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Crítica | “Assassinato no Expresso do Oriente” têm suas inconstâncias, mas se paga como um bom filme clássico de detetive

Poucos conseguem dirigir um filme, ser protagonista do mesmo, e demonstrar destreza nas duas funções, mas, com certeza, uma das exceções, e que nos prova novamente isto em seu mais novo filme, é Kenneth Branagh. Com um médio orçamento, pelos padrões de Hollywood, estimado em 55 milhões de dólares, “Assassinato no Expresso do Oriente” é uma das apostas da Fox em 2017, e conta com um elenco estelar e a derivação de um livro de Agatha Christie, para garantir seu lucro.

Na história, seguimos Hercule Poirot (Kenneth Branagh), o melhor detetive do mundo, embarcando em um trem para atender um caso na Europa. Porém, esta viagem se desenvolve de uma forma inesperada, e um assassinato é cometido na primeira classe do expresso. Assim, Poirot é obrigado a deixar seus dias de descanso de lado, e resolver esse terrível crime.

Podemos começar pelo roteiro, pois é onde vemos muitos acertos do filme, mas também onde moram os únicos erros desta produção. Assinado por Michael Green (Logan, Alien: Covenant), o roteiro não tem pressa para nos apresentar todos os personagens que iremos acompanhar nesta jornada, nos localizando muito bem e conseguindo distinguir de forma sútil porém eficaz, estas pessoas que estão embarcando junto ao detetive. Poirot, por sua vez, tem suas excentricidades colocadas a mesa de forma cômica no primeiro ato, nos fazendo ter apreço por seu personagem e entender quem ele é, ou pelo menos, o que aparenta ser.

A paciência do roteiro é positiva, temos total compreensão daquilo que nos está sendo apresentado, porém o tom e o ritmo do filme é uma problemática aqui. As tiradas cômicas no primeiro ato, funcionam 60% das vezes, porém destoam de outros momentos drasticamente, o que causa à uma primeira vista, um estranhamento. Um ritmo dinâmico e levemente acelerado é o que conduz a cena de apresentação de “Assassinato no Expresso do Oriente”, porém isto se perde completamente com a chegada no trem. Não são problemas gigantescos, porém são notáveis.

Quando o crime é estabelecido na história, tudo começa a andar com mais facilidade, e a narrativa toma seu rumo de vez, nos engajando a cada momento mais, até um forte e excelente terceiro ato. Já quanto ao aprofundamento dos personagens, que são muitos, 16 no total, todos conseguem ser trabalhados o necessário, de forma consciente e inteligente. Alguns podem não receber tanta atenção quanto outros, porém, seria impossível em um filme de 2 horas desenvolver completamente tantas pessoas, e dentro do possível, o filme executa isso de forma estupenda.

Chegando a direção e a atuação de Branagh, só há elogios. Um excelente trabalho de pré-produção é notado do início ao fim, com uma belíssima decupagem e um ótimo uso da Fotografia, além de uma Direção de Arte de encher os olhos. A condução do suspense é feita de forma perfeita, com planos muito bem pensados e uma trilha bem posicionada, o que faz com que nos mantenhamos sempre engajados no mistério predominante.

Sua performance como Poirot é realmente impressionante, ele consegue entregar tudo que o personagem necessita, e se destaca completamente, carregando o filme com facilidade. Kenneth Branagh consegue ser divertido e excêntrico, e ao mesmo tempo, tenso e profundo, transitando bem entre as variações da narrativa.

O restante do elenco é bem dirigido por ele, e sem exceções, estão ótimos. Johnny Deep se desprende da figura de Jack Sparrow e dá vida a Ratchett, um traficante de obras de arte. Michelle Pfeiffer causa estranhamento num primeiro momento, mas ao compreendermos seu personagem, se mostra como a escolha certa para o papel de Caroline Hubbard. Já Josh Gad, como MacQueen, em um papel completamente dramático, é uma grata surpresa, e se prova como uma grande opção fora dos filmes de comédia. No restante, todos fazem aquilo que é necessário com tranquilidade, desde Willem Dafoe, Judi Dench, Penélope Cruz, até Tom Bateman.

 

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de “Dawn of the Dead”, mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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