Críticas

Crítica | Mesmo sem superar o antecessor, “Kingsman: O Círculo Dourado” é um dos filmes mais divertidos de 2017

“Kingsman: O Círculo Dourado” já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

  Luis Borgia    sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Em 2014, Matthew Vaughn trouxe ao mundo Kingsman: O Serviço Secreto, e apesar do desconhecimento geral de tal obra naquele momento, as cenas de ação impressionantes, o charme britânico de Colin Firth e o apelo cômico do filme, conquistaram muitos fãs e garantiram a continuação da franquia. Em “Kingsman: O Círculo Dourado”, vemos Eggsy (Taron Egerton), atrás de um secreto cartel de drogas, e que após praticamente dizimarem os Kingsman, precisa da ajuda de seus companheiros americanos, os Statesman, para realizar tal tarefa.

Em primeiro lugar, não há como não saudar Vaughn em sua direção, seguindo a linha do primeiro longa, ele nos traz sequências de ação sempre incríveis e divertidas, com um dinamismo de câmera excelente, fazendo com que tudo que ocorra em cena seja legível. Seu tato para conduzir os atores e as situações cômicas é impecável, e seu estilo é imprimido em cada detalhe, sentimos sua mão nesta produção constantemente.

O diretor também assina o roteiro ao lado de Jane Goldman, e apesar de entregar uma história interessante e com elementos positivos, é onde também moram as falhas aqui. As cenas de comédia são todas muito bem escritas, funcionam em praticamente todos os momentos, o alívio cômico com Elton John é algo inesperado e impressionantemente funcional, e o aprofundamento em Eggsy e seus companheiros britânicos é feito da maneira correta.

Os erros se encontram nos sub-plots da estória. Os Statesman, apesar de bem apresentados, despertando o interesse do público, não ganham um desenvolvimento, claramente sendo preparados para o terceiro filme. A única excessão, é o personagem de Pedro Pascal, Agente Uísque, que ganha uma dualidade. Colin Firth, retornando dos mortos, é trazido de volta de maneira inteligente, se aproveitando dos absurdos comuns do universo, e apesar de ter um arco interessante, é mal explorado no ato final, o que fez com que Pascal fosse prejudicado também.

A vilã aqui, é a empresária Poppy, vivida por Juliane Moore. Suas intenções são plausíveis, trazendo um cunho político e uma reflexão em meio ao filme, assim como o personagem de Samuel L.Jackson fez no primeiro filme. O problema é que ela não ganha tanto tempo de tela quanto seu antecessor, não criando um engajamento e uma afeição com o público.

Com um orçamento de 104 milhões de dólares, a Fox não economizou na hora de contratar o elenco, trazendo nomes de peso. Além dos já conhecidos Taron Egerton como Eggsy, Mark Strong como Merlin e Colin Firth como Harry, esses que mais uma vez estão ótimos, “O Círculo Dourado”, traz atores cativantes para os Statesman, que enchem os olhos todas as vezes que entram em cena. Pedro Pascal, já mencionado, está ótimo no filme, mostrando se consolidar cada vez mais em Hollywood, e Channing Tatum, Jeff Bridges e Halle Berry, não tem papéis grandes, mas chamam a atenção, criando expectativa para vermos mais de seus personagens na continuação. Por último, Juliane Moore até se esforça como antagonista, mas não consegue cativar completamente.

Em outros termos técnicos, a Direção de Fotografia (Georgie Richmond) é magnífica, com uma execução da decupagem impecável durante todo o longa, e o Design de Produção (Darren Gilford) é o que mais chama a atenção, trazendo mais uma vez um visual incrível ao filme em todos os ambientes.


Luis Borgia

Luis Borgia

Colaborador, cineasta formado. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

Comentários