Listas

4 personagens que não merecem ser tão odiados

As vezes é bom olhar por um outro ângulo!

  Gaby Nunes    sexta-feira, 07 de abril de 2017

Janice de Friends

Quem não conhece a boa e velha Janice com a sua risada bizarra? Namorada e ex-namorada de Chandler nas primeiras temporadas, ela tem uma característica impossível de ignorar: ela é muito irritante. Fala alto, é sem noção, e a risada. Ah, aquela risada gruda na sua mente pra sempre.

E isso é o suficiente pra todo mundo no seriado achar que ela é a pior pessoa do mundo ─ até o Joey a detesta. Ela é tão ruim, que ela chega a trair o Chandler na terceira temporada. No final da série, uma coisa é verdade pra todos os fãs de Friends: Janice merece ser odiada (sério, aquela risada não dá).

Porém, se você parar pra pensar, ela não merece esse ódio todo. Ela sempre foi gentil com os protagonistas da série e até é usada pelo Chandler quando ele resolve ficar com ela só por sexo (e ela sempre apaixonadinha pelo moço). Ela sempre ri das piadas dele, mas isso parece piorar as coisas pro lado dela. Janice também chega a ajuda-lo a se mudar, sendo que ele estava mentindo, e quando ela está mal e fica com o Ross, ela é tratada como um lixo por isso… Apesar de ela não ter ficado com o Chandler há tempos. Porque ele pediu. Porque ele não queria mais vê-la nem pintada de ouro.

E quando ela traiu o Chandler? Ela beijou o marido, no meio do processo do divórcio. Eles acabam juntos de novo ─ para o bem da Janice, então, se alguém é intruso aí, esse alguém é o Chandler. E, vamos combinar, ele nunca a tratou bem. Chandler terminava e voltava sem se importar se isso feria a Janice ou não, e sempre mentia pra ela.

Na verdade, a Janice é apenas uma pessoa como outra qualquer cujo maior erro é dar muitas chances para um cara que não está nem aí pra ela e a trata muito mal (oi, Chandler). Ela só queria companhia e afeto, mas ninguém conseguia superar aquela risada, essa é a verdade.

Skyler de Breaking Bad

Não tinha como não mencionar a esposa mais odiada da história da televisão moderna, não é? Eu mesma cheguei a detestá-la quando assisti a série, e confesso que já tinha sido influenciada por vários fãs de BB que torciam pra Skyler ter um destino semelhante ao do Fring. Porém, parando pra pensar, por que ela é tão detestada assim?

Ela cobra o Walter o tempo todo, não parece muito feliz com a vida que tem mesmo quando era boa, só aparece pra deixar todo mundo um pouco mais infeliz do que antes e acaba traindo o marido que tem câncer e que busca, pelo menos a princípio, formas de salvar sua família da falência.

O ódio contra a Skyler era (é) uma coisa tão intensa que a atriz Anna Gunn escreveu um artigo no NY Times sobre isso. Páginas e mais páginas no Facebook e fóruns aleatórios da interwebz eram dedicadas a odiar Skyler.

Essa raiva toda que os fãs sentiam (sentem) seria compreensível se, e somente se, a Skyler não comesse o pão que o diabo amassou ao longo da série.

Pra começar, ela é casada com o Walter, que, vamos combinar, é um cara bem medíocre, que vive preso nos erros do passado, invejando quem tomou decisões melhores que as dele. Só isso já seria suficiente pra deixar muita gente em depressão. Junte esse super casamento a um filho com paralisia cerebral, problemas financeiros, câncer e o tal marido que vai de medíocre para o rei das drogas (e dos assassinatos) e, bem, dá pra entender porque ela não é a mais gentil e alegre das mulheres.

No fim, a Skyler só queria uma vida melhor para ela e seus filhos, e acabou virando prisioneira dentro do próprio casamento.

Draco Malfoy de Harry Potter

Draco Malfoy é, de longe, o garoto mais racista, metido, insuportável da saga toda. Ele não mede esforços para fazer da vida do Harry um completo inferno só porque nosso jovem herói não quis ser amigo dele lá no primeiro livro. Difícil defendê-lo, certo? Errado.

