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Crítica | Jogador Nº1 – Ernest Cline

Com o lançamento do filme baseado em Jogador Nº 1 cada vez mais próximo, chegou o momento de analisar em profundidade o livro que deu origem ao futuro sucesso dos cinemas. O romance foi publicado no Brasil em 2012 pela editora Leya, que também é responsável pela série As Crônicas de Gelo e Fogo.

A primeira edição do livro contava com alguns problemas de tradução dos termos em inglês, especialmente aqueles mais nerds e geeks. No dia 19 de março de 2018 será lançada uma nova edição com uma capa baseada no pôster do longa, mas a editora não informou se a tradução também será corrigida e atualizada de acordo com os apontamentos feitos pelos fãs nos últimos anos.

De qualquer forma, as duas edições são muito bonitas e contam com material e acabamento de qualidade. Além disto, a LeYa já realizou diversas promoções relacionadas aos livros do autor em que o consumidor ganhava uma camiseta baseada no universo de Jogador Nº 1, o que sempre é algo legal de se ver.

Foto por Amazon/Divulgação

A trama do livro é bem direta – mas sua simplicidade e a perfeição com que ela é executada a tornam extremamente divertida e empolgante. Em pleno ano de 2044, com um planeta devastado por crises de energia, nós acompanhamos a jornada do herói Wade Watts pelo OASIS.

O lugar é uma espécie de MMORPG de realidade virtual completamente realista e tão imersivo que ele eventualmente se tornou parte do cotidiano da imensa maioria dos habitantes da Terra, que normalmente vive mais tempo lá do que no mundo real numa espécie de escapismo em massa.

O OASIS foi criado pelo gênio da programação James Halliday, que era absolutamente fascinado pela cultura nerd e geek, e este mundo contém literalmente todos os universos possíveis e imagináveis relacionados a ela.

Halliday eventualmente falece e o seu testamento revela que a propriedade do OASIS será transferida para quem conseguir encontrar três chaves e vencer uma série de desafios dentro do jogo e isto dá origem a maior caçada de easter eggs já vista.

Os gunters, como os personagens que estão atrás do tesouro de Halliday ficam conhecidos, usam alguns dos maiores power ups da história para completar os desafios relacionados a vários games e durante a leitura do livro é possível se sentir totalmente dentro deles, com uma atenção especial para uma sequência incrível de PAC MAN que seria spoiler revelar agora.

Obviamente Wade, conhecido no jogo como Parzival, também está interessado em ganhar o prêmio. Após um pouco de sorte e uma alta dose de conhecimento nerd, ele rapidamente se torna um dos principais gunters e durante o livro acompanhamos suas aventuras para tentar conquistar o tesouro ao lado de um elenco incrível de personagens secundários.

Cada personagem possui uma identidade própria e um avatar no mundo do jogo e suas personalidades brilham muito além das suas descrições. Aech tem o papel de melhor amigo e eventual rival, e conta com uma revelação nos últimos capítulos que surpreenderá quem não estiver prestando atenção. Art3mis também possui um papel duplo como interesse amoroso e rival e suas características e habilidades incríveis a tornam uma personagem forte que remete a Ellen Ripley, Sarah Connor e outros ícones femininos nerds.

Daito e Shoto, apesar de terem um papel diminuído, também são parte essencial da trama e representam uma relação de amizade raramente vista em outras obras de ficção. Finalmente, o vilão Nolan Sorrento é perfeito para o seu papel e descobrir a história trágica por trás das suas ações no livro (disponível apenas em inglês) torna tudo mais legal ainda.

Quem gosta de cultura nerd e de ser bombardeado por referências de praticamente tudo que a permeia se sentirá realizado durante a leitura do livro, já que cada uma que o leitor acertar sem precisar pesquisar dará um pequeno gosto de vitória que é ótimo e faz com que ele se sinta bem. O autor escreve de uma maneira muito fluida e consegue fazer tudo acontecer de uma maneira natural, que não parece forçada como outros programas e livros de menor qualidade que apelam ao mesmo público, e faz com que toda a experiência seja diversos níveis de magnitude melhor sendo recomendado para praticamente qualquer pessoa que tenha um alma nerd ou queira se aprofundar no assunto.

Todos os trailers lançados até agora indicam que o filme contará com diversos easter eggs e inúmeras referências a cultura pop. Entretanto, como já era esperado, parece que a história do longa terá diferenças significativas em relação a do livro o que faz com que a leitura da obra seja essencial para apreciar toda a visão completa do incrível mundo nerd de Ernest Cline.

Além disto, o autor recentemente afirmou que está trabalhando em uma sequência direta para Jogador Nº 1 que será inspirado nos acontecimentos do filme. O que será muito interessante de um ponto de vista narrativo para ver de qual maneira os dois universos se completam.

Confira a sinopse de Jogador Nº 1, da Editora LeYa:

O ano é 2044 e a Terra não é mais a mesma. Fome, guerras e desemprego empurraram a humanidade para um estado de apatia nunca antes visto. Wade Watts é mais um dos que escapa da desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao OASIS – uma utopia virtual global que permite aos usuários ser o que quiserem; um lugar onde se pode viver e se apaixonar em qualquer um dos mundos inspirados nos filmes, videogames e cultura pop dos anos 1980. Mas a possibilidade de existir em outra realidade não é o único atrativo do OASIS; o falecido James Halliday, bilionário e criador do jogo, escondeu em algum lugar desse imenso playground uma série de Easter Eggs, e premiará com sua enorme fortuna – e poder – aquele que conseguir desvendá-los. E Wade acabou de encontrar o primeiro deles.

 

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