Críticas

Crítica | WiFi Ralph quebra tudo, mas não supera primeiro filme

Filme é incrível, mas não consegue ultrapassar a sombra de seu antecessor.

  Bruno Aires    quarta-feira, 09 de janeiro de 2019

O ex-vilão mais querido dos arcades está de volta para detonar a internet. E ele consegue quebrar tudo, como promete, no melhor dos sentidos. Só não consegue bater a diversão, qualidade e agilidade do primeiro filme. WiFi Ralph: Quebrando a Internet traz de volta a dupla Ralph e Vanellope, que precisam desbravar o ilimitado mundo da web em busca de um novo volante para o jogo Corrida Doce.

A trama é divertida, original e rende ótimos momentos. Quem torceu o nariz para a mudança de ambiente da história, que troca o fliperama dos anos 80 pela internet dos gadgets e smartphones dos nossos dias, pode se consolar com a boa contextualização que o filme apresenta antes de avançar para a banda larga.

Referências do mundo web pipocam na tela, com redes sociais, games, sites de compras, buscadores, navegadores, deep web. E junto a elas aparecem os personagens que ajudam a contar a história, tecendo com a dupla de protagonistas o fio condutor. Mas, sem dúvida, as melhores referências são prata da casa. O universo do Mickey ganhou um show à parte no longa, que anima a plateia. Com destaque para a participação das princesas, muito bem orquestrada, que se sai um trunfo para os fãs de Disney.

A diferença de ritmo e de enredo em relação ao filme antecessor, porém, aparecem e atrapalham WiFi Ralph. Para começar, a subtrama mais importante do longa, que aborda o game liderado pela corredora Shank, tem muito espaço para pouca história. Além disso, a personagem não se mostra tão interessante sem a dublagem original da Gal “maravilha” Gadot, mais uma vez não justificando tanto tempo de tela.

Enquanto uns aparecem muito, outros fazem falta. O casal Conserta Felix Jr. e Sargento Calhoun, que aprendemos a amar no primeiro filme, participam pouco do novo longa. Para completar, o problema de ritmo é percebido na exploração do contorno dramático, que poderia ser mais condensado ou mais bem alternado com os momentos de comédia, para não entediar o público – sobretudo as crianças.

Talvez o maior inimigo de WiFi Ralph seja um precursor tão bom quanto Detona Ralph, que conseguiu conquistar, ao mesmo tempo, os fãs nostálgicos dos flipers, os nerds mais novos e a turma que acompanha a Disney. No geral, o novo filme repete o ditado: salvam-se todos entre mortos e feridos, com muitas skills merecidas. Mas fica o alerta para Ralph continuar detonando, seja online ou offline.


Bruno Aires

Bruno Aires

Jornalista carioca que não gosta de futebol e de cerveja, Bruno aprendeu a ler com a Turma da Mônica e só gosta de assistir filmes e séries na ordem cronológica.