A primeira coisa que devemos lembrar é: ele é uma criança. Uma criança que sai do seu núcleo familiar racista, xenofóbico e simplesmente doente pela primeira vez na vida pra morar sozinho numa escola aleatória no meio do nada e ser exposto a pessoas, culturas e conceitos diferentes de tudo que ele já viu na vida. Até o momento que ele pisa em Hogwarts, Draco não tinha noção que existia um mundo lá fora bem oposto a tudo aquilo que lhe foi ensinado.

Sabe quem é responsável por um garoto de 11 anos ser o maior babaca das galáxias? Os pais. E aí entra Lúcio Malfoy, um dos verdadeiros vilões dessa história; um cara muito perturbado da cabeça, que acha legal enviar uma horcrux do Voldemort pra uma menina de 11 anos (torcendo pra ela morrer ou ser enviada pra Azkaban) e que acredita na superioridade do bruxo sangue-puro (oi, nazista).

Lúcio abusa psicologicamente e emocionalmente a esposa e o filho. Draco é transformado no pequeno monstro que ele é pelo pai doente que ele tem, e, sendo apenas uma criança que viveu numa bolha por 11 anos, dá pra entender porque ele é do jeito que é.

E se você acha que eu estou exagerando, então vale a pena clicar aqui e ler essa entrevista dada pelo Jason Isaacs, o ator que interpreta Lúcio. Ele fala não só sobre o abuso sofrido por Draco, mas que esse tipo de comportamento é provavelmente muito antigo na família Malfoy, algo que passa de pai pra filho, e, ao contrário de Harry, que tem uma única opção clara ─ e correta ─ na frente dele, Draco tem inúmeras opções, incluindo a mais fácil: seguir o padrão imposto pelos Malfoy.

Porém, ao longo da saga, vemos que ele não quer essa opção, pelo menos não quando ele percebe o que significa ser um seguidor de Voldemort. Desesperado, depressivo e sem escolha, Draco comete crimes e tomas péssimas decisões para salvar a vida dos pais. Lúcio comete crimes porque ele quer, típico de um homem abusivo narcisista, e coloca a família em risco sem se importar pras consequências, tudo para conseguir poder e status.

Sinceramente, eu sinto é dó do Draco. E vamos admitir que quando ele é livre para escolher o próprio caminho, ele não repete o padrão de comportamento do Lúcio. No fim das contas, Draco talvez não mereça o amor eterno dos fãs, mas talvez também não mereça ser odiado.

Jar Jar Binks de Star Wars

Bem, não tem muito o que falar desse aqui, não é? Ele é irritante. Muito irritante. Ele fala de um jeito estranho, ele é desengonçado, foi criado mais pra ser um alívio cômico, só que não dá certo, e no fim ele acaba cedendo o controle da galáxia para um lorde Sith. Yay.

Entretanto, você, que assistiu os filmes com muita atenção, sabe que nada que acontece nas prequels de Star Wars é culpa do Jar Jar. Nada. Ele é desastrado, ‘tá, mas e daí? Algumas pessoas são, e, na verdade, ele nada mais é que uma criatura aleatória que os Jedi encontram por acaso. Imagina você, de boa, vivendo sua vida pacata, e de repente dois Jedi te levam pra acompanhá-los em missões muito perigosas, sendo que você nunca foi treinado pra lutar e definitivamente não tem a Força. Você mal fala a língua dele ou, na real, a sua, e mesmo assim eles continuam te colocando em situações de risco.

Além disso, tem um fator muito importante que nós não podemos esquecer: as prequels de Star Wars não são lá os melhores filmes dessa saga (surpreendente, eu sei). E quando as pessoas tiveram que admitir que os filmes que elas tanto aguardavam era bem ruins, a raiva que sentiram tinha que ser direcionada pra algum lugar. Adivinha pra onde foi?

A verdade é que o Jar Jar é o alvo perfeito pra raiva generalizada dos fãs que se frustraram demais com a péssima qualidade das prequels. Mas no fundo, no fundo, acho que todos sabemos que ele não merece esse ódio todo.

Texto Original: Cracked.com


Gaby Nunes

Gaby Nunes

Gaby B. Nunes trabalha como tradutora há quase 10 anos e como produtora de conteúdo e repórter há três. Fascinada por histórias de todos os tipos, música, conteúdo audiovisual e comida, ela busca equilibrar uma montanha interminável de trabalho com suas maiores paixões (o que significa que ela acaba comendo muitos doces na frente do computador).