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Crítica | ‘Logan Lucky’ é um retorno extremamente agradável e divertido de Steven Soderbergh

Após o anúncio de aposentadoria em 2013, alegando que estava cansado do tratamento que era dado a diretores em Hollywood, Steven Soderbergh, está de volta, trazendo um filme leve e mais dele do que nunca. “Logan Lucky – Roubo em Família” (por favor, parem com subtítulos), conta a história de Jimmy Logan (Channing Tatum), um pai, que após perder seu emprego e saber que sua filha vai se mudar para outro estado com a mãe, decide realizar um assalto em um evento da Nascar, com a ajuda de seu irmão e irmã.

Esta crítica falará quase que completamente de Soderbergh, pois além de assinar como diretor do longa, ainda foram usados pseudônimos para o Diretor de Fotografia, Roteirista e Editor. E pelo que se especula nos EUA, todos foram feitos por Soderbergh, que encobriu tal feito.

Vamos começar pelo roteiro. A estória aqui é objetiva, se focando no assalto, em seu plano e execução, e assim, o filme desenvolve o mínimo necessário de seus personagens no primeiro ato, para dar espaço e tranquilidade para o real acontecimento do filme ser trabalhado. Com uma estrutura sólida, o primeiro ato é mais focado nos dramas pessoais do protagonista Jimmy, seja no trabalho ou vida pessoal, e já no segundo e terceiro ato, ficam o desenvolvimento do assalto e suas repercussões, respectivamente, com uma comédia leve sendo balanceada durante toda a estória.

Vemos pistas e situações que a princípio podem não parecer importantes ou relevantes, mas que depois sempre acabam se pagando dentro da narrativa. Soderbergh, ou seu pseudônimo Rebecca Blunt, realmente vai amarrando suas pontas soltas, pouco a pouco, de forma bem natural, despertando o interesse e a curiosidade do público. E é exatamente por ser objetivo e extremamente funcional, que o roteiro opta por não ir além, não desenvolvendo mais as individualidades de seus personagens. Uma escolha que consegue ser positiva ou negativa, dependendo do espectador.

Chegando a direção de Steven, ele personifica o que é visto em todas as áreas da produção, uma tranquilidade, e um conforto ao conduzir esta história, nos fazendo lembrar de seu trabalho em Onze Homens e um Segredo. O trabalho de câmera é perfeito, com boas variações, e sua direção de atores é ótima, colocando todos os atores no mesmo tom. A única ressalva, fica em conjunto a seu trabalho na edição, mostrando que talvez um profissional de fora, poderia ser um bom acréscimo ao filme. Em alguns momentos, há extensões nas cenas, que poderiam ser aparadas na montagem, e que desta forma, preservariam melhor muitos dos momentos cômicos, e ainda dariam mais dinamismo ao ritmo do longa, causando uma variação necessária, e que acaba por fazer falta aqui, durante suas 2 horas de duração.

Para fechar o trabalho de Soderbergh, seu trabalho na cinematografia é bem executado, não enche os olhos, mas contém as alternâncias de cor e luz que a narrativa pedia, e se complementam de maneira bem orgânica ao bom trabalho de Howard Cummings no Design de Produção.

No quesito atores, o casting apesar de parecer estranho aos olhos exteriores, funciona aqui. Channing Tatum (Jimmy Logan), um parceiro recorrente de Soderbergh, se sai bem mais uma vez, transmitindo todo o esteriótipo ‘caipiresco’ de seu personagem como um alívio cômico, mas conseguindo entregar também, o lado dramático que se pedia. Adam Driver, como Clyde, irmão de Jimmy Logan, realiza um papel diferente daqueles têm feito recentemente, e se prova um acerto, conseguindo guardar bastante profundidade, e ser engraçado na medida certa. Riley Keough, interpreta Mellie, a irmã de Jimmy e Clyde, e apesar de não ter um grande espaço para brilhar, não deixa a desejar e faz tudo que precisava. Já Daniel Craig, acha um personagem bem diferente em Joe Bang, um criminoso da cidade que ajuda os irmãos no ato do assalto, e apesar do que se pode imaginar, se sai muito bem, sendo impressionantemente engraçado. Ainda temos outros nomes importantes no elenco, como Katie Holmes e Seth MacFarlane, mas com papéis apenas secundários.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de "Dawn of the Dead", mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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