Críticas

Crítica | Green Book mescla drama e leveza em história inspiradora

Green Book sabe disso e apresenta uma história de aquecer qualquer coração sem precisar recorrer a histrionismos.

  Bruno Aires    terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A despeito de qualquer polêmica da vida real – denúncias de racismo contra o filho do personagem que inspira o filme e de assédio contra o diretor – Green Book: O Guia sai ileso e se lança como um dos fortes candidatos à principal categoria do Oscar 2019.

O filme é baseado em uma história real e apresenta a impensada história de amizade entre o italiano racista Tony Lip e o pianista negro e gay Don Shirley. Tony precisa de um emprego temporário e Shirley de um motorista hábil para conduzi-lo pelo Sul dos EUA dos anos 60 em uma turnê vultosa. Os dois se aproximam em meio a uma jornada de desconstrução, onde vícios e virtudes se mesclam e complementam.

Apesar de retratar a crua e violenta realidade do racismo, o filme compõe com leveza a linha que, simultaneamente, separa e une os dois protagonistas. Não é uma história de vilões, mas de pessoas reais. De aceitação dos erros para atingir a redenção, em vez de ignorá-los. E é nesse celeiro de defeitos reais que Viggo Mortensen, o eterno Aragorn, se sobressai. Faz ótima dobradinha com o igualmente talentoso Mahershala Ali, mas ganha ao explorar o humanismo bronco e o carisma de seu personagem, em especial em seus defeitos mais condenáveis.  

Em uma mistura valiosa, Green Book sabe usar o humor para quebrar as sequências dramáticas e gerar identificação do público. Não desmerece situações inaceitáveis como o racismo e a homofobia, mas desqualifica a autoria de tais injúrias as encarando de frente. Ao passo que lembra o espectador sobre o período em que se passa o longa, para contextualizá-lo, não dá grande mérito às críticas. As apresenta, somente.

Afinal, a vida não vem com manual ou replay. Green Book sabe disso e apresenta uma história de aquecer qualquer coração sem precisar recorrer a histrionismos. Retrata a vida, dura e leve. Como ela é.   


Bruno Aires

Bruno Aires

Jornalista carioca que não gosta de futebol e de cerveja, Bruno aprendeu a ler com a Turma da Mônica e só gosta de assistir filmes e séries na ordem cronológica.

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