Críticas

Crítica | Em Dunkirk, Nolan nos entrega uma experiência incrível e única

Dunkirk estreia nos cinemas brasileiros no dia 27 de julho.

  Luis Borgia    terça-feira, 25 de julho de 2017

“Dunkirk”, é o mais novo filme do aclamado diretor Christopher Nolan, responsável por Amnésia (2001), a trilogia de Batman: Cavaleiro das Trevas (2005; 2008; 2012) e A Origem (2010). Aqui, ele nos traz a história da operação de resgate dos 400 mil soldados britânicos na praia de Dunkirk, na França, durante a Segunda Guerra Mundial. E só isso, resume perfeitamente a história deste longa.

Já que “Dunkirk” é um filme sobre este evento, sobre este ocorrido, e que nos coloca nesta situação em meio a diversos personagens. Basicamente, a narrativa é contada em três linhas temporais distintas e junto a três locais diferentes, o molhe da praia, o mar e o céu, que convergem num mesmo ponto, o momento do resgate. E não, não estou dando spoilers, isto é um fato histórico, se procurar no Google sobre a batalha de Dunkirk, encontrará tudo.

E como não começar a análise pela direção e roteiro de Christopher Nolan? Ele nos traz algo totalmente novo em matéria de filmes de guerra, não focando na saga de um personagem que vai até uma determinada batalha, como por exemplo são Até o Último Homem, de 2016, e O Resgate do Soldado Ryan, de 1998, mas sim se focando no ocorrido como um todo, como uma forma de homenagear todos os soldados que ali morreram ou sobreviveram. E Nolan faz isto com perfeição. Os efeitos especiais são todos práticos como o próprio diretor já afirmou antes, o que faz toda a diferença. É realmente uma experiência de estar dentro daquelas situações, em meio a todo o desastre e horror de uma guerra, de sentir como esses soldados lutaram por suas vidas sem saber se um dia conseguiriam voltar à suas casas.


Todas as cenas são perfeitamente coreografadas, o filme não têm um plano ou uma cena que não tenha importância, tudo ali é crucial para a experiência e para o entendimento. A direção de atores é perfeita, o uso de todos os elementos que compõem um filme é estupendo, da maquiagem à colorização, Nolan dá uma aula do que é criar uma real experiência cinematográfica. Seu roteiro é muito inteligente, expositivo na medida certa e nos momentos certos, e assim nos situa em meio aos ocorridos da guerra. Não é um filme onde você irá lembrar dos nomes de todos os personagens ao final, mas essa nem é sua intenção. A proposta é te colocar lado a lado com aqueles ali presentes, te situar e fazer sentir o máximo possível, o que aquelas pessoas estão sentindo, e isso, Nolan alcança completamente.

Muitos tomam como uma regra de roteiro, construir um backstory para seus personagens, mas não. É algo que realmente pode ajudar a nos fazer se importar com determinado protagonista ou coadjuvante, mas isso é relativo, e depende do tipo de filme que está sendo realizado. Ao colocar alguém com perfeição, em meio a uma situação terrível e que você como telespectador nunca gostaria de vivenciar, você já constrói esta importância, o que explica porque alguns curtas-metragens de terror por exemplo, funcionam tão bem. Algo que o diretor David F. Sandberg, de Quando as Luzes se Apagam (2016), já chegou a comentar em entrevista, e que concordo completamente.


Isso é algo difícil de se concretizar, especialmente em um filme de guerra, que depende de um trabalho de som e fotografia precisos, para que possamos entender tudo que está sendo passado em cena. Em “Dunkirk”, isto é atingido. Acho difícil este filme não ser indicado aos prêmios de melhor edição e mixagem de som no Oscar do ano que vem, porque é um trabalho sensorial simplesmente impressionante. Algo que é realçado pela ótima trilha sonora composta por Hans Zimmer. A fotografia é mais uma vez executada de maneira incrível por Hoyte Van Hoytema, que já trabalhou com Christopher em Interstellar (2014), e que também fez 007 Contra Spectre (2015) e o ótimo filme de terror sueco Let The Right One In (2008).

Quanto à atuações, o elenco tem em seus nomes mais conhecidos Tom Hardy (A Origem, O Regresso), Cillian Murphy (Extermínio, Batman Begins) e Mark Rylance (Ponte dos Espiões). Todos no filme estão bem e funcionam, desde estes grandes nomes, até os mais desconhecidos e inexperientes, como o cantor e ex-membro da banda One Direction, Harry Styles.


Luis Borgia

Luis Borgia

Colaborador, cineasta formado. Crítico de cinema para o site. Apaixonado por café, filmes de terror e comédia.

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