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O Justiceiro | “Perturbador e ofensivo”, diz criador sobre uso da simbologia por policiais

O Justiceiro é um personagem com um significado bastante forte, mas parece que algumas pessoas são incapazes de entendê-lo.

Para o próprio criador da história, uma dessas categorias é a de agentes de segurança do Estado – policiais e militares – ostentando os símbolos do personagem (mais notadamente, o logotipo com o crânio) com orgulho, como se fosse algo digno de identificação.

A segunda temporada da série da Netflix, que adapta os quadrinhos, já está prestes a estrear – e por isso Gerry Conway deu uma entrevista ao SyFy Wire. No decorrer da conversa, ele acabou falando sobre esse assunto mais sério.

Eu falei sobre isso em outras entrevistas. Para mim, é perturbador sempre que vejo figuras de autoridade abraçando a iconografia do Justiceiro, porque o Justiceiro representa uma falha do sistema judiciário. Ele supostamente deveria indicar o colapso da autoridade moral social e a realidade que algumas pessoas não podem depender de instituições como a polícia ou os militares a agir de maneira justa e capaz.

Ele conclui o pensamento destrinchando o que o personagem significa, ressaltando que ele só poderia existir em uma sociedade profundamente corrupta – e com uma admissão de falência das instituições.

O anti-herói vigilante é fundamentalmente uma crítica ao sistema judiciário, um exemplo de fracasso social, então quando os policiais colocam crânios do Justiceiro em seus carros ou membros do exército ostentam o símbolo, eles estão basicamente do lado de um inimigo do sistema. Eles estão adotando uma mentalidade fora da lei. Se você acha que o Justiceiro é justificado ou não, se você admira seu código de ética, ele é um fora-da-lei. Ele é um criminoso. A polícia não deveria abraçar um criminoso como símbolo.

De certa forma, é tão ofensivo quanto colocar uma bandeira confederada em um prédio do governo. Meu ponto de vista é que o Justiceiro é um anti-herói, alguém por quem poderíamos torcer enquanto lembramos que ele também é um criminoso e fora-da-lei. Se um oficial da lei, representando o sistema judiciário colocar o símbolo de um criminoso em seu carro de polícia, ele ou ela está fazendo uma declaração muito imprudente sobre sua compreensão da lei.

Mas os americanos podem ficar tranquilos: a deturpação de obras críticas por pessoas que não entenderam não é exclusividade dos Estados Unidos. Aqui no Brasil o Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, virou herói.

O Justiceiro retorna à Netflix com sua segunda temporada em 18 de janeiro.

 

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