Críticas

AMC lança série ‘NOS4A2’ e reinventa um clássico; confira o que achamos do primeiro episódio!

NOS4A2 estreia dia 2 de junho na AMC e contará com 10 episódios.

  Gaby Nunes    sexta-feira, 17 de maio de 2019

Com títulos de peso, como Fear The Walking DeadThe Son, e The Terror, a AMC deixou claro que está chegando com tudo no Brasil pra conquistar o coração do telespectador brasileiro, e sua nova série de terror, NOS4A2 (Nosferatu), certamente vai ajudar nessa missão.

A série conta a história de Vic McQueen (Ashleigh Cummings), uma adolescente de origem humilde que sonha em fazer faculdade de artes, mas tem de lidar com o dia-a-dia difícil do seu lar que vive em guerra, a falta de dinheiro que ameaça impedi-la de conquistar o que almeja e outros problemas típicos de uma adolescente. Para piorar sua situação, um dia, tentando espairecer nas matas perto de sua casa, Vic vê uma ponte… Qual o problema disso? A ponte foi demolida há 15 anos. O outro problema disso? A ponte serve quase como um portal, e passando por ela Vic pode chegar aos mais variados destinos, sempre encontrando coisas que foram perdidas por alguém.

Ela se assusta com seu poder sobrenatural recém-descoberto, mas o utiliza para fazer o que acha correto: buscar os objetos perdidos e devolvê-los aos seus respectivos donos (normalmente seus pais, que brigam por causa do que foi perdido). Vic, porém, não é a única que utiliza de portais e poderes sobrenaturais para fazer o que acha certo, e é então que conhecemos Charlie Manx.

Sinistro, medonho e fisicamente parecido com o vampiro Nosferatu, Charlie surge em meio a sombras numa noite qualquer, com seu antigo Rolls Royce Wraith cheio de presentes, e estaciona na frente de uma bela casa num bairro residencial. Dentro dela, um menino, Daniel, ouve uma canção de Natal e a segue. Quase que sem perceber, ele caminha em direção ao carro e quando finalmente acorda do efeito quase que hipnótico da música e dos presentes, já é tarde demais. Sua vida ali acabou, e ele e Manx estão indo para a Terra do Natal (Christmasland), um lugar onde só crianças entram e a infelicidade é contra lei.

Durante o caminho para lá, observamos Charlie Manx (Zachary Quinto) tratar a criança com certo carinho até, mas tudo para um fim… Conforme o garoto dorme, o vampiro de 135 anos rejuvenesce. Na sua mente perturbada, entretanto, Manx crê que está fazendo o melhor para o menino, critica o comportamento da mãe dele, como se ela fosse a pior opção para a criança, e crê que o rapto dele (e de tantos outros) foi, na verdade, um ato de bondade.

Nesses polos opostos os dois personagens seguem, vivendo em paralelo, porém, a série nos mostra que em algum momento o caminho desses dois terá de se cruzar, e suas ideias do que é certo e errado irão colidir num confronto e conflito sem igual. Em meio a problemas familiares e financeiros, com a ajuda de outra paranormals (a bibliotecária Maggie), Vic terá de enfrentar batalhas que jamais imaginou em sua vida e Manx, talvez, finalmente tenha encontrado uma adversária a altura.

Infelizmente, não vou (e nem quero) revelar muito mais do primeiro episódio dessa série – sim, esse resumo foi uma parte minúscula de apenas um episódio. Se formos pensar somente na história que envolve os dois, a narrativa já ficou interessante, mas o que eu achei um tanto ousado (de forma positiva) nessa série, é que ela busca dar complexidade à história acrescentando outros conflitos – como os problemas financeiros de Vic, além dos seus pais, que vivem brigando aos berros pela casa.

Além de abordar elementos clássicos do terror, como a criatura vampiro (apesar de ele não ser um vampiro clássico que suga sangue, mas sim a vitalidade de criancinhas), e a distorção de uma coisa que deveria trazer felicidade, o Natal, NOS4A2 dá leves pinceladas em temas reais e de peso também, como a diferença de classe, a dificuldade de uma garota pobre ter acesso a educação e o abuso numa relação amorosa. A série demonstra que não tem pretensão de dar uma grande lição de moral, mas consegue enriquecer a narrativa com esses elementos sem ser superficial, e deixar o questionamento ético e moral para nós, telespectadores.

Fora isso, dá para notar que o investimento na produção foi grande. Zachary Quinto chegou a ficar 4 horas com a equipe de maquiagem para poder encarnar seu personagem. Como mencionei, os problemas financeiros de Vic são importantes para a personagem, portanto, a história é contada pelos detalhes, pelas imagens, pelo cenário da casa de sua amiga rica, o quarto imaculado versus o cenário da própria protagonista, um quarto pequeno e bagunçado numa casinha. O cuidado com a fotografia e a edição no geral também é claro. As cores, a luz e a sombra, tudo foi muito bem pensado para criar a tensão necessária num conto de terror, e também para mostrar o que é importante para os protagonistas. O visual da série conta a história tanto quanto os diálogos em si.

Por fim, caso você tenha sentido que essa história lhe é familiar e te lembra um autor muito famoso e querido, devo dizer que você acertou! NOS4A2 é baseada num livro de mesmo nome do autor Joe Hill, que é apenas o filho do rei do terror, Stephen King. A influência dele é inegável e, devo dizer, muito bem-vinda.

Já está curioso(a)? Pois então anote no calendário: dia 2 de junho é a estreia! Não deixe de assistir e vir comentar com a gente o que achou.


Gaby Nunes

Gaby Nunes

Gaby B. Nunes trabalha como tradutora há quase 10 anos e como produtora de conteúdo e repórter há três. Fascinada por histórias de todos os tipos, música, conteúdo audiovisual e comida, ela busca equilibrar uma montanha interminável de trabalho com suas maiores paixões (o que significa que ela acaba comendo muitos doces na frente do computador).

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