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Crítica | “O Rei do Show” não surpreende, entregando apenas um musical clichê e divertido

Com os nomes indicados ao Globo de Ouro, revelados há quase duas semanas, contando com o “O Rei do Show” para melhor filme de comédia ou musical e Hugh Jackman para melhor ator em comédia ou musical, a expectativa para o lançamento desta nova produção da Fox, era grande. O filme, conta a história de P.T Barnum (Hugh Jackman), um homem de negócios, que se tornou conhecido por trazer ao público, os conhecidos espetáculos peculiares de circo, com personagens clássicos, como a mulher barbada, os trapezistas, o homem gigante e etc.

Em “O Rei do Show”, o roteiro, assinado por Jenny Bicks e Bill Condon, é o aspecto mais decepcionante, ou talvez “o” aspecto decepcionante do longa. A trama é apressada, abrupta e superficial, conhecemos poucos aspectos dos personagens que estamos seguindo, e nenhum deles tem mais que uma dualidade em suas personalidades. O personagem de Charity Barnum, esposa de P.T, vivido pela atriz Michelle Williams, é o maior exemplo disto, sendo totalmente unidimensional, ao mostrarem apenas seus dramas em relação ao próprio marido.

Outro aspecto negativo, é que o filme é conectado constantemente por números musicais, não dando muito respiro para o espectador. A trama perde um desenvolvimento mais profundo exatamente nessas contantes sequências musicais, que pelo menos, são muito bem compostas pelos músicos John Debney (trilha), Benj Pasek, Justin Paul e Joseph Trapanese. Um único ponto positivo, que não sei se pode ser considerado realmente positivo, é de que o roteiro finaliza os arcos de todos os personagens que escolheu seguir, com atenção, não deixando pontas soltas.

Na direção, temos o estreante Michael Gracey, que trabalhou no departamento de efeitos visuais de vários filmes antes de chegar à este posto. Seu posicionamento de câmera e trabalho com a fotografia de Seamus McGarvey, é muito bonito e funcional, sendo apenas prejudicado pelo ritmo acelerado que foi escolhido na edição. Sua direção de atores também se demonstrou muito boa, não tendo elos fracos, nenhum ator se encontra fora do tom do filme. O Design de Produção é fantástico, enche os olhos e é um pontos mais fortes desta produção, porém, talvez pela origem do diretor, os efeitos visuais pesam a mão em alguns momentos.

Os números musicais são muito bem ensaiados, e contam com o carisma do elenco para funcionarem por completo. Os atores, superaram meus receios, e todos num geral, se saíram bem. Zendaya não decepciona, e entrega uma atuação aceitável ao lado de seu parceiro romântico Zac Efron, nenhum dos dois brilham em cena, mas fazem seu trabalho. As duas filhas de P.T Barnum, vividas pelas atrizes Austyn Johnson e Cameron Seely, não tem quase nenhum desenvolvimento de personagem, mas servem como alívio cômico.

Michelle Williams, é prejudicada pela falta de espaço e de profundidade de Charity Barnum, e tem seu talento desperdiçado, entregando apenas o necessário. Já Hugh Jackman, é realmente a grande estrela do show, e foi escalado com precisão para o papel. O ator já indicado à outros dois Globos de Ouro e a um Oscar por musicais, esbanja carisma e uma bela performance, seja ela nos momentos dramáticos, divertidos ou de números musicais.

Sua indicação ao Globo de Ouro de 2018 não será uma unanimidade entre os críticos, até pelo filme como um todo, mas Jackman ainda consegue se provar como um dos grandes nomes de Hollywood. Já a nominação de “O Rei do Show” a melhor musical ou comédia, se provou um grande erro, e acabou por tirar o espaço de outros longas muito superiores que tivemos em 2017, como Em Ritmo de Fuga, Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe e Doentes de Amor.

  • Nota
3

Resumo

Com um roteiro raso e apressado, “O Rei do Show” não atinge as expectativas criadas, porém, ainda consegue entregar um musical divertido, visualmente belíssimo e muito bem liderado por Hugh Jackman.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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