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Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas só vale pelos efeitos especiais

Basta ver o rostinho da Cara Delevigne no trailer de Valerian para imaginar, de cara (há), que esse filme não vai ser bom. E apesar de esperarmos que não fosse nenhuma maravilha, mesmo sendo de ser do diretor Luc Besson, creio que ninguém esperava que fosse tão ruim.

O filme começa de forma interessante até, apresentando a raça humana evoluída, interagindo amigavelmente com alienígenas de diversos planetas. O foco, nesse início, é num mundo relativamente semelhante ao nosso. Com praia, sol, mar, fica fácil para o espectador se identificar com os estranhos personagens sem nome (pelo menos até esse momento), e se maravilhar com os aspectos “fantásticos” de um lugar tão parecido e diferente do nosso. E por esses motivos que ficamos tão interessados na história quando esse planeta é atingido.

Infelizmente, porém, na cena seguinte somos apresentados aos protagonistas, e as coisas desandam loucamente a partir daí.

Pensem em todas as falhas de desenvolvimento que vocês puderem e insiram aqui. Personagens sem um passado explicado, sem motivações explícitas para serem quem são ou agirem como agem, diálogos ruins que não dão profundidade nem a Laureline, nem a Valerian e muito menos a relação mal definida deles, uma personagem feminina que é forte nos quadrinhos e estereotipada no filme, uma história extremamente intrigante que é deixada de lado só para termos cenas de ação desnecessárias que mais fillers que qualquer outra coisa. Tudo isso você encontra nesse longa.

E já que nada é muito bem desenvolvido e você não conhece o passado dos personagens, eles acabam não despertando nenhuma emoção, e até ódio é preferível a total indiferença, mas eles são tão meh que nem isso dá pra sentir por eles – nem mesmo pelo vilão sem sal (que decepção, Clive Owen).

Além de tudo isso, temos os claros e velhos problemas da adaptação de personagens femininas para o cinema. Laureline, forte e incrível nos quadrinhos, vira uma menina chata e ciumenta no filme, luta com uma armadura que tem seios e é responsável por pelo menos meia hora de filler, na qual o filme enfatiza, novamente, que ela não sabe se virar sozinha. Na verdade, a impressão que dá é que essa sequência de eventos só existe para fazer o público dar uma risadinha e tentar criar um vínculo mais forte entre os protagonistas, mas os dois objetivos não são atingidos.

E colocando a cereja no topo do bolo, temos a cena com a Rihanna. Não vou falar nada da atuação dela, porque é breve, e o CGI ajuda. O que incomoda nessa cena é o momento que ela dança como stripper, usando várias “fantasias”, incluindo, por exemplo, a de índia, e se você não sabe porque isso é muito errado, vale a pena refletir um pouco.

Por fim, dá para notar, bem no fundo, uma intenção do filme de criticar a atual administração americana e seu comportamento bélico e anti-imigrante. Ao longo do filme, vemos vários personagens falar sobre imigrantes ilegais e como a vida deles é sofrida, fora como os próprios terráqueos veem certas raças alienígenas como dispensáveis frente a seus interesses bélicos. É uma crítica válida, mas, nesse filme, ela é rasa, mal exposta e, portanto, pode passar batido pelos olhos do públicos.

Sinceramente, só recomendo Valerian pelos efeitos especiais e cenários incríveis que foram criados, mas o roteiro em si é falho em muitos aspectos, e por mais que o Dane DeHaan, o Clive Owen e outros atores tenham se esforçado, não tem como dar complexidade a personagens rasos. Vá ver, mas vá sem grandes expectativas e só pelo visual.

Escrito por Gaby Nunes

Gaby Nunes possui um sombrio passado otaku e óculos mágicos que a permitem ser não apenas uma tradutora competente, mas também uma excelente observadora da alma humana. Entre um texto escrito sob pressão e uma música do Coldplay, à noite, antes de dormir, ela toma um banho relaxante numa banheira cheia de lágrimas das inimigas.

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