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Crítica | “Extraordinário” dá vida a seu material original de forma encantadora

Após o sucesso ao adaptar seu próprio livro para as telonas, com “As Vantagens de Ser Invisível” em 2012, Stephen Chbosky volta com sua versão cinematográfica do best-seller de R.J. Palacio, “Extraordinário”. Aqui, acompanhamos a vida de Auggie (Jacob Tremblay), um menino que nasceu com problemas físicos e já foi submetido à 27 cirurgias, sendo ainda extremamente jovem. Ele está ingressando finalmente a escola, depois de anos estudando em casa com sua mãe, e ao dar esse grande passo, as consequências são inevitáveis.

Após duas versões do roteiro serem feitas, Chbosky assumiu o projeto, fez seu último tratamento e seguiu para a execução do texto como diretor. Seu roteiro, é uma inteligente e sagaz adaptação do livro de Palacio, conseguindo transmitir o espírito e o bom humor de material original. A estrutura do roteiro tira muito de sua fonte, e é um dos grandes diferenciais desse filme. Ele não se foca apenas no ponto de vista de Auggie, e cria espécies de capítulos para contar como a vida das pessoas ligadas ao menino, estão naquele momento .

Desta forma, o filme desenvolve seus diversos personagens de forma simples e eficiente, e consegue trazer o frescor necessário para esta obra, que poderia facilmente se perder no total clichê dramático e meloso. As entradas de cada diferente capítulo, se dão nos momentos exatos, dando ótima fluidez para a narrativa, e nunca impedindo a história de seguir em frente. O ritmo é sempre bem balanceado e respeitado durante todo o longa. A mescla entre momentos cômicos e dramáticos, é muito bem orquestrada, sendo um filme que te fará rir e chorar com facilidade.

O único ponto negativo do roteiro, fica apenas para algumas cenas, onde o apelo sentimental e o clichê do gênero acabam tomando conta, e forçando um pouco o engajamento emocional do público, que já estava muito bem construído.

Quanto a outros aspectos técnicos, a direção de Chbosky é extremamente precisa, com uma decupagem clássica, porém adaptada aos dias atuais, conduzindo a narrativa de forma fluída e sem excessos. Sua direção de atores é também excelente, com todo o elenco ou praticamente todo (há uma exceção), entregando atuações muito sólidas e funcionais. A Fotografia de Don Burgess e o Design de Produção de Kalina Ivanov, complementam o universo do filme perfeitamente, trazendo autenticidade para a Nova York de “Extraordinário”.

Finalizando, vale falar individualmente dos atores principais. Jacob Tremblay, que já havia conquistado o mundo em “O Quarto de Jack”, conta com um exímio trabalho de maquiagem para construir seu personagem, e entrega uma ótima atuação, não decepcionando em nenhum momento. Izabela Vidovic, interpretando a irmã de Auggie, Via, faz também um incrível trabalho, e com um importante papel no filme, leva suas cenas com muita tranquilidade. Ainda no elenco infantil, Noah Jupe como seu amigo Jack Will, está ótimo, sendo que o único entre as crianças que se encontra um nível abaixo, é Bryce Gheisar, fazendo o antagonista Julian.

Nos adultos, Julia Roberts e Owen Wilson como os pais de Auggie, são perfeitos. Roberts passa toda a autenticidade e preocupação de ser a mãe de tal menino, e entrega uma atuação extremamente convincente. Já Wilson, serve em muitos momentos como um alívio cômico, e funciona 100%, com um timing excelente, faz o papel de pai brincalhão e bem humorado, e quando se é requisitado em momentos dramáticos, os executa sem problemas. Para fechar, Mandy Patinkin como o diretor da escola e Daveed Diggs como o professor, fazem o necessário, para completar este elenco muito bem selecionado.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de “Dawn of the Dead”, mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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