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Crítica | “Buscando…” é uma obra surpreendente em todos os aspectos

Opção pela estética de meios digitais se torna um dos grandes trunfos do filme

Filmes que se passam inteiramente ou majoritariamente em telas de computador, não são necessariamente uma novidade, com diversos curtas feitos desta maneira, e a franquia de “Amizade Desfeita” no mercado. Porém, a verdade é que nenhuma destas obras parecem usar a estética escolhida de uma forma completa. Na verdade, parecem se limitar narrativamente pela escolha. O que é completamente normal, já que é uma forma de cinema ainda recente.

Aqui, ao invés de uma estória de terror, temos um thriller investigativo, onde acompanhamos o pai David Kim (John Cho), tentando descobrir onde sua filha Margot (Michelle La) está, após ter desaparecido no meio de uma noite, de forma suspeita.

E em “Buscando…”, o diretor Aneesh Chaganty, parece ter obtido a compreensão perfeita de como realizar um filme neste estilo. Ele estabelece desde o início que o filme contará com uma trilha, que é uma obra de ficção, e que irá direcionar nosso olhar dentro das telas de computador e aparelhos digitais. Assim, nós sabemos perfeitamente como o filme funciona deste o começo, e esta forma de contar uma história se torna extremamente engajante.

O diretor, que aqui faz suas estreia em longas-metragens, demonstra maestria em como nos passar informações de forma precisa e econômica. Algo que pode se notar deste a abertura de “Buscando”, onde vemos uma montagem pela tela do computador, de toda a vida da família que seguiremos, por fotos e vídeos feitos por eles durante todos os anos em que os pais estão juntos.

Além disso, Chaganty co-escreveu o roteiro do filme com Sev Ohanian. E com certeza absoluta, estes dois começarão a ser bem requisitados em Hollywood. O roteiro segue uma estrutura clássica, e faz tudo de forma perfeita. Estabelece a relação dos personagens principais rapidamente, nos faz se importar com eles, e desenvolve todo o mistério de forma precisa, nos dando informações pouco a pouco, e nos direcionando para diversos lados, mantendo nossa curiosidade constantemente. E é impressionante como a estética digital do longa casa por completo com o roteiro, pois o pai só tem o computador para investigar, o que faz com que a gente não perca nada do que ele está aprendendo sobre o caso, e nos coloque na sua pele.

O final, conta com uma reviravolta (plot twist), digna de todo grande thriller clássico. É bem construída durante toda a extensão da obra, e consegue satisfazer o espectador que se manteve atento o tempo todo.

Vale ressaltar ainda, as atuações do longa, que estão em altíssimo nível. E sem exceção alguma, desde Debra Messing, como a detetive Vick, à Joseph Lee, como Peter, irmão de David Kim, até o protagonista John Cho, que mais uma vez na carreira se mostra um grande ator dramático, e estando na tela durante a maior parte do filme, segura o espectador sem a menor dificuldade. Com certeza é um ator a ser mais valorizado no mercado norte-americano.

“Buscando…” é um surpreendente projeto em todos os aspectos, que com certeza conquistará todos aqueles que assistirem. E se tivesse que dizer algum problema do filme, apenas citaria um problema de ritmo na transição do segundo para o terceiro ato, onde acaba respirando por tempo demais, antes de voltar a história principal. Não é nada que chegue minimamente à estragar a experiência, porém, thrillers vivem por uma “regra” de ouro, a de nunca deixar seu espectador sair da narrativa.

 

  • Nota
4.5

Resumo

“Buscando…” apresenta um roteiro excelente, uma direção inteligente e atuações fortíssimas, para levar os filmes que se passam em meios digitais para um outro nível.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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