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Crítica | “Pantera Negra” é um dos melhores e mais importantes filmes de super-heróis já feitos

Adicione Ryan Coogler, um diretor que já demonstrou muito talento em “FruitVale Station” e “Creed”, à um elenco de peso, composto por nomes como Chadwick Boseman, Michael B.Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Daniel Kaluuya, Andy Serkis, Martin Freeman, Forest Whitaker e muito mais, e temos em “Pantera Negra”, um dos melhores filmes de super-hérois já feitos.

Na história, seguimos T’Challa (Chadwick Boseman) assumindo o trono de Wakanda após a morte de seu pai, e que enquanto enfrenta todas as incertezas e inseguranças de se tornar o rei de seu povo, também precisa lidar com as ameaças externas à Wakanda, como o traficante de armas Ulysses Klaue (Andy Serkis) e o até então desconhecido, Erik Killmonger (Michael B.Jordan).
Tal história, que foi co-escrita pelo também diretor do filme, Ryan Coogler, e por Joe Robert Cole de “American Crime Story”. E que roteiro excepcional temos em “Pantera Negra& #8221;. Com um plot já promissor, vemos diversas vertentes se desenvolvendo durante a narrativa. Desde os laços familiares de T’Challa, onde revelações do passado perturbam seu discernimento de certo e errado, até suas relações de amizade e as resoluções dos conflitos pessoais e políticos que ameaçam Wakanda e seu povo.

Todos estes aspectos são conduzidos e construídos com tranquilidade e inteligência pelos roteiristas, o que cria um dos filmes mais diferentes e relevantes da Marvel. Principalmente pelas questões sociais e políticas abordadas, que trazem um peso e relevância a história, raramente vistos em qualquer filme do gênero até hoje.

Além disso, o longa traz diversos personagens muito interessantes, e todos, tem seu momento para brilhar. T’Challa obviamente é quem carrega o protagonismo, mas temos o melhor vilão da Marvel até hoje (ao lado de Loki) em Erik Killmonger, apresentando uma motivação legítima e uma profundidade emocional em seu personagem, inimagináveis. Alguns outros destaques vão para a irmã de T’Challa, Shuri (Letitia Wright), que se demonstra uma personagem com um futuro gigantesco a se explorar, Okoye (Danai Gurira), uma líder da guarda real de Wakanda, que apresenta grande força e imponência, se destacando principalmente durante as cenas de batalha, e W’Kabi (Daniel Kaluuya), que apesar de não apresentar tantos diálogos, ainda assim, conseguimos notar sua presença nas decisões políticas de Wakanda, com suas motivações sendo compreensíveis e exploradas com sutileza.

Quanto a estrutura, o roteiro é bem equilibrado e consegue aplicar um ritmo próprio para a história, não apresentando nenhum momento mais fraco ou desinteressante. Seu ato final é brilhante e bem distribuído, trazendo uma conclusão, envolvendo Killmonger, que além de partir o coração dos espectadores, traz reflexão.

É claro, que para um roteiro de tamanha qualidade, era necessária uma direção, em todos os aspectos, impecável. E Ryan Coogler não decepciona. Entendendo cada momento do roteiro com perfeição, traz um estilo diferente porém reconhecível aos fãs, para as cenas de ação, e um visual único e marcante para “Pantera Negra”, trabalho realizado em conjunto com a Fotografia de Rachael Morrison e a Arte de Hannah Beachler. Coogler, que assim, deixa mais uma vez sua marca em Hollywood, se consolidando como um dos grandes diretores do mercado.

Ainda vale ressaltar a montagem e a trilha sonora, composta por Ludwig Goransson, e incrementada pela seleção de canções e também composição, de Kendrick Lamar.

Por fim, mas igualmente importante, as atuações. É até difícil falar de todos, pois o elenco é tão grande e todos são brilhantes, mas vale mencionar alguns destaques. Como Chadwick Boseman, se consolidando como T’Challa e Pantera Negra, mostrando que é o homem certo para o trabalho, ao liderar o filme com tranquilidade e imponência. Michael B.Jordan, mais uma vez dá um show na carreira, passando toda a profundidade e complexidade de Killmonger, ao mesmo tempo, que transmite o poder e a força, requisitados pelo personagem.

Lupita Nyong’o como Nakia, Letitia Wright como Shuri, mas principalmente Danai Gurira como Okoye, dão um show, brilhando em momentos diferentes, mas mostrando a importância de cada uma de suas personagens. Andy Serkis, com um personagem extremamente caricato em Ullysses Klaue, funciona como alívio cômico e é marcante, sendo um trabalho diferente, mas de qualidade do ator. Por fim, o indicado ao Oscar por “Corra!”, Daniel Kaluuya, tem seu destaque ao trazer um personagem interessante e memorável à vida, o líder da tribo da fronteira W’Kabi.

Ainda há nomes como Forest Whitaker, Martin Freeman, Winston Duke, Sterling K.Brown e Angela Bassett no elenco, e como foi dito, todos estão ótimos.

Como únicos aspectos que podemos considerar negativos no filme, pode-se dizer que talvez existam duas ou três piadas fora de lugar, e o CGI pesa a mão em uma ou outra cena, mas nada que realmente estrague a experiência. “Pantera Negra” é um dos melhores filmes do gênero, um dos mais importantes dos últimos anos, na frente e atrás das câmeras, e um marco para a Marvel. Esperamos desta vez, que no próximo Oscar se lembrem deste excepcional longa, pois há diversas categorias em que este projeto cravará lugar entre os melhores do ano.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de "Dawn of the Dead", mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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