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Crítica | Em “Infiltrado na Klan”, Spike Lee encontra seu equilíbrio perfeito como diretor

Vencedor do Grand Prix em Cannes este ano, “Infiltrado na Klan” (BlackkKlansman), é o mais novo filme do polêmico e reconhecido cineasta americano Spike Lee. Com uma carreira recheada de grandes trabalhos, como “Faça A Coisa Certa”, “Febre da Selva”, “Malcolm X” e “A Última Noite”, tendo inclusive recebido um Oscar honorário em 2015, Spike era o nome certo para contar esta absurda história real de Ron Stallworth. O primeiro policial negro do Colorado, que ao lado de seu parceiro Flip Zimmerman, se infiltraram na organização Ku Klux Klan, em busca de descobrir, o que este grupo abertamente racista e antissemita, planejava na década de 70.

Spike Lee sempre mostrou muita versatilidade, sendo mais ‘artístico’ e ousado, em filmes como “Faça A Coisa Certa”, e mais ‘popular’ e clássico, em filmes como “O Plano Perfeito”. E mais do que nunca, em “Infiltrado na Klan”, ele encontra um balanço perfeito entre estes seus dois ‘estilos’. Ele mantém suas técnicas características que o consagraram como um diretor autoral, mas consegue por meio da narrativa e do humor, trazer elementos a este filme, que podem agradar a todo tipo de público.

No roteiro, temos Lee ao lado de mais três roteiristas, Charlie Wachtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott. Em termos de estrutura, vemos uma base clássica bem estabelecida no filme, apesar de algumas liberdades serem tomadas, que não são vistas todo dia em filmes americanos de estúdio. O longa estabelece bem seus personagens, e coloca o conflito principal logo em pauta, sem muitas delongas. O desenvolvimento em si de toda a narrativa já vai na contramão, e é feito com muita calma, sabendo misturar muito bem os gêneros trabalhados, desde o drama policial, ao drama racial, até a comédia. No último ato, toda a construção do clímax começa muito bem, porém, com alguns excessos, que são notados também em outros momentos do filme, o final acaba não tendo toda a força que se desenhava ter. Em compensação, a inserção de materiais documentais logo antes dos créditos, dá um soco no estômago do espectador e coloca o filme no alto novamente.

Na direção, vemos Spike Lee em sua mais perfeita forma, com um trabalho de câmera fenomenal, nos apresentando cenas onde realmente se pode parar e pensar: “isso é coisa merecedora de Oscar”. Além disso, o filme conta com um visual impecável composto em conjunto com a fotografia e a arte, e atuações sempre flutuando muito bem entre o naturalismo e realismo clássico.

E por falar nos atores, todo o elenco está muito bem aqui. John David Washington, filho de Denzel, surpreende e demonstra ter um futuro enorme pela frente, com uma atuação extremamente sólida, tendo um papel tão reativo em mãos. Adam Driver, como sempre, não decepciona, e entrega uma ótima performance, sabendo trazer toda a introspecção de Flip à tona, ao mesmo tempo em que não deixa de demonstrar a sagacidade do personagem, quando está trabalhando, infiltrado na KKK. Em relação aos membros da Klan, Jasper Paakkonen como Felix, tem um papel bem excêntrico em mãos, e o desempenha com habilidade, beirando sempre o limite da caricatura, mas sem ultrapassa-la. E por fim, têm o ‘grande-mago’ da organização na época, David Duke, que é interpretado por Topher Grace com muita segurança.

Além disso, são vistas várias participações especiais muito interessantes, que com certeza, surpreenderão o público.

Em suma, “Infiltrado na Klan” é uma obra inteligente, que conta com um roteiro, uma direção e atuações em alto nível para brilhar, e pintar como um possível indicado ao Oscar de 2019. E apesar de algumas ‘sobras’, que poderiam deixar o filme mais enxuto e preciso, este é com certeza, um dos melhores filmes do ano, até agora.

NOTA: ⭐️⭐️⭐️⭐️

Resumo

Afiado em todos os aspectos, “Infiltrado na Klan” é um filme satírico, inteligente e extremamente relevante nos dias atuais.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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