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Hulk teria filmes sombrios no estilo ‘O Cavaleiro das Trevas’, mas Marvel desistiu – entenda!

Edward Norton, que estrelou ‘O Incrível Hulk’ (2008), revelou toda a história por trás do projeto.

  Paulo C. Góis    terça-feira, 08 de outubro de 2019

O Incrível Hulk, de 2008, foi um projeto abandonado.

Quem revelou a informação foi Edward Norton, que interpretou o cientista Bruce Banner na superprodução. De acordo com ele, a intenção inicial era criar uma franquia sombria e realista no estilo ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas‘.

Em entrevista ao The New York Times, Norton disse gostar de filmes que criam um laço emocional entre o público e o personagem, e lamentou que agora “um nível comercial de tamanho heroísmo é definido por esperar por pessoas vindo nos salvar”. Esse comentário fez o jornalista questionar se Norton havia saído brigado da Marvel Studios, no que ele respondeu:

“Bem, não. Eu amava os quadrinhos do Hulk. Eu os via como algo mítico. O que Chris Nolan estava fazendo com Batman era um caminho com o qual eu me identificava: longo, sombrio e sério. Se havia algo que eu acreditava ter isso, era o Hulk. É literalmente o mito de Prometeu. Eu sugeri um negócio de dois filmes: a origem e então a ideia do Hulk como um sonhador consciente, o cara que aguenta a jornada. E eles disseram ‘é isso que queremos!’. Pelo jeito, não era o que eles queriam. Mas eu me diverti fazendo isso. Eu me dei bem com Kevin Feige.”

A ideia foi abandonada assim que o Universo Cinematográfico da Marvel começou, com Mark Ruffalo assumindo o papel de Hulk sob a declaração do presidente da Marvel, Kevin Feige, de que “precisava de um ator que assume a criatividade e espírito coletivo do nosso talentoso elenco”. Norton disse que a atitude foi “baixa”:

“Sim, foi baixo. Foi defesa de marca ou algo do tipo. Por fim, decidiram não prosseguir com longo, sombrio e sério. Mas não importa. Tivemos discussões positivas sobre continuar os filmes e vimos quanto tempo levaria pra fazer isso e eu não aceitaria. Eu honestamente ia querer mais dinheiro do que eles gostariam de me pagar. Mas não é por isso que ia querer fazer outro filme do Hulk. Eu fui e fiz todas as outras coisas que queria fazer, e o que o Kevin Feige fez é, provavelmente, uma das melhores execuções de planos de negócio na indústria do entretenimento de toda a história. Como um acionista da Disney, você deveria estar aplaudindo o que eles fizeram.”

O jornalista, entretanto, disse que apesar de ser um bom plano de negócio, os filmes poderiam ter sido melhores. Norton decidiu não ir a fundo na questão:

“Eu não vou falar sobre isso. Estou dizendo que o Kevin teve uma ideia e foi memorável. Não foi no nível temático e de tom que eu gostaria de fazer. Transformar isso em uma briga ou julgamento é grotesco. Começar intrigas por clickbaits é grotesco. Eu não estou exagerando. É parte do que é problemático no nosso país. Estamos nos deixando ser poluídos por fake news criadas por outras pessoas para interesses pessoais. Seja os russos nos manipulando em argumentos intensos sobre coisas fabricadas ou jornalismo de entretenimento estúpido tentando ter clicks. Eu participei do quadro “roast” do Bruce Willis no Comedy Central, eu fiz uma piada. Eu falei sobre como tentei atingir o que Bruce atingiu e fazer um filme grande porque eu era um idiota e tentei melhorar o roteiro. Foi uma piada sobre mim, mas eles dizem ‘Edward critica a Marvel’. Não, eu estou criticando a mim mesmo. As pessoas precisam crescer.”

Recado dado.

Só nos resta lamentar por essa ideia nunca ter saído do papel.


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.

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