Críticas

Crítica | “Buscando…” é uma obra surpreendente em todos os aspectos

Buscando… já está nos cinemas de todo o Brasil.

  Luis Borgia    sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Filmes que se passam inteiramente ou majoritariamente em telas de computador, não são necessariamente uma novidade, com diversos curtas feitos desta maneira, e a franquia de “Amizade Desfeita” no mercado. Porém, a verdade é que nenhuma destas obras parecem usar a estética escolhida de uma forma completa. Na verdade, parecem se limitar narrativamente pela escolha. O que é completamente normal, já que é uma forma de cinema ainda recente.

Aqui, ao invés de uma estória de terror, temos um thriller investigativo, onde acompanhamos o pai David Kim (John Cho), tentando descobrir onde sua filha Margot (Michelle La) está, após ter desaparecido no meio de uma noite, de forma suspeita.

E em “Buscando…”, o diretor Aneesh Chaganty, parece ter obtido a compreensão perfeita de como realizar um filme neste estilo. Ele estabelece desde o início que o filme contará com uma trilha, que é uma obra de ficção, e que irá direcionar nosso olhar dentro das telas de computador e aparelhos digitais. Assim, nós sabemos perfeitamente como o filme funciona deste o começo, e esta forma de contar uma história se torna extremamente engajante.

O diretor, que aqui faz suas estreia em longas-metragens, demonstra maestria em como nos passar informações de forma precisa e econômica. Algo que pode se notar deste a abertura de “Buscando”, onde vemos uma montagem pela tela do computador, de toda a vida da família que seguiremos, por fotos e vídeos feitos por eles durante todos os anos em que os pais estão juntos.

Além disso, Chaganty co-escreveu o roteiro do filme com Sev Ohanian. E com certeza absoluta, estes dois começarão a ser bem requisitados em Hollywood. O roteiro segue uma estrutura clássica, e faz tudo de forma perfeita. Estabelece a relação dos personagens principais rapidamente, nos faz se importar com eles, e desenvolve todo o mistério de forma precisa, nos dando informações pouco a pouco, e nos direcionando para diversos lados, mantendo nossa curiosidade constantemente. E é impressionante como a estética digital do longa casa por completo com o roteiro, pois o pai só tem o computador para investigar, o que faz com que a gente não perca nada do que ele está aprendendo sobre o caso, e nos coloque na sua pele.

O final, conta com uma reviravolta (plot twist), digna de todo grande thriller clássico. É bem construída durante toda a extensão da obra, e consegue satisfazer o espectador que se manteve atento o tempo todo.

Vale ressaltar ainda, as atuações do longa, que estão em altíssimo nível. E sem exceção alguma, desde Debra Messing, como a detetive Vick, à Joseph Lee, como Peter, irmão de David Kim, até o protagonista John Cho, que mais uma vez na carreira se mostra um grande ator dramático, e estando na tela durante a maior parte do filme, segura o espectador sem a menor dificuldade. Com certeza é um ator a ser mais valorizado no mercado norte-americano.

“Buscando…” é um surpreendente projeto em todos os aspectos, que com certeza conquistará todos aqueles que assistirem. E se tivesse que dizer algum problema do filme, apenas citaria um problema de ritmo na transição do segundo para o terceiro ato, onde acaba respirando por tempo demais, antes de voltar a história principal. Não é nada que chegue minimamente à estragar a experiência, porém, thrillers vivem por uma “regra” de ouro, a de nunca deixar seu espectador sair da narrativa.

 


Luis Borgia

Luis Borgia

Colaborador, cineasta formado. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.