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Critica | MIB: Homens de Preto – Internacional – Filme traz cenários interessantes, mas peca pelo erro de sempre

MIB: Homens de Preto – Internacional estreia nos cinemas nessa quinta-feira!

  Carlos Ferreira    terça-feira, 11 de junho de 2019

Se você é um grande fã da série de filmes Homens de Preto, então não é recomendado ler esse texto.

O novo filme da franquia, MIB: Homens de Preto – Internacional, chega nos cinemas nesta semana e traz um elenco meio-médio. Damos destaque para Tessa Thompson, Rebecca Ferguson e Emma Thompson que, apesar de poucas cenas como a Agente O, deixa qualquer Chris Hemsworth no chinelo.

A atuação engasgada de Hemsworth é o que dá o humor do filme, além, claro, dos alienígenas mais engenhosos presentes na terra. Seu personagem, agente H, apesar de ser principal no filme, não mostra um desenvolvimento satisfatório, como percebemos com a Agente M (Tessa Thompson), que ainda está aprendendo sobre como é ser uma agente secreta. Por outro lado, o que deixa a desejar na Agente M é ela ser tratada como secundária, fazendo com que o desenvolvimento que eu citei anteriormente fique um pouco avexado.

Além disso, filme peca por questões que sempre aparecem no cinema. Existe uma pressão pelos movimentos sociais para que os filmes apresentem diversidade étnica e cultural, o que MIB tenta mostrar desde seu primeiro filme. A propósito, em se tratando de diversidade, os alienígenas estão bem representados.

A questão é justamente a visão do humano médio branco que permeia o filme. Novamente, todos os chefes da instituição são brancos e, apesar de a Agente M estar como uma personagem do núcleo principal, assim como o Agente J (Will Smith) no primeiro filme, ela aparece sob o estereótipo de negra insubordinada que convenceu que merecia uma vaga ali. Veja bem: ela é uma cientista e, ao longo do filme, de todas as suas experiências anteriores à função de agente, nenhuma ganha destaque no clímax do filme.

Les Twins fazem os gêmeos alienígenas. (Sony Pictures/Divulgação)

Ainda falando do elenco negro no filme, a participação da dupla Les Twins também pode ser questionada. De todos os lugares possíveis que dois escravos da Colmeia poderiam aparecer para se transfigurar em seres humanos, eles escolhem Marrocos, sob a pele de homens negros. Eu sei, você vai dizer que é uma simples coincidência, ou que os “justiceiros sociais” nunca estão satisfeitos. E nem deveriam.

Apesar desses pontos que não poderiam passar batidos, também não podemos deixar de destacar a criatividade que se faz presente na criação de alienígenas. Steven Spielberg não poupou nenhum esforço em nos mostrar que ele ainda é criativo o suficiente para criar seres surpreendentes, que fazem conexão com elementos da cultura humana, como o Pawny e Nerlene, além do alien peludo que eu não me recordo o nome.

Kumail Nanjiani é o alienígena Pawny. (Sony Pictures/Divulgação)

O filme ainda apresenta alguns diálogos bem colocados e uma riqueza de detalhes – não direi que os efeitos especiais são os melhores – e, novamente, a criatividade que eu disse acima surge também na escolha das locações e nos easter eggs presentes. Não é um blockbuster e nunca prometeu isso, mas é um ótimo filme para assistir pela TV aberta, num domingo à tarde, em família.


Carlos Ferreira

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