Polêmicas

Tecnologia de games da Microsoft vira instrumento de guerra do exército e funcionários protestam

Após acordo multimilionário, forças armadas dos EUA utilizam tecnologia para a guerra.

  Paulo C. Góis    terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A Microsoft assinou um acordo multimilionário com as forças armadas dos Estados Unidos e causou revolta em seus funcionários.

A tecnologia, chamada de HoloLens, foi desenvolvida para ser utilizada para jogos e entretenimento – mas agora será colocada para uso em esforços de guerra e assassinato, o que causa preocupação.

Segundo um artigo do GamesIndustry, um grupo chamado Trabalhadores da Microsoft pelo Bem publicou uma carta aberta direcionada a Brad Smith e Satya Nadella pedindo que o contrato – de mais de um bilhão de reais – seja cancelado.

Estamos alarmados que a Microsoft esteja trabalhando para prover armas tecnológicas ao exército dos Estados Unidos, ajudando o governo de um país a ‘aumentar a letalidade’ com base nas ferramentas que criamos.

Não trabalhamos com desenvolvimento de armas e exigimos ter palavra na aplicação do nosso trabalho. A aplicação do HoloLens dentro do Sistema Integrado de Visão Aumentada seria matar pessoas. Ao ser utilizado no campo de batalha, o sistema irá transformar uma guerra real em videogame, distanciando os soldados das consequências reais da guerra e do derramamento de sangue. Intenção hostil não é uma aplicação aceitável de nossa tecnologia.

Há muitos engenheiros que contribuíram para as HoloLens antes deste contrato sequer existir e eles acreditavam que estariam contribuindo para tornar o trabalho de arquitetos e engenheiros mais fácil; seja na construção de prédios e carros, ajudando médicos a realizarem cirurgias ou ensinando alguém a tocar piano.

O grupo segue exigindo um consistente código de ética da Microsoft para a aplicação correta de suas tecnologias, que não envolva o extermínio de pessoas.


Paulo C. Góis

Paulo C. Góis

Paulo Cesar Góis, tradutor e redator. Foi introduzido por Harry Potter no mundo nerd. Desde então devorou de Duna a Sandman, e usa a fantasia e a ficção científica para tornar o universo um pouco mais mágico.