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ENTREVISTA | Brasileiro recordista mundial de Super Mario World conta sobre a reconquista do título, sua entrada no Guinness e mais

Matheus “FURiOUS” recebeu o título de jogador mais rápido de Super Mario World zerando em 45,78 segundos.

A reconquista do título fez a modalidade ficar ainda mais conhecida no Brasil, “‘como ele conseguiu em tão pouco tempo?’, isso faz as pessoas a buscarem mais sobre o assunto, descobrindo o que é o speedrun”, conta o recordista mundial de Super Mario World em entrevista para Nerd Site.

O nick “FURiOUS”, inspirado na franquia Velozes e Furiosos (2001), sugere alguém impulsivo – principalmente quando falamos de speedrun – mas o catarinense Matheus Furtado garante ser uma pessoa calma e explica que fatores externos podem influenciar diretamente no desempenho de quem treina esse tipo de jogatina, “às vezes muitas tentativas sem sucesso causam um certo cansaço que atrapalha o progresso, geralmente fico alguns dias sem fazer speedruns, isso me ajuda bastante”, conta.

Ele é um speedrunner, um jogador focado em terminar games no menor tempo possível. Na semana passada (16), “FURiOUS” recebeu o título de jogador mais rápido de Super Mario World quando foi da tela inicial aos créditos em incríveis 45,78 segundos. Você pode conferir abaixo o vídeo da transmissão épica em seu canal na Twitch:

No vídeo, Furtado utiliza a categoria 0 Exit (Credits Warp) que usa falhas do game para se “teletransportar” para o fim do game. Não é a primeira vez que Matheus realiza uma proeza como esta, em abril do ano passado ele entrou para o Guinness ao terminar “Mario World” em 1 minuto e 13 segundos, no início deste mês seu recorde foi superado por um rival, mas no final da semana passada ele recuperou o título.

Seu interesse por jogos assim surgiu em 2014 quando assistia um vídeo de Super Mario World zerado em 10 minutos. Era uma speedrun do streamer Dram55 na Summer Games Done Quick 2013 – um evento beneficente que reúne todo ano players de várias regiões com dois objetivos, zerar games o mais rápido possível e juntar fundos para instituições de caridade, “fiquei impressionado como nunca finalizei aquele game na infância, somando com o fator nostalgia foi aí que decidi fazer speedruns”, explica Matheus sobre sua curiosidade.

Existe muito estudo atrás do que é visto nas performances, para se aventurar nesta categoria o jogador precisa entender o código do jogo para depois encontrar falhas que facilitam o uso desses recursos como um glitch, por exemplo. Portanto, não são todos que conseguem tempo e paciência para isso.

Mesmo sendo uma modalidade complicada e divertida, existe uma comunidade contra este estilo alegando “que nunca jogamos os games do jeito tradicional, que apenas estamos “destruindo” a diversão que o game propõe”, revela o jogador. Para Matheus, o público com esta ótica tem dificuldade em aceitar que “boa parte dos speedrunners vêem essa forma de jogar como um jeito de reviver esses jogos”, conta.

Neste meio há uma constante busca de estratégias que ajudem os players a bater recordes com tempos ainda menores, o mesmo acontece com “FURiOUS” que pretende bater os 44 segundos, “já tive várias chances só que no glitch final precisa que o Mario fique parado num pixel exato e é aí que está a maior dificuldade nessa categoria atualmente”, justifica Matheus que sem nenhum glitch já zerou Super Mario World em 10 minutos e 49 segundos, não é pra qualquer um.

Fora do universo da Nintendo, Matheus curte diferentes gêneros como FPS (CS: GO) e corrida (Need for Speed). Segundo ele, a proposta de testar speedruns de games diferentes ainda está de pé mas não tem previsão de quando começar, “talvez num futuro eu procure jogar nem que seja casualmente alguns games recentes como o Super Mario Odyssey, pena que ainda não tenho um Switch para isso”, ressalta.

Apesar do Guinness ser uma grande conquista por trazer reconhecimento internacional, “FURiOUS” comenta que sua entrada no livro dos recordes não foi o ápice da sua carreira já que a comunidade não o utiliza como referência para speedruns “pelo simples fato de ser muito burocrático manter algo atualizado lá”, explica. Entretanto, considera inesquecíveis suas participações em eventos (Gamercom em Florianópolis e Game Experience no Rock in Rio) e na TV em 2017 (veja o vídeo) como convidado do programa semanal da Rede Globo, o Zero1.

Além de recordista mundial, Matheus também é desenvolvedor, programador freelaner e streamer na Twitch. Todo ano, ele participa de maratonas online da Speedruns Brasil (comunidade brasileira de speedruns). Esperamos ver “FURiOUS” em março na Brazilians Against Time – evento semelhante ao Games Done Quick que acontecerá em Mirandópolis, São Paulo.

Acompanhe “FURiOUS” em suas redes sociais no Facebook, Twitter e Twitch.

Escrito por Amanda Santos

Colaboradora, 23 anos, jornalista especializada em e-sports, ao qual dedicou sua monografia e atualmente desenvolve sua pós-graduação. Locutora comercial nos freelas - antes se aventurou como comentarista em campeonatos amadores de LoL. Sommelier de jogos da Steam, doramas, animes e mangás dos anos 80.

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