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Crítica | Ilha de Cachorros consegue ser engraçado, íntimo e extremamente relevante politicamente

Um dos momentos mais esperados de 2018 para cinéfilos chegou. Neste dia 19 de julho, estreia nos cinemas brasileiros o novo longa de um dos cineastas mais queridos da atualidade, Wes Anderson. E pela segunda vez em sua carreira, é uma animação em stop-motion, intitulada “Ilha de Cachorros& #8221;. Filme que conta a história de um grupo de cachorros, liderados pelo rabugento Chief (Bryan Cranston), que foram exilados da cidade de Megasaki para uma ilha de lixo após uma “gripe canina” afetá-los. Um dia, um jovem garoto chamado Atari cai de avião na ilha em busca de seu cachorro exilado, Spots (Liev Schreiber). Assim o grupo de cachorros parte em uma missão de ajudar o garoto, mesmo com a falta de apoio de Chief. Mas mal sabem eles, que tal missão se tornará muito maior, e eles terão que derrubar o corrupto prefeito Kobayashi para conseguir prosperar, e retomar suas antigas vidas como animais de estimação.

Wes Anderson já é muito conhecido pelas peculiares características de suas histórias e por seu estilo visual único. Aqui vemos seus personagens excêntricos e melancolicamente cômicos, seus personagens crianças sendo mais maduros e inteligentes que os adultos, seu protagonista em busca de um propósito real na vida, além dos já conhecidas planos simétricos (favorecidos aqui por ser uma animação), e suas paletas de cores muito bem definidas e orquestradas.

Em termos de direção não há o que se dizer de Anderson em “Ilha de Cachorros”, ele compõe todos seus planos com uma precisão impressionante, gerando sempre sua linguagem de “plano tableaux” atrás de “plano tableaux” . Não lhe renderá uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor novamente pelo fato de ser um filme animado, mas ele continua a se consolidar como um dos diretores mais notórios de seu tempo.

Já em termos de roteiro, ele teve a ajuda na criação do argumento (história), de seus frequentes colaboradores, Jason Schwartzman e Roman Coppola, além de Kunichi Nomura. Porém o roteiro, Wes escreveu sozinho, como já havia feito antes em “O Grande Hotel Budapeste& #8221;. Vemos a comédia peculiar e verborrágica de sempre funcionando, o senso de movimento da narrativa sempre em dia, a dimensionalidade de seu protagonista sempre muito bem trabalhada, e todos os elementos principais se encaixando perfeitamente a medida que a história progride. Os únicos problemas que podem ser citados, estão em dois dos personagens do grupo de cachorros, Boss (Bill Murray) e King (Bob Balaban), que diferentemente dos outros cachorros como Rex (Edward Norton) e Duke (Jeff Goldblum), não ganham características marcantes que nos façam lembrar de seus personagens. Algo que é fundamental, pois tirando Chief, todos estes outros cachorros vão perdendo espaço na narrativa a medida que ela vai evoluindo. E além disso, a conclusão do longa, o clímax deixa a desejar, não é ruim ou um absurdo de decepcionante, mas precisava de mais força e um “algo a mais”.

Quanto ao ritmo do filme, notamos uma certa lentidão, o filme não apresenta pressa em sua decorrência, sendo semelhante neste aspecto a outro projeto de Wes Anderson, “A Vida Marinha com Steve Zissou”. Porém, não chega a se tornar algo negativo, pois para compensar isto, a trilha sonora triunfante de Alexandre Desplat nos conduz com muita energia durante todo o longa.

As vozes originais são fantásticas, como já se era esperado, pois conta com diversos atores de peso em seu elenco. Além de todos já citados, temos ainda Tilda Swinton, Greta Gerwig, Frances McDormand, Scarlett Johansson, Akira Ito, Harvey Keitel, F.Murray Abraham e Yoko Ono.

Chegando ao fim, todo o trabalho de animação é estupendo, indo cada vez mais para um nível mais elevado, mesmo quando comparamos com “Fantástico Sr. Raposo”, que já era incrível. E como brasileiros, podemos nos orgulhar, pois temos um representante entre os ‘Key Animators” do filme, Matias Liebrecht. E além disso, vale se ressaltar todo o Design de Produção liderado por Paul Harrod e Adam Stockhausen, que deram vida a todo este universo de “Ilha de Cachorros” com maestria.

 

  • Nota
4.5

Resumo

Ilha de Cachorros é um filme com a mesma intimidade e humor característicos de Wes Anderson, mas que consegue ser relevante em seu discurso político sobre a autoridade governamental. Sendo assim, o filme mais audacioso do diretor em termos temáticos.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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