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Crítica | Um roteiro fenomenal e atuações merecedoras do Oscar, isso define “Três Anúncios Para Um Crime”

A temporada de premiações acontece concomitantemente no Brasil com os lançamentos dos filmes indicados, o que nos faz ter até meados de março, diversas produções oriundas de 2017 ainda. “Três Anúncios Para Um Crime” é uma destas, e um dos grandes nomes do momento, tendo levado inclusive, o prêmio de Melhor Filme no Globo de Ouro.

Escrito e dirigido por Martin McDonagh de “Na Mira do Chefe” de 2008 e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu” de 2013, este se prova como o mais maduro de seus trabalhos. Calhando ou se aproveitando de um momento em que diversas denúncias de assédio estão vindo à tona, o filme conta a história de Mildred Hayes (Frances McDormand), que há um ano, perdeu sua filha, estuprada e assassinada. Porém, o culpado pelo crime nunca foi encontrado, e ela decide alugar três outdoors na entrada de sua cidade, Ebbing, para provocar a polícia local a se mover novamente e tentar encontrar o tal assassino.

Roteiro sempre foi o elemento mais forte de McDonagh, tendo inclusive, sido indicado ao Oscar de Roteiro Original por seu trabalho em “Na Mira do Chefe”. Aqui, ele mostra que é um dos grandes roteiristas da atualidade, e um dos mais autorais, com uma assinatura muito particular. Ele conta histórias trágicas e com temáticas pesadas, se utilizando de um humor negro extremamente ácido, e assim, atiçando e surpreendendo seu espectador.

Com personagens complexos e que se desenvolvem pouco a pouco, “Três Anúncios Para Um Crime” faz valer cada ação daqueles que seguimos em tela, criando conexões constantes, e apresentando arcos instigantes para seus coadjuvantes, o que nos mantém intrigados a cada minuto que se passa. Além disso, as mensagens que são passadas e que vêm junto com tal história, são transmitidas de forma sútil, e ao mesmo tempo, brutal. Ele se utiliza de exemplos metafóricos e os coloca na boca, principalmente de sua protagonista Mildred, com palavras afiadas e perfeitamente distribuídas durante a narrativa.

Com um roteiro excelente, o que restava para o filme ser perfeito, eram atores de qualidade e uma direção precisa. Quanto a direção, McDonagh não decepciona, e é extremamente sólido em seu uso da câmera, com pequenos vislumbres de mais sofisticação em cenas específicas. Ele opta por valorizar o que está em cena, valorizar as atuações, pois viu que seu elenco entregaria tudo que ele necessitava. Desta forma, pode não chamar a atenção para si próprio como diretor, mas faz um trabalho extremamente eficaz.

Entre os atores, contamos com três indicados ao Oscar deste ano, Frances McDormand para Melhor Atriz (ela que já venceu o Globo de Ouro), e Woody Harrelson e Sam Rockwell, ambos para Melhor Ator Coadjuvante (Rockwell que também levou o Globo de Ouro). McDormand realmente entrega uma atuação de cair o queixo. Perfeitamente escalada para o papel, ela entrega todas as falas ácidas e irônicas de Mildred com naturalidade, e ainda consegue passar toda a sensibilidade e profundidade que a personagem demandava. Uma atuação perfeita e carismática, que vale sem dúvida alguma, as indicações que têm recebido.

O mesmo vale para Woody Harrelson e Sam Rockwell. Woody, que já havia impressionado em 2017 com seus trabalhos em “Planeta dos Macacos: A Guerra” e “Castelo de Vidro”, aqui causa impacto em Hollywood mais uma vez, interpretando o xerife Willoughby. Um personagem que demonstra seu carisma e nos revela uma nova camada de si, a cada cena que aparece. Harrelson entrega tudo com muita facilidade, sendo perfeito também para o papel, assim como todo o elenco.

Já Rockwell, mostra o porquê venceu o Globo de Ouro, e o porquê é o favorito para vencer o Oscar. Fazendo Dixon, um policial preconceituoso e racista, ele têm um personagem extremamente repulsivo em suas mãos, mas que por sua atuação e um incrível roteiro de McDonagh, termina o filme com um dos melhores personagens coadjuvantes vistos nos últimos anos. Uma performance poderosa, de completa entrega e merecedora de reconhecimento.

O resto dos atores, entrega aquilo que é necessário sem dificuldades, desde Caleb Landry Jones, Peter Dinklage, Lucas Hedges, até John Hawkes. E em outros quesitos técnicos, o maior destaque vai para a trilha sonora e seleção de canções, maravilhosamente bem feita, por Carter Burwell.

Um filme surpreendente, impactante, importante e que demonstra total amadurecimento de Martin McDonagh.

  • Nota
5

Resumo

Com um roteiro extremamente afiado de Martin McDonagh e atuações fantásticas, “Três Anúncios Para um Crime” é comprovadamente, um dos melhores filmes de 2017.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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