Críticas

Crítica | O Castelo de Vidro entrega uma história cativante e boas atuações

O Castelo de Vidro estreia dia 24 de agosto nos cinemas.

  Luis Borgia    segunda-feira, 21 de agosto de 2017

“O Castelo de Vidro”, é um drama biográfico que conta a história de Jeannette, uma jovem garota de uma família nômade e desfuncional, onde sua mãe é uma excêntrica artista e seu pai um alcoólatra, que não consegue se manter em nenhum emprego. A narrativa se divide em duas linhas temporais, a principal segue Jeannette da sua infância criança até seus 18 anos, e a secundária, o presente de Jeannette, onde ela está prestes a se casar com um banqueiro.

A direção do longa ficou por conta de Destin Daniel Creton, que já havia dirigido o aclamado Short Term 12 e o excêntrico I Am Not a Hipster. Aqui, ele nos entrega uma direção muito segura, boa orquestração de elementos visuais na narrativa, uma decupagem correta e precisa, e uma direção de atores impecável. Suas escolhas de transição entre passado e futuro na montagem, são muito inventivas e dinâmicas.

O roteiro, escrito por Destin Daniel Creton e Andrew Lanham, é onde se encontram os problemas do filme, mas que não chegam a estragá-lo. O primeiro ato do filme é muito forte, tem um tom de road movie, momentos cômicos e uma apresentação eficiente dos personagens, nos fazendo realmente se importar com Jeannette (Brie Larson) e com seu pai Rex (Woody Harrelson), que são o foco da história. No segundo ato, o desenvolvimento dramático começa a tomar o controle, e é bem feito, vemos os conflitos de Rex com o alcoolismo, o reflexo disso nos filhos e a relação conturbada de seus pais inconsequentes. Tudo isso, faz com que nos mantenhamos engajados com o filme.

O único problema neste momento, está na estrutura, enquanto no primeiro e terceiro ato, a mescla entre as narrativas do passado e presente são bem executadas, aqui, a história no tempo presente é quase esquecida, o que resulta num pequeno problema de ritmo para o longa. O terceiro ato num geral, consegue aproveitar todo o desenvolvimento construído e termina de maneira dinâmica, emocionante e sem excessos.

Um último problema do roteiro é com seus personagens. Enquanto vemos um ótimo aprofundamento em Jeannette, Rex e na mãe Rose Mary, o restante dos personagens ficam subutilizados, sendo apenas funcionais. As irmãs e irmão de Jeannette, complementam a narrativa, mas não chegamos a conhecê-los de verdade, assim como acontece com Erma (Robin Bartlett), mãe de Rex, e David (Max Greenfield), noivo de Jeannette.

Desta forma, não chegamos a ter atuações ruins nesta obra, mas os destaques com certeza ficam para o trio que realmente é trabalhado. As duas atrizes mais novas escolhidas para interpretar Jeannette em sua infância, Chandler Head e Ella Anderson, funcionam perfeitamente, talvez não em aparência ao compararmos com a versão adulta de Brie Larson, mas em quesito de atuação, seguram muito bem. Brie Larson, que como de costume, está ótima, consegue passar a profundidade que seu personagem exige sem nenhum problema, e ser extremamente cômica em outros momentos. Naomi Watts, como a mãe de Jeannette, incorporou muito bem o papel excêntrico e não vemos overacting em nenhuma ocasião, algo que em tal posição, pode acontecer sem uma precisão no tom escolhido. Mas acredito que o destaque fique com Woody Harrelson, ele que acabou de se sair muito bem em Planeta dos Macacos: A Guerra, aqui nos mostra tudo que tem de melhor, a fisicalidade, a dramaticidade, os olhares e o timing cômico em meio as situações “trágicas”.

Por fim, vale a ressalva a outros quesitos técnicos. Ótimo trabalho da Arte (Nicolas Lepage; Charlotte Rouleau) e da Fotografia (Brett Pawlak), com um excelente uso de figurino, ambientação e iluminação para realçar tanto as emoções de seus personagens, quanto a dramaticidade das cenas. A trilha sonora e seleção de canções também é muito bem feita por Joel P.West.


Luis Borgia

Luis Borgia

Colaborador, cineasta formado. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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