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Crítica | O Filme da Minha Vida não surpreende, mas consegue ser visualmente incrível

“O Filme da Minha Vida” é o novo lançamento nacional nos cinemas. Dirigido e escrito por Selton Mello (roteiro divido com Marcelo Vindicato), o longa conta a história de Tony, interpretado por Johnny Massaro, que retorna a sua cidade natal após descobrir que seu pai teria retornado a França, abandonando a você e sua mãe.

Com uma história intimista, minimalista e sentimental, o filme tem em seu roteiro acertos e erros. Por um lado, traz personagens muito interessantes, uma história de abandono e também de solidão, momentos cômicos e tristes bem balanceados e um certo ar poesia. Por outro, o filme não desenvolve tão bem os personagens coadjuvantes, com exceção do pai de Tony, Nicolas (Vincent Cassel), e pelo amigo da família Paco (Selton Mello). Há certas cenas excessivamente melodramáticas, se tornando até clichês, principalmente no cinema brasileiro, e uma certa reviravolta envolvendo o pai, que pelo mal desenvolvimento de outros personagens, acaba se tornando indiferente ao espectador.

Os questionamentos poéticos introduzidos em seu primeiro ato são esquecidos durante o restante do filme e ficam sem qualquer conclusão. Além disso, existe um pequeno problema de ritmo narrativo no segundo ato e a conclusão do longa acaba não sendo tão impactante ou impressionante como se necessitava.

Em quesitos de atuação, o maior problema fica pelo protagonista vivido por Johnny Massaro, ele tem suas limitações e acaba não entregando tudo que pede ao papel, sua performance fica ainda mais destoante na parte final. No restante do elenco, todos estão bem. Selton Mello tem um personagem interessante em Paco e o executa bem, com boa presença física, conseguindo ser um alívio cômico e ainda guardar a profundidade que seu personagem precisava. Bruna Linzmeyer como Luna e Bia Arantes como Petra, vão bem como irmãs, mas não são tão exigidas quanto poderiam. Bruna talvez se destaque mais por demonstrar boa química com Johnny em cena. Para fechar, Vincent Cassel, ator francês mundialmente conhecido, tendo feito filmes como Cisne Negro (2010) por exemplo, entrega o que seu papel pede, nem mais nem menos.

Quanto a parte técnica do filme, tudo é muito impressionante. A direção de Selton Mello é ótima, em seu terceiro trabalho como diretor em longas, ele tira o máximo que consegue de seus atores, tem uma bela decupagem, com enquadramentos muito inteligentes e bonitos, dando uma atenção muito interessante a cinematografia, brilhantemente executada por Walter Carvalho. Os tons quase em ouro, contrastados com outros bem acinzentados são muito bonitos, algo que foi ressaltado com o bom trabalho de colorização.

Por fim, a trilha sonora é muito bem montada, com canções colocadas de maneira correta e condizente. E a direção de arte feita por Monica Delfino e René Padilha em conjunto com o Design de Produção de Claudio Amaral Peixoto, são um dos principais destaques. Belíssima reconstrução de época e ambientação, tanto externa quanto interna.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 21 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia. Começou a amar filmes de terror com o remake de "Dawn of the Dead", mostrando que Zack Snyder tem sua utilidade.

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