Críticas

Crítica | Oito Mulheres e Um Segredo se utiliza da “fórmula” Soderbergh para retomar o brilho da franquia

Oito Mulheres e um Segredo já está nos cinemas!

  Luis Borgia    quinta-feira, 07 de junho de 2018

A franquia “Ocean’s” está de volta. Aquela mesma, que foi originada em 2001 com “Onze Homens e Um Segredo”, já sendo um remake de um longa de 1960 de mesmo nome. Onze anos após o último projeto da franquia, “Treze Homens e Um Novo Segredo”, ela retornou, e com novos rostos, rostos femininos. Na história, temos Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã de Danny Ocean (Geoge Clooney), que recém liberada da prisão, está em busca de executar um plano que passou 5 anos arquitetando na cadeia. Para isso, ela junta uma equipe, de oito mulheres, para lhe ajudar a concretizar tal feito.

Um dos grandes elementos predominantes nos filmes anteriores eram os atores carismáticos, como George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon. E a grande pergunta para este longa é: Será que conseguiram substitutos a altura?

A resposta é complicada, porque os personagens de Clooney e Pitt foram fatores surpresa, junto com o primeiro filme, e dessa forma sempre serão lembrados com saudosismo. Algo inclusive, que é feito por este filme, se referenciando quando possível ao personagem Danny. Porém, Sandra Bullock faz um ótimo trabalho aqui, mostrando o carisma e charme particular de sempre para dar conta do recado. Algo que é completado pela química com sua “Brad Pitt” da vez, Cate Blanchett, interpretando Lou. Blanchett como sempre é excelente, mostrando estar se divertindo absolutamente durante todo o filme.

Para ser justo, todo o elenco está muito bem e extremamente solto, desde as que já se podia esperar isso, como Sarah Paulson, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway, até as mais duvidosas, como Rihanna, Awkwafina e Mindy Kaling. E ainda vale ressaltar a participação sensacional de James Corden, que como sempre, é hilário e rouba a cena.

Na direção, não tivemos Steven Soderbergh dessa vez, que ficou só como produtor aqui, mas sim, Gary Ross, que é mais conhecido por ter dirigido o primeiro filme da saga “Jogos Vorazes”. E mesmo que a direção seja de Ross, vemos a influência de Soderbergh, tanto no estilo de direção quanto no roteiro. Algumas escolhas de transições diferenciadas, movimentos de câmera estilosos e um ritmo empolgante, nos remetem ao primeiro filme desta franquia, e classificam o trabalho de Ross como preciso e respeitoso. Mas ainda assim, ele não tem todo o estilo de Soderbergh.

No roteiro fica ainda mais clara a influência do diretor gerador destes filmes. Com muitos beats iguais aos do primeiro filme, a estrutura como um todo se mostra a mesma de “Onze Homens e Um Segredo” e até de “Logan Lucky” (filme de 2017 de Soderbergh). Além claro, das piadas pontuais e funcionais, bom humor constante e montagem energética, já conhecidos pelos fãs da franquia. Tal fórmula de filme de roubo que já se provou extremamente funcional, e que assim, funciona bem em “Oito Mulheres” também. Porém, a fórmula não é a prova de falhas, e neste caso, existe uma falta de desenvolvimento e de humanidade em alguns personagens, que em comparação a “Logan Lucky” por exemplo, fazem falta a história. Além, de um senso de dúvida sobre o sucesso geral da missão, que seriam muito bem-vindos e elevariam nosso grau de comprometimento com a narrativa.

Mas num geral, “Oito Mulheres e Um Segredo” consegue executar bem suas principais propostas, de ser um filme divertido, engajante e estiloso. E que mesmo com alguns probleminhas de roteiro e sendo derivativo, ainda é um ótimo filme, que resgata esta franquia após 11 anos, de forma extremamente respeitosa.


Luis Borgia

Luis Borgia

Colaborador, cineasta formado. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.