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Crítica: Okja é colorido, crítico, divertido e tocante!

Colorido, crítico, divertido e tocante, essas são as características que poderiam definir o novo longa do diretor sul-coreano Bong Joon Ho. Escrito pelo próprio, ao lado de Jon Ronson, “Okja” entrega aos espectadores um filme bem trabalhado em sua excêntricidade, com CGI convincente e atuações funcionais.

Com um roteiro muito bem estruturado, o filme apresenta a premissa corporativa e maldosa da indústria pecuária logo em seus três primeiros minutos, e se foca durante o resto do primeiro ato, em criar o laço emocional da jovem protagonista Mikha com seu superporco Okja, e em comprometer a garota em sua missão de resgatá-lo das mãos da “Mirando Corporation”.

A partir daí, temos quinze, vinte minutos de cenas muito engajantes e eletrizantes no começo do segundo ato, envolvendo o personagem de Paul Dano (Jay), e seu grupo de proteção aos animais. Paul Dano por sua vez, que demonstra muito charme e presença em todos os momentos em que aparece, simplesmente roubando a cena.

O filme mescla sequências mais dinâmicas, conduzidas pela trilha sonora simplesmente excelente composta por Jaeil Jung, com momentos mais dramáticos e intensos, se utilizando apenas de diálogos e som ambiente. Algo que se nota principalmente durante este segundo ato, onde estas mesclas ficam bem mais divididas e notáveis, chegando a causar um pequeno incômodo e distânciamento em um ou outro momento.

O tom crítico sobre toda esta indústria alimentícia da carne, começa a ser mais abordado a partir deste ponto do filme, e continua a ser aprofundado até o final. Em questões de roteiro, a temática é muito bem construída, mesmo em sua cena de resolução dos problemas no ato final, porém neste momento em específico, a crítica a sociedade acaba prejudicando a dramaticidade da cena.

Em sua produção, o filme é impecável e tem um casting de atores ótimo. O já citado Paul Dano se destaca em seus momentos em cena, Jake Gylenhaal brilha mais uma vez e nos traz um personagem muito excêntrico e cômico, o que funciona surpreendentemente bem em meio a tensão e dramaticidade do longa. Steven Yeun, conhecido por seu papel como Glen em “The Walking Dead”, apenas cumpre sua função no filme, sendo o capanga leal de Paul Dano, que erra e se redime posteriormente, sem prejudicar assim o andamento da narrativa. Tilda Swinton funciona fazendo dois papéis, de irmãs que são diretoras executivas da “Mirando Corporation”, mas não traz nada de excepcional como em outras aparições de sua carreira. Já Giancarlo Esposito é completamente subutilizado durante todo o longa.

Por fim, a fotografia é discreta a maior parte do tempo, mas executa as cenas muito bem, em meio a uma ótima e sucinta decupagem de Bong Joon Ho. Algo que vemos com mais clareza durante as cenas de ação. As cores são deslumbrantes e perfeitamente orquestradas, algo que é ressaltado pelo impecável trabalho do design de produção.

“Okja” com certeza não é o melhor trabalho da carreira do diretor coreano, não superando por exemplo os excelentes “O Expresso do Amanhã” de 2014 e “O Hospedeiro” de 2007. Mas mesmo assim, Ho entrega um filme diferente, divertido em muitos momentos e com uma mensagem muito clara. Mostrando o porquê de sua aparição no festival de Cannes deste ano.

  • Nota
4

Resumo

“Okja” com certeza não é o melhor trabalho da carreira do diretor coreano, não superando por exemplo os excelentes “O Expresso do Amanhã” de 2014 e “O Hospedeiro” de 2007. Mas mesmo assim, Ho entrega um filme diferente, divertido em muitos momentos e com uma mensagem muito clara. Mostrando o porquê de sua aparição no festival de Cannes deste ano.

Escrito por Luis Borgia

Colaborador, 22 anos, cineasta em formação. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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