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Crítica | Apesar de deslizes, Voldemort: A Origem do Herdeiro tem seu valor  

Inimigos do herdeiro, cuidado! 

Uma ideia inspiradora e bem executada. É inegável que Voldemort: Origins of the Heir, no título original, tem valor. O fan film de média metragem estreou no Youtube este ano e tem gerado burburinho entre os fãs da franquia Harry Potter. Não à toa. Sedentos por ver em tela mais detalhes da vida do grande vilão da saga, alguns deixados de lado na adaptação cinematográfica do sexto livro, os potterheads aguardam há meses pelo lançamento da obra. E ela merece atenção, mesmo tendo seus problemas.

Vamos às falhas. O roteiro não preza pelos diálogos mais inspiradores, é preciso admitir. Faltam interlocuções fortes, frases-gancho para as cenas, que por vezes se amparam na sonoplastia para manter o suspense. O enredo poderia ser mais bem elaborado, fugir de recursos narrativos simplórios, como brigas por vaidade e amor platônico. Há também algumas falhas técnicas ou de direção, que perpassam a dublagem e a escolha de elenco, porém não desmerecem o resultado final. O que incomoda mesmo, e acredito que boa parte dos fãs concordem, é a fanfic criada para a história de Voldemort. A proposta de humanizar o vilão, incorporá-lo a um clube e quase lhe arrumar uma namorada é de causar embrulhos no estômago de quem cultua o Lord das Trevas.

Mas paro por aí os apontamentos negativos. A obra tem, sim, motivos para muitos likes. Desenvolvido pela produtora italiana Tryangle Films, o filme vai além do que a maioria dos fan mades já chegou. Uma proposta ousada de um estúdio independente, que pode alçá-lo a projetos mais concretos e originais. Começo pelos efeitos especiais, que surpreendem e empolgam. Vemos os bruxos finalmente em duelos promissores, aparatando e desaparatando em batalha, mirando feitiços estrategicamente. Recursos pouco explorados por David Yates e David Heyman na franquia original, que já disseram em entrevistas preferirem cenas emocionais às sequências de ação.

Outro ponto alto do filme se chama Stefano Rossi, o intérprete do Tom Riddle. Mesmo com pouco tempo de tela (o filme tem cerca de 50 minutos de duração), Rossi entrega uma atuação concisa e eficaz do vilão. Ele se destaca no elenco com sua postura altiva, articulação fria e um bom trabalho de linguagem corporal. Maddalena Orcali, a Grisha, também não faz feio e dá conta das cenas de luta e de emoção. Os dois ajudam o espectador a acreditar na história de união entre os herdeiros de Hogwarts, algo difícil de aceitar na comparação com a história de JK Rowling.

O mérito de Voldemort: A Origem do Herdeiro é principalmente o de mostrar que o universo de Harry Potter não é mais exclusivamente de domínio da Warner ou mesmo de sua autora original. É converter, com qualidade, uma das milhares de fanfics existentes em um produto com mais de 10 milhões de visualizações no Youtube, em apenas 7 dias. Essa obra, independentemente de sua escolha narrativa, tem força e representa o que constitui um verdadeiro espírito potterhead: coragem, ousadia, criatividade e talento diante das adversidades. Inimigos do herdeiro, cuidado!

  • Assista ao filme completo e legendado abaixo:

Escrito por Bruno Aires

Jornalista carioca que não gosta de futebol e de cerveja, Bruno aprendeu a ler com a Turma da Mônica e só gosta de assistir filmes e séries na ordem cronológica.

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