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Crítica | “Roda Gigante” é diferente, interessante e definitivamente para fãs de Woody Allen

Woody Allen traz um filme por ano ao público, quer as pessoas queiram ou não. Aos 82 anos, o cineasta sente a necessidade de continuar trabalhando e experimentando coisas diferentes dentro de sua filmografia (por mais que para muitos todos seus filmes sejam parecidos). Mas a verdade é que Woody tem se refinado cada vez mais em seu trabalho com o aspecto visual de seus projetos, e “Roda Gigante” é um grande exemplo disto, com um impecável trabalho de fotografia por Vittorio Storaro, e de Design de Produção por Santo Loquasto.

Neste seu novo filme, um salva-vidas (Justin Timberlake) de Coney Island conta para nós a história de Ginny (Kate Winslet), que passa por um momento depressivo e de diversas duvidas em sua vida profissional e pessoal.

O roteiro de Allen é perspicaz, e conta com momentos de brilhantismo, se utilizando da tragédia exagerada para criar o cômico. São poucos estes momentos durante o longa, e apesar de contar com personagens interessantes e quase surreais, “Roda Gigante” tem seus problemas. O ritmo é lento, e em alguns momentos se torna cansativo, principalmente no segundo ato, e há alguns diálogos expositivos que não foram bem posicionados na história e que apesar das tentativas de Woody, não foram bem disfarçados também, causando aquela sensação da conversa que não existiria em tal situação.

Mas vale ressaltar que há muitos outros pontos positivos no roteiro, como o bom desenvolvimento dos personagens que seguimos, das dinâmicas entre estes e a ótima coordenação do quê está sendo mostrado e quando está sendo mostrado, o que traz um bom fluxo de informações dos acontecimentos. A narração em voice-over de Justin Timberlake é precisa e bem pontuada durante todo o longa. E por fim, o desfecho do filme é satisfatório e respeita a essência da história.

Quanto à direção de Allen, como sempre, é incrível. Pessoalmente, acredito que Woody Allen tem seu trabalho como diretor extremamente subestimado, sendo tão preciso e impressionante em muitos de seus filmes quanto seu trabalho como roteirista. Aqui, além do trabalho visual de arte e fotografia magníficos já citados, ele apresenta um movimento de câmera excelente, com planos sequências belíssimos, principalmente dentro da casa da protagonista Ginny. E este aspecto, só ajuda a ressaltar o ótimo trabalho de direção de atores, tirando o melhor de cada um de seu elenco, o qual destacarei individualmente.

Jim Belushi interpretando Humpty, o marido de Ginny, entrega uma performance muito sólida, nos fazendo tanto comprar seus problemas mais íntimos, quanto o jeito “machão” de seu personagem. Juno Temple, como Carolina, filha de Humpty, que está procurando recomeçar sua vida, realmente surpreende e chama a atenção aqui, com uma atuação carismática e uma vulnerabilidade impressionante. Já o filho de Ginny, Ritchie, interpretado por Jack Gore, não tem tanto espaço como poderia, mas quando está em cena, convence com seu personagem excêntrico e danificado em meio a essa família mais que desfuncional.

Como já mencionado, Justin Timberlake como Mickey, vai bem em seus narrações em voice-over, e também não decepciona quando o assunto é ser dramático. Ele não rouba os holofotes ou algo do tipo, mas contracena com a qualidade necessária, principalmente com Kate Winslet, que é a verdadeira dona do filme. Com uma atuação realmente impecável, cômica quando necessário, profunda e perturbadoramente neurótica, ela dá vida a Ginny de uma forma única, e mostra o porquê tem sido cogitada ao Oscar de 2018. A concorrência é dura, porém a atriz pode acabar cavando sua vaga entre as nomeadas.

“Roda Gigante” não é um dos melhores trabalhos da carreira de Woody Allen, mas também não está nem perto do desastre que tem sido posto pela mídia. E com certeza, para fãs de W.A, será um filme para se aproveitar e se divertir em muitos momentos.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de "Dawn of the Dead", mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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