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Crítica | Mesmo com ideias interessantes, “Bright” falha ao não encontrar seu caminho

A Netflix trouxe ao público no último dia 22 de dezembro, seu novo filme original, “Bright”, estrelando Will Smith e Joel Edgerton. Na história, Ward (Will Smith) é um policial que foi baleado por um Orc em serviço, e que tem como parceiro o primeiro policial Orc da história, Nick Jacoby. Cercados de racismo contra Jacoby, os dois agora terão que proteger uma jovem elfa chamada Tikka (Lucy Fry), pois ela carrega uma das raras ‘varinhas mágicas’.

“Bright” tem na direção David Ayer, do bom filme Corações de Ferro de 2014, mas também de outras decepções, como Esquadrão Suicida de 2016. Já o roteiro, é de Max Landis, de American Ultra: Armados e Alucinados e Dirk Gently’s Holistic Detective Agency. Em “Bright”, esses dois são os responsáveis por todos os problemas do filme.

No roteiro, vemos ideias boas se apresentando, como questões raciais e sociais criadas pelo universo fantasioso, porém, estas ideias acabam servindo só como pano de fundo para a ‘aventura’ policial. E é exatamente aí, que o filme começa a se perder. No início, vemos questões sendo levantadas, e assim, caminhos que o roteiro poderia seguir para criar um filme inteligente e diferente, mas ele escolhe ir pelo caminho errado e quase galhofa. O longa tenta ser a clássica comédia de ação policial em muitos momentos, e só vai se afundando nesse caminho a cada minuto que passa.

A motivação dessa missão de Ward e Jacoby é quase infundada, e as dinâmicas que se transcendem em decorrência disso acabam sendo desinteressantes. O desenvolvimento dos personagens se afunila pela missão dos policias, e o filme se torna quase unidimensional, deixando as questões mais profundas dos problemas raciais e sociais dessa sociedade, apenas na superfície.

Os únicos bons momentos de “Bright” quanto a roteiro, são em diálogos dramáticos entre Ward e Jacoby, mas infelizmente são mínimos. Max Landis joga fora a oportunidade de trazer um projeto reflexivo e bem explorado, para criar o filme “comercial”. O que não teria problema nenhum, se fosse bem resolvido, o que não acontece aqui.

Na direção de Ayer, vemos outros problemas se apresentando. Ele não tira o melhor de seus atores, tendo cenas em que se pode sentir a falta de entrega, chegando perto do desleixado. Suas escolhas de movimento de câmera são no mínimo duvidosas, com usos de câmera lenta sem necessidade, e uma falta de estilo notável. Já a escolha da trilha sonora não poderia ser mais genérica e perdida, não sabendo para que lado vai, devido ao tom confuso da narrativa. Seu trabalho com o Design de Produção e Arte é o único aspecto positivo, a cidade é bem construída, e os figurinos e as maquiagens também convencem.

Quanto às atuações, infelizmente, temos muitos talentos sendo desperdiçados pelos vários problemas já citados deste filme. Will Smith e Joel Edgerton são carismáticos, tem presença e seriam os atores ideais em um drama mais profundo neste universo, porém, não entregam tudo que podem, e não encontram o tom que precisavam estar, em meio a tanta confusão. Noomi Rapace é a antagonista aqui, interpretando Leilah, e pela falta de desenvolvimento de seu personagem, acaba tendo todo seu talento desperdiçado. Por último, temos Lucy Fry como Tikka, que por também ter um personagem superficial em suas mãos, pouco consegue mostrar.

Um erro que leva a outro e compromete o projeto como um todo, isto é o que caracteriza “Bright”. Os caminhos mal escolhidos pelo roteiro, que levaram à uma direção desleixada e perdida de David Ayer, e consequentemente, à atuações longe da total entrega. A Netflix talvez tenha errado a mão ao apostar suas fichas em 2017 em “Bright”, pelo menos no ponto de vista analítico do cinema, pois o público tem respondido de forma positiva, o que levará, à uma muito provável sequência desta ‘franquia’ com Will Smith.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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