisual e esconder ser proprietário dela.


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.

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