Críticas

Critica | ‘Rainhas dos Crime’ apresenta uma reação distópica interessante!

Rainha dos Crime estrou dia 8 de agosto.

  Carlos Ferreira    sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Rainha dos Crime estrou dia 8 de agosto e é o meu filme preferido deste mês. Você deve ter lido por aí que a crítica acabou com o filme em termos técnicos e cinematográficos, o que não é o que eu vim fazer aqui. Eu não sou cinéfilo e tampouco profissional da área de cinema, portanto, não me comprometo com anunciar as nuances, matizes outros pormenores do filme além do que realmente me interessa aqui.

Começo por pontuar sobre a época em que o filme passa (década de 1970) e as máfias em Nova York, que se resumiam basicamente em cinco famílias, que organizavam as ações criminosas de territórios distintos. A Famílias Bonanno, Colombo, Gambino, Genovese e Lucchese, operavam, dentro e fora de N.Y., nas regiões do Brooklin, Queens, Staten Island,  Long Island, Manhattan, The Bronxs, Nova Jersey, Flórida, Los Angeles, Connecticut e Westchester County.

Esses grupos criminosos são tema principal de alguns filmes já conhecidos, como O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros. Mas uma característica muito presente em todas elas é que são comandadas por homens.

É por isso que Rainhas do Crime, em sentido paralelo à história de N.Y. é uma representação da HQ The Kitchen, da DC/Vertigo e, por isso, apresenta uma reação distópica interessante: três esposas que tomam controle da máfia irlandesa Hell’s Kitchen (daí o nome da história). E para além do paralelo que eu aposto que muitos críticos fizeram a Os Bons Companheiros, a relação que eu trago aqui é um filme que ninguém esperava: As Panteras (Charlie’s Angels).

Minha associação é justamente pela ideia de que são três mulheres que ganham um determinado poder e controle e assumem o comando de algo. A diferença aqui é que o controle em Rainhas do Crime é político, econômico e territorial, apesar se dua manifestação física de violência.

Kathy Brennan (Melissa MCCarthy), uma esposa e mãe dedicada, após a prisão do marido, mostra suas habilidades de persuasão e negociação, além da influência que tem por ser conhecida pelas famílias do bairro. Essa característica torna a personagem mais íntima e dá a confiança que o filme precisa. Melissa, que eu reconheci porque estou assistindo a série Gilmore Girls, dá vida muito bem à sua personagem.

Ruby O’Carrol (Tiffany Haddish) é a personagem que vem pra contrabalancear Kathy. Depois da prisão do marido, ela se junta às outras para garantir uma vida melhor e se livrar da sogra (Margot Martindale). Tiffany é uma atriz incrível, mas eu volto no mesmo ponto que coloquei em MIB4: ela é representada como a negra insubordinada.

Nesse caso, algumas atitudes da personagens se mostram como necessárias, mas Hollywood precisa aprender que a conquista feminina sempre aconteceu com muita luta e que, no caso de uma personagem negra, as lutas tomam duas pautas diferentes. E para Ruby, mulher e negra, a insubordinação aparece das duas formas, quando, no final, ela está apenas lutando para conquistar o seu lugar e ocupar seus espaços.

Já Claire Walsh (Elisabeth Moss) é a personagem que sofre violência doméstica e quer vingança. Claire representa a luta da mulher que quer o direito à própria vida, ao próprio corpo. A atuação de Elizabeth como Claire é respeitável, como as outras duas personagens interpretadas por ela que eu conheço (Mad Men e O Conto da Aia).

O que me incomoda na atuação de Elizabeth é o modo sereno que é dela e perpassa cada uma de suas personagens. Mesmo em cenas agitadas, onde há violência, ela me parece como a Bela Adormecida, pronta pra dormir a qualquer momento.

Apesar disso, são três excelentes atrizes que fazem muito bem seus papéis no filme. O filme, que tem um ritmo muito bom em sua primeira parte, dá uma decaída na segunda, mas que, mesmo morno, resolve os problemas apresentados e fecha a história de cada uma das três personagens.


Carlos Ferreira

Carlos Ferreira