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Crítica | “A Forma da Água” é um brilhante e encantador conto de fadas de Guillermo Del Toro

13 indicações ao Oscar e um Leão de Ouro em Veneza. “A Forma da Água” é o retorno do cineasta mexicano Guillermo Del Toro à seus originais contos de fadas, como vimos pela última vez em “O Labirinto do Fauno”, de 2006. Aqui, acompanhamos Eliza (Sally Hawkins), uma faxineira muda, que trabalha em um laboratório secreto do governo americano, e acaba se apaixonando por uma criatura anfíbia (Doug Jones) que é mantida presa no local. Com a vida de tal “monstro” em risco, ela tenta salvá-lo da ganância e da maldade dos homens que comandam aquele lugar.

Definitivamente um filme autoral, e sem dúvida alguma um filme de Del Toro, assim podemos categorizar “A Forma da Água”. Tal obra não poderia ser concebida ou idealizada por outra pessoa senão o mexicano, que aqui chega ao auge de seu talento como diretor e escritor. Vemos toda sua paixão por cinema e por monstros materializada na tela, em uma prova de amor à tudo aquilo que o definiu como artista.

Em seu trabalho como roteirista, o qual compartilhou com Vanessa Taylor, vemos uma excelência ao transitar entre todos os gêneros de forma orgânica e fluída, indo da comédia ao terror com excelência. A trama é abordada de forma eficaz e direta, porém com tranquilidade, para desenvolver os personagens durante o primeiro ato. Personagens estes, que são fascinantes, complexos e carismáticos, desde o vizinho de Eliza, Giles (Richard Jenkins), até sua colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer) e seu chefe Strickland (Michael Shannon).

As relações são bem construídas entre os personagens, suas motivações pertinentes e compreensíveis, e seus arcos cumpridos concomitantemente. As mensagens políticas e sociais da história, e suas alegorias junto à criatura, são transmitidas sutilmente e sem pressa, partindo da simples localização histórica da trama até os diálogos mais conflituosos e expositivos. Este roteiro, que ainda se destaca por contemplar múltiplas tramas, e as trabalhar em conjunto de maneira impressionante.

Para concretizar uma história tão peculiar e de tantos tons distintos, é necessária uma direção de altíssimo nível. E é aí que Guillermo Del Toro ganha pleno destaque, e demonstra o porquê venceu o Globo de Ouro de melhor diretor. Seu trabalho de câmera é fluído e elegante, nos trazendo uma leveza para transitar entre plots e fazendo com que o longa sempre aparente estar evoluindo, progredindo sem obstáculos. O trabalho junto ao departamento de arte, como de costume em seus projetos, é magnífico, do Design de Produção à Maquiagem da criatura anfíbia. Já a composição de luz criada com o Dir.de Fotografia Dan Laustsen, é brilhante e merecedora de um Oscar.

E ainda vale ressaltar o trabalho de Del Toro com os atores, que além de os ter escolhido com perfeição, tira de cada um, exatamente aquilo que se precisava. Todos, sem exceção, estão brilhantes. O maior destaque é Sally Hawkins no protagonismo, que ao realizar um papel de uma personagem muda, consegue transmitir suas emoções e sentimentos de forma plena e elegante, com olhares cativantes que falam mais alto que qualquer grande diálogo.

Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Shannon, complementam a história brilhantemente. Jenkins trazendo todo o carisma e a pureza de Giles com uma destreza invejável. Octavia Spencer conseguindo ser engraçada e intoxicante em cena, e sem dúvida alguma, insubstituível neste papel. E por fim, Michael Shannon se destacando mais uma vez como vilão na carreira, conseguindo ser assustador, repulsivo e completamente brilhante.

“A Forma da Água” é um clássico instantâneo do cinema e um dos melhores filmes de fantasia já realizados. Uma obra que consolida Guillermo Del Toro, como um dos grandes cineastas de sua geração.

  • Nota
5

Resumo

Uma história única e que concretiza a excelência de um artista, Guillermo Del Toro nos traz um novo clássico do cinema, e uma das obras mais importantes do gênero fantástico.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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