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Crítica | “Viva: A Vida é Uma Festa” é uma animação cativante, tocante e divertida

“Viva: A Vida é Uma Festa” é o mais recente projeto da Disney Pixar, e apesar de ter chegado apenas agora em janeiro ao Brasil, é um filme de 2017. Em “Viva”, seguimos a história de Miguel, um jovem que sonha em ser músico, mas que pertence à uma família que odeia música por gerações, desde que a tataravó dele, foi abandonada pelo marido, que por acaso, era um músico. Desta forma, Miguel se rebela e foge de casa para seguir seu sonho, porém as coisas não saem como o esperado, e ele vai parar na Terra dos Mortos.

Realmente a Pixar mostra ano após ano o porquê se tornou gigante, e neste projeto, a demonstração não vem pela história ou narrativa, pois estes aspectos seguem a fórmula da empresa, mas sim, pelo nível das animações realizadas. Os visuais são impressionantes, sejam dos cenários, principalmente da Terra dos Mortos, ou dos detalhes nas peles e roupas de seus personagens, tudo é extremamente belíssimo e inovador. E mais uma vez, a Pixar sobe o nível a ser atingido nos filmes animados.

O roteiro, como já mencionado, não foge das regras já vistas em todos os outros projetos da casa, e executa tudo de forma clássica. Os personagens tem os desenvolvimentos necessários para a narrativa existir e progredir, e tudo é muito bem orquestrado para uma espécie de “reviravolta” no último ato. Os personagens, sejam Miguel, seus familiares ou Hector, um homem da Terra dos Mortos que ajuda Miguel em sua missão de voltar para casa, têm suas características bem claras, e tem seus aprofundamentos feitos com precisão durante a narrativa.

O único problema do roteiro e de “Viva” como um todo, fica com o desenrolar da história e com as escolhas dos roteiristas para tal. O filme durante seu segundo ato, escolhe desenvolver os personagens ao redor de Miguel, porém o menino, que é nosso protagonista aqui, se mantém com a mesma profundidade do início ao fim do filme. E por esta razão, o longa fica numa espécie de estado “morno” durante o segundo ato. Há uma grande oportunidade perdida aqui, de se criar camadas mais complexas para este personagem, e em consequência, enriquecer a história contada. Vemos um filme simples e eficaz da Pixar, quando se poderia ter sido feito algo mais arriscado, e por consequência, mais recompensador.

A direção em “Viva” ficou por de Lee Unkrich, que já é experiente, tendo trabalho em Toy Story 3 e em outros projetos como Procurando Nemo, e de Adrian Molina, estreante na função, e que também co-escreveu este longa. Os dois têm um trabalho de câmera muito preciso e com alguns planos belíssimos, se aproveitando do Design de Produção fenomenal realizado por Harley Jessup. Todo o trabalho de arte dos diretores em conjunto com sua equipe é realmente excepcional e será lembrado por todos que conferirem o filme.

O uso da edição aqui é muito bom, pois temos um ritmo fluido, que segue o roteiro com muita naturalidade, em nenhum momento sentimos que a história está apressada, mas também não a sentimos emperrada em nenhum ponto. E tudo isso, é ressaltado pelo boa trilha sonora composta por Michael Giacchino, que pode não apresentar um de seus trabalhos mais memoráveis como em Planeta dos Macacos: A Guerra, mas faz seu trabalho com competência e sutileza em “Viva”.

Quanto as vozes originais, não há como saber se estão bem realizadas, pois conferi o filme dublado. O que posso dizer, é que a dublagem está muito bem feita em português e não deixa a desejar em nenhum aspecto.

“Viva: A Vida é Uma Festa” é o favorito para vencer o Annie Awards e o Oscar de Melhor Animação, e realmente mostra o porquê. Porém, vale ponderar, que 2017 foi um ano muito fraco para animações, não chegando nem perto de 2016 por exemplo, com Zootopia, Moana e Kubo e as Cordas Mágicas concorrendo. Mesmo assim, “Viva” vale ser conferido, pois consegue ser interessante, visualmente deslumbrante e realmente emocionante em seu último ato.

  • Nota
4

Resumo

Em termos de história, “Viva: A Vida é Uma Festa” pode até não ser inovador, mas funciona muito bem devido a seus visuais suntuosos, sua tocante mensagem e seu senso de aventura.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